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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Análise Comportamental da Hipnose de Palco

Adriano Facioli, autor do livro Hipnose: Fato ou Fraude (Editora Átomo, Campinas, 2006), gravou uma vídeo aula em que faz uma Análise Comportamental da Hipnose de Palco especialmente para os leitores do Comporte-se! Definindo e explicando o fenômeno em termos comportamentais, nosso convidado traz a tona a discussão do próprio Skinner sobre o assunto. 


Adriano Facioli possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo (1995), mestrado e doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de Brasília (1999 e 2003), e formação em Análise do Comportamento. Lecionou, em Brasília, na UNIP, UCB, Faculdade Alvorada e UniCEUB. Atualmente é psicólogo da Secretaria de Saúde do DF, atuando em psicologia hospitalar e CAPS; docente no curso de enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde do Distrito Federal; e docente no Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento (IBAC). Tem experiência em psicologia clínica, atuando principalmente nos seguintes temas: psicopatologia, teoria e prática psicoterápica, processos psicólogicos básicos, história da psicologia, teorias e sistemas psicológicos, psicanálise, análise do comportamento, saúde mental, Psicologia e terapia intensiva, epistemologia, filosofia analítica, criatividade, hipnose e experiência estética.

Facioli é autor também dos livros “A ironia: considerações filosóficas e psicológicas” (Editora Juruá, Curitiba, 2010); "Psicanálise: da sexualidade à vida social" (Editora CRV, Curitiba, 2010) e "Inquilinos do além: crítica do senso comum, crônicas e textos marginais" (Editora LGE, Brasília, 2011). Conheça também seu blog Inquilinos do Além. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Behaviorismo, a educação e a desinformação.

Autora: Ana Paula Cardoso Vichi 
Contato: paula.vichi@gmail.com

Durante minha trajetória no curso de Psicologia, tenho observado que é muito comum ouvir de profissionais e alunos de outras áreas, mas principalmente de Psicologia, críticas infundadas à Análise do Comportamento. Isso sempre me incomodou muito. O pior foi ouvir de um professor da área de ciências biológicas, que “a teoria de Skinner é ultrapassada”. Fiz questão de responder que a aplicação dessa “teoria ultrapassada” tem se mostrado útil para solucionar eficazmente os mais diversos problemas comportamentais, dentre eles o autismo. 

Tais equívocos possivelmente se relacionam a falta de informação ou acesso a informações errôneas sobre o Behaviorismo Radical, que são geralmente encontradas nos manuais de introdução à psicologia (cf. Cirino., Souza Jr., Lopes, Bessa-Oliveira & Horta, 2005; Jensen & Burguess, 1997), ou mesmo em outras fontes de diversas áreas dentro e fora da Psicologia. Tais erros têm persistido apesar das tentativas de analistas do comportamento diversos de corrigi-los. O próprio Skinner (1974) dedicou um livro todo (About Behaviorism) para responder 20 das principais críticas. Um dos lugares onde o behaviorismo tende a ser descrito de modo mais equivocado, é em meio à área de educação. 


França (1997) apontou diversos erros, frequentemente encontrados na área educacional, referentes ao behaviorismo radical. Dentre eles, que esta teoria: 1) seria uma abordagem estímulo-resposta; 2) estaria interessada em princípios gerais deixando de lado a subjetividade e a essência do homem; 3) seria capaz de só lidar com situações controladas em laboratório, não dando conta de fenômenos clínicos ou situações do “mundo real”; 4) possui uma visão reducionista e superficial de homem; 5) igualaria o homem aos outros animais; e 6) ignoraria os processos cognitivos e estados mentais, bem como processos inatos, desumanizando o homem, considerando-o um ser passivo, que simplesmente responde de forma automática a estímulos do ambiente. 

Não somente em livros, mas também em diversos artigos de psicologia, muitos dos quais publicados em periódicos de alta qualidade podem ser observadas várias críticas infundadas e preconceituosas, como por exemplo, a afirmação a seguir: 


“... na década de 70 tivemos uma forte influência do Behaviorismo, sobretudo em sua versão contemporânea, representada por Skinner e outros psicólogos americanos. Contextualizando essa afirmação, a década de 70 foi fortemente marcada pelo regime e ditadura militar. A escola, então, passa a ser compreendida como um pequeno ‘quartel’, onde os comportamentos deveriam ser modelados a partir de contingências de reforço. Controlando a relação entre Estímulo-Resposta-Reforço/Punição, poderíamos dar conta do processo de aprendizagem, no qual o conhecimento passaria a ser concebido como uma cópia do real. Essa perspectiva promoveu mudanças radicais na Educação, instituindo o tão conhecido – e – criticado ‘modelo tradicional de educação’ não mais nos moldes ‘tradicionais’ antigos, no qual o professor era percebido como um tutor e o processo centrava-se nele, mas a partir de uma perspectiva tecnicista” (Correia, Lima & Araújo, 2001, p. 558).


As afirmações acima demonstram o preconceito e a falta de conhecimento sobre as teorias comportamentais que permeiam a área de educação. A crítica é aparentemente uma “opinião” sem fundamento, pois embora as mesmas tenham mencionado no texto algumas passagens sobre o Behaviorismo Radical, não consta em suas referências nenhuma obra de Skinner, nem mesmo artigos sobre o Behaviorismo Radical ou Análise do Comportamento. 

Além disso, Correia, Lima e Araújo (2001), equiparam o Behaviorismo Radical a um contexto sociopolítico totalitário e, portanto, antidemocrático. Uma rápida consulta a principal obra de Skinner sobre educação revelaria o equivoco desta opinião: 

“Não só a educação, mas toda a cultura ocidental está se afastando de práticas aversivas. Não se pode preparar os jovens para um tipo de vida em instituições organizadas na base de princípios muito diferentes. A disciplina da vara de marmelo pode facilitar a aprendizagem, mas é preciso lembrar que também gera seguidores de ditadores e de revolucionários” (Skinner, 2003/1968. p. 57). 

Parece que muitas das críticas são embasadas pelas relações entre o behaviorismo de Skinner e a noção de controle do comportamento (sobretudo aversivo). Tal noção tem, do ponto de vista popular, uma conotação negativa, constituindo a antítese da liberdade (Skinner, 1971/2000). 


Skinner (1968/2003) defende a ideia de que a aprendizagem ocorre sob controle de algumas variáveis, que constituem as contingências de reforço. São elas: a ocasião em que o comportamento ocorre, a ação do sujeito e as suas consequências. Sendo assim, é possível que um indivíduo aprenda determinados comportamentos em dado ambiente de forma “natural”, mesmo que a ele nada tenha sido ensinado. Contudo, o ato de ensinar facilita a aprendizagem, de modo que o indivíduo que é ensinado aprende mais rapidamente do que aquele que não é. Isso demonstra a importância do ensino, uma vez que este acelera o processo de aprendizagem, possibilitando o surgimento de comportamentos que possivelmente não apareceriam ou levariam muito mais tempo para aparecer se não fosse por intermédio dele. Neste sentido, ensinar é arranjar contingências de reforço. 

Segundo a visão de Skinner (1968/2003) acerca do processo de aprendizagem, o aluno não é um ser passivo que absorve o conhecimento do ambiente que o cerca, mas desempenha um papel ativo. Pois a própria idéia de comportamento operante implica nesta noção, já que para que haja uma consequência reforçadora deve ter havido uma ação. 

Diante dessas considerações, podemos constatar que nem todo o tipo de controle é “maléfico” e “opressor”, e ignorar sua existência, não torna as pessoas “livres”. Ao contrário, abrir mão de planejar ou controlar condições de ensino/aprendizagem é deixar o controle nas mãos de outros ou do acaso. O controle pode e deve ser usado de modo mais eficaz e que promova sim a liberdade e a democracia. Segundo Skinner: 

“As técnicas aversivas podem não só ser substituídas, elas podem ser substituídas por técnicas muito melhores. As possibilidades devem ser cuidadosamente exploradas se quisermos construir um sistema educacional que vá ao encontro das necessidades atuais, sem sacrificar os princípios democráticos” (Skinner, 1968/2003, p. 58). 

Em relação ao termo “liberdade”, esse muitas vezes envolve questões de sentimentos, como se o sujeito se comportasse de determinada maneira porque quer, ou porque se sente bem. Ao olharmos dessa forma, deixamos de avaliar e questionar as contingências que mantém o sujeito se comportando de uma maneira e não de outra. Para Skinner (1971/2000, p. 36), “a liberdade é uma questão de contingências de reforço, e não dos sentimentos que as contingências geram”. 

Desse modo, podemos dizer então que o controle existe, mesmo em situações que não envolvem a presença de eventos aversivos. Muitas práticas sociais, fundamentais ao bem-estar da espécie, requerem algum tipo de controle do comportamento de um indivíduo sobre o comportamento de outro. A despeito disso a maioria dos indivíduos considera que o controle só existe em situações que produzem comportamentos de fuga e esquiva (Skinner, 1971/2000). 

Negar a existência do controle não o torna inexistente. Isso pode talvez trazer alguma sensação de bem estar, mas não modifica de fato a situação. Os indivíduos agem, não porque simplesmente querem ou gostam, mas porque determinadas contingências controlam as probabilidades da ocorrência de determinadas ações, seja através do controle aversivo ou não. 


Referências 

Cirino, S. D., Souza Jr., E. J., Lopes, M. G., Bessa-Oliveira, M., & Horta. R. G. (2005). A análise do comportamento em manuais de psicologia da personalidade. Em H. J. Guilardi & N. C. de Aguirre. Sobre comportamento e cognição Vol. 15: Expondo á variabilidade. (p. 443-452). Santo André: ESETec. 

Correia, M. F. B., Lima, A. P. B. & Araújo, C. R. (2001). As contribuições da psicologia cognitiva e a atuação do psicólogo no contexto escolar. Psicologia: reflexão e crítica, 14(3), 553-561. 

França, A. C. C. (1997). A análise comportamental aplicada à educação: um caso de deturpação acerca do pensamento de B. F. Skinner. Psicologia da educação, 5, 115-124. 

Jensen, R. & Burgess, H. (1997). Mythmaking: How introductory psychology texts present B. F. Skinner’s analysis of cognition. The Psychological Record, 47, 221-232. 

Skinner, B. F. (2003). The technology of teaching. Acton, Massachusetts, Copley Publishing Group. Originalmente publicado em 1968. 

Skinner, B. F. (1974). About Behaviorism. New York, Knopf. 

Skinner, B. F. (2000). Para além da liberdade e da dignidade. Trad. Joaquim Lourenço Duarte Peixoto. Lisboa, edições 70. Originalmente publicado em 1971.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Vida Eterna

Autor: Alexandre Dittrich*

Tenho mais perguntas do que respostas sobre a vida eterna. 

Se a biologia está certa e a distinção entre humanos e não-humanos é imprecisa, quem foi o primeiro humano candidato à vida eterna? E por que ele? 

E quanto ao último proto-humano? Ele apenas teve o azar de estar no lugar errado da fila? Talvez os não-humanos não precisem enfrentar o juízo final. Seria sorte, não azar. Um salvo-conduto. 

Se houver um julgamento final dos humanos, talvez o julgador precise do auxílio de uma junta de biólogos para decidir quem conta como “humano”. 


Os economistas dizem que a oferta e a escassez de um bem determinam seu valor. Se tivéssemos vida eterna, daríamos a ela o mesmo valor? 

“Produzimos a existência” (como diriam os marxistas) porque precisamos viver. Por que fazer isso na vida eterna? A existência estaria garantida. 

Precisaríamos trabalhar? Precisaríamos de bens? Acho que não. Viver não seria mais um problema, apenas um fato. Nada de fábricas, carros, casas, móveis, celulares, computadores... É difícil imaginar essas coisas na vida eterna. Só se a vida eterna for um recorte de um período específico da história humana. Mas se for assim, porque esse período? A eternidade não deveria ser atemporal? 

Ok, digamos que seja assim – entraremos para a eternidade nas mesmas condições em que estávamos aqui quando tudo terminar. Nosso momento presente, nosso estágio de desenvolvimento material e cultural, seja ele qual for, será transportado para a vida eterna, e será o ponto de partida do paraíso. Mas será também o ponto de chegada? Na vida eterna, talvez não haja mais história a ser feita, futuro a construir, perspectiva de um amanhã diferente. Nada de progresso, nada de transformação – o ontem será igual ao hoje. Não haveria pelo que lutar, não haveria motivos para trilhar novos caminhos, novas ideias seriam desnecessárias. Sem sonhos e sem perspectivas – seríamos felizes. 

Teríamos liberdade de escolha? Poderíamos fazer algo ruim, cometer um crime? Se sim, o paraíso está ameaçado. Se não, não seríamos livres. 

O que seria da arte? Nosso senso estético seria automaticamente convertido para uma versão paradisíaca, ensolarada, bem intencionada? Seria ainda permitido apreciar o dramático, o brutal, o erótico, o grotesco, o trágico, o leque completo e complexo da existência humana? 

Teríamos ciência? Duvido. Não haveria porque descobrir mais nada – a verdade estaria revelada. (E possivelmente não seria mais permitido “brincar de deus”, a não ser que o próprio não se ofendesse com isso.) A fé, enfim, venceria a razão. A capacidade de pensar, de questionar, de duvidar – tudo isso era, afinal, apenas um teste de fidelidade, um engano, uma vaidade. A maçã oferecida pela serpente. 

Algumas pessoas, pelos mais diversos motivos, não têm condições de escolher. Não pensam sobre o bem e o mal, o certo e o errado, a virtude e o pecado. Essas pessoas provavelmente já têm lugar garantido na vida eterna. 

Na vida eterna, não teremos a tristeza de ver morrer uma pessoa que amamos. Mas nascerão novas crianças? Se sim, elas provavelmente não serão julgadas por seus atos, pois já nascerão no paraíso. Sorte delas. 

Mas pode ser que não haja novos bebês. Criar e educar um filho não poderá mais fazer parte dos planos de ninguém. Deve haver outras coisas interessantes para fazer na vida eterna. 

Digamos que nasçam novos bebês. Eles crescerão? Se sim, até quando? Eles possivelmente não ficariam velhos ou doentes, e certamente não morreriam. Então, seriam eternamente bebês? Eternamente crianças? Eternamente adultos? Talvez seja difícil decidir a idade ideal para interromper seu crescimento. 

Crianças que morreram na Terra vão voltar a crescer quando estiverem no paraíso? Ou ficarão sempre iguais, com a mesma idade, o mesmo rosto, o mesmo corpo, o mesmo cérebro? 

Haverá sexo na vida eterna? Se sim, só após o casamento? Se houver casamentos, pelos menos alguns de nós terão que trabalhar – precisaríamos de padres, coroinhas, talvez uma banda de baile. 

Sexo seria só para reprodução? Só se novos bebês forem permitidos. Mas talvez na vida eterna as mulheres tenham filhos sem precisar de sexo. Diz-se por aí que há precedentes na história. Talvez isso vire um padrão. Todas as mulheres seriam esposas de um deus polígamo. 

Haverá homossexuais na vida eterna? LGBTs? Variedade sexual? Se sim, a vida eterna será tolerante, e os prazeres da carne existirão para sempre. Mas é bem possível que sexo deixe de ser algo relevante na vida eterna. Outros tempos, outra moral. 

Sexo só por prazer é uma idéia estranha na vida eterna. O sexo é um prazer finito, não dura para sempre. Na vida eterna, o prazer também seria eterno - nunca viraria dor, ausência, melancolia. Viveríamos todos em algum tipo de êxtase contínuo, invariável, interminável, inescapável. 

Na vida eterna não haverá privações – nem saciações. 

Muita gente já morreu, e uma boa parte dessas pessoas deverá ingressar na vida eterna. Algumas estimativas afirmam que mais de 100 bilhões de pessoas já viveram e morreram na Terra. É pouca gente, se lembrarmos que hoje somos 7 bilhões. De qualquer modo, excesso de gente possivelmente não será um problema na vida eterna. Deve haver bastante espaço por lá – ou nenhum. Comer e beber, ninguém precisaria. Por sorte, superamos isso. 

A perspectiva de não ter perspectivas é estranha. Aqui, na vida dos mortais, grande parte da graça está no perseguir – o desfrutar é bom, mas é só um descanso, uma parada para tomar fôlego e depois buscar alguma outra coisa. O prazer da conquista passa logo. Ninguém quer ficar na cama (ou na mesa, ou no banho) para sempre. Nada é bom por toda a eternidade. Vida que segue. 

Talvez o prazer e a felicidade, a dor e a tristeza, conforme sentimos na vida mortal, não existam na vida eterna. É muito difícil lidar com esses sentimentos – eles vão e vêm, são instáveis e inconstantes, dançam e variam, se transformam. Chega, isso não combina com o paraíso. Na vida eterna, seríamos apenas espíritos, almas, espectros, silêncios, não-matérias ou qualquer coisa assim. Entidades desprovidas de carne, desejos, sentimentos e emoções, contemplando serenamente a não-passagem de uma não-vida. 

Seríamos ainda nós? 

Até onde posso saber, eu existo aqui e agora – e pelo simples fato de existir, faço alguma diferença. Tudo o que faço transforma algo ou alguém, pode acreditar. 

Posso me eternizar fazendo o bem – ou fazendo o mal. Nem sempre sei a diferença. 

Não sou eterno, mas faço parte da eternidade. Sou eterno agora; sou eterno enquanto é tempo. 

Quanto ao momento de minha morte, sei que vai chegar. Acho que será um resultado natural de minha vida. É difícil prever. Isso me preocupa um pouco, mas não muito. Na maior parte do tempo, apenas vivo a vida. Tento ser feliz (não consigo evitar), e fico feliz quando vejo que contribuo para a felicidade de alguns outros. 

Se houver algo depois, estou curioso para ver. Se não houver, estou satisfeito em ser, agora e sempre, uma pequena parte da eternidade. 

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* O autor enviou o texto especialmente para publicação no Comporte-se: Psicologia Científica. 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em terapia pra sempre? Basta!


Texto original de Jonathan Alpert. Jonathan é terapeuta e autor do livro “Seja destemido: Mude sua vida em 28 dias”. Acesse o texto original neste link.

“Meu terapeuta me chamou pelo nome errado.”
“Eu chorei pelo coração; meu doutor olhou para seu relógio.”
“Meu psiquiatra me disse que eu deveria continuar com ele ou eu estaria perdido.”

Novos pacientes me dizem este tipo de coisa a todo tempo. E me dizem como terapeutas anteriores se sentavam, ouviam, acenavam e ofereciam pouco ou nenhum conselho, por semanas, meses, algumas vezes anualmente. Um paciente recentemente me disse que, após ver sua terapeuta depois de muitos anos perguntou se ela teria algum conselho para ela. A terapeuta disse, “Te vejo semana que vem”.

Quando eu comecei a trabalhar como terapeuta, há quinze anos, eu pensei que reclamações como estas fossem raras. Mas eu cheguei a uma conclusão decepcionante ao longo dos anos: terapia ineficaz é perturbadoramente comum.

Se você conversar com amigos, ouvir a conversas em um café, ou ler discussões online sobre o tempo de duração de terapia, eu aposto com você que você irá ver gente que continua em terapia por muito mais tempo do que o tempo que achou que teria de ficar para resolver seus problemas. De acordo com um estudo realizado em 2010 no American Journal of Psychiatry, 42% das pessoas em psicoterapia vão de 3 a 10 visitas para tratamento, enquanto 1 em 9 vão a mais de 20 sessões.

Para estes 11%, terapia pode tornar-se um beco sem saída. Pesquisas mostram que, em muitos casos, quanto mais à terapia dura, menos provável é sua eficácia. Ainda assim, terapeutas frequentemente hesitam em admitir a derrota.

Um estudo de 2001 publicou no Journal of Counseling Psychology que clientes melhoram dramaticamente entre a sétima e a décima sessão. Outro estudo, publicado em 2006 no Journal of Consulting and Clinical Psychology verificou quase 2 mil pessoas que foram submetidas a aconselhamento entre 1 a 12 sessões e, descobriram que enquanto 88% das pessoas melhoraram depois de apenas uma sessão, a taxa caiu para 62% após 12 sessões. Ainda de acordo com a conduta da pesquisa na Universidade da Pensilvânia, terapeutas que praticam um tipo mais tradicional de terapia, tratam clientes por pelo menos 22 sessões até concluíram que não está tendo nenhum progresso. Apenas 12% destes terapeutas admitem que não estão avançando e referenciam estes clientes para outro terapeuta. A conclusão é: Mesmo que terapia de longa duração não seja sempre benéfica, muitos terapeutas persistem em seguirem com seus clientes a uma terapia aberta e potencialmente interminável.

Defensores da Terapia de longa duração argumentam que existem diversas desordens psicológicas que requerem esta quantidade de tempo para serem tratadas. Isto pode ser verdade, mas é também verdade que muitos clientes de terapia não sofrem destas desordens. Ansiedade e depressão estão no topo dos motivos para os quais clientes são indicados para tratamento; esquizofrênicos estão no fim desta lista.

Na minha experiência, a maioria das pessoas buscam terapia por causa de problemas simples e facilmente tratados: eles estão em trabalhos ou relacionamentos insatisfatórios, não conseguem atingir seus objetivos, têm medo de mudanças e ficam depressivos com os resultados. Não se leva anos de terapia para chegar ao fundo deste tipo de problema. Para alguns dos meus clientes, não chega a levar nem uma sessão inteira.

Terapia pode – e deveria – focar em objetivos e resultados, e as pessoas deveriam ser aptas a sair dela. No meu consultório, as pessoas que gastam anos em terapia antes de vir até mim foram capazes de enfrentar seus medos, diminuir suas ansiedades e alcançar seus objetivos rapidamente – frequentemente em semanas.

Por quê? Eu acredito que é uma questão de abordagem. Muitos clientes precisam de um terapeuta agressivo que estimule o que eles acham que é desconfortável: mudança. Eles precisam da opinião de um terapeuta, conselho e planos estruturados. Eles não precisam falar interminavelmente sobre como eles se sentem e suas lembranças da infância. Um estudo (inglês) recentemente feito pelo National Institute for Health and Welfare na Finlândia descobriu que “terapeutas ativos, cativantes e extrovertidos” ajudaram seus clientes mais rapidamente que os “terapeutas cautelosos e não intrusivos”.

Este tipo de abordagem talvez não seja a certa para vários tipos de clientes, mas o resultado descrito por este estudo Finlandês vai de encontro com a minha experiência.

Se um cliente me diz que está infeliz em seu relacionamento com seu namorado no último ano, eu não pergunto, assim como alguns fazem, “como você se sente sobre isto?”, eu já sei como ela se sente. Ela acabou de me dizer. Ela está infeliz. Quando ela me pergunta o que ela deve fazer, eu não respondo com um interrogatório, “O que você acha que você deveria fazer?”, se ela soubesse, ela não iria perguntar pelo o que eu acho.

No lugar, eu pergunto o que será que está faltando no seu relacionamento e esboço possíveis formas de preencher essas lacunas ou, talvez, a terminar o relacionamento de uma forma saudável. Melhor que ficar brigando com as histórias da sua infância, eu encorajo meus clientes e encontrarem a coragem de confrontar o adversário, assumir riscos e abraçar modificações. Eu busco passar as habilidades para confrontar seus medos de mudar, no lugar de acenar minha cabeça e perguntar como eles se sentem.

Na graduação, meus colegas e eu fomos ensinados a servirmos como guias, aqueles que ajudam os clientes a chegarem a suas próprias conclusões. Isto pode funcionar, mas pode levar muito tempo. Eu não conheço clientes que querem ficar anos para se sentirem melhor. Eles querem se sentir melhor em semanas ou meses.

Alguns equívocos populares reforçam a crença de que terapia é deitar em um sofá e falar sobre seus próprios problemas. Então é isto que clientes comumente fazem. E é isto que leva a codependência. O terapeuta, claro, depende do cliente por causa do dinheiro, e o cliente depende do terapeuta para apoio emocional. E, para muitos clientes de terapia, é satisfatório ter alguém para ouvir sobre seus problemas, então eles saem da sessão se sentindo melhor.

Mas existe uma diferença entre se sentir melhor e mudar a sua vida. Sentir-se aceito e validado pelo seu terapeuta não te tira dos seus problemas e não te aproxima das suas metas. Ao contrário, isto talvez o encoraje a ficar atolado neste problema. Sessões de terapia podem funcionar como um SPA: eles podem ser relaxantes, mas não resolvem seus problemas. Mais que um oásis de doçura e aconchego de validação e aceitação, a maioria dos clientes querem estratégias inteligentes para conseguir chegar a seus objetivos de vida.

Eu não sou contra a terapia. Afinal, eu a pratico. Mas pergunte a si: se o seu cabeleireiro continuar fazendo péssimos cortes em você, você continuaria indo? Se um restaurante te servir uma comida horrível, você voltará nele? Não, tenho certeza que você não voltaria, da mesma forma, você não deveria manter-se em uma terapia que não está lhe auxiliando.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Genes e Comportamento

Autor: Felipe L. Leite

As horas dentro do laboratório tendem a voar quando passeamos por blogs passar devagar quando nos enfurnamos em artigos e coletas de dados. Isso nos dá bastante tempo para reflexões, digamos, não ortodoxas sobre nosso campo de estudo. Na física dizem que uma forma de se avaliar uma teoria é levando ela ao extremo, às últimas consequências, ou meu termo favorito, ao ridículo. O vídeo abaixo, do John Clesse (ex-Monty Python) é um bom exemplo de como ridicularizar o pensamento científico de forma a tornar seu laboratório um lugar mais divertido de se viver (sim, pós-graduandos muitas vezes vivem em seus laboratórios), ao invés daquelas cavernas escuras repletas apenas de gráficos, artigos e pânico do prazo. O vídeo trata da influência dos genes sobre o comportamento. Agora você entenderá por que diabos foi assistir aquele filme horrível do Nicholas Cage mês passado, mesmo sabendo que este seria o caminho mais rápido para uma tentativa de, após a sessão de cinema, você experimentar se conseguiria voar pulando do terraço do shopping. Se divirtam!



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Assistir Pornô: O Problema que Não Pode ser Nomeado


Texto original por Steven C. Hayes, disponível em inglês neste link.

É irônico, mas é difícil ter uma conversa adulta sobre sexo. Em algumas áreas, estes tópicos são tão envoltos em tabus que você coloca sua reputação em risco ao pensar na possibilidade de falar sobre.
Vou lhe dar um exemplo. Existem muitas pessoas que possuem suas vidas interrompidas pela maneira, ou quantidade de tempo que gastam assistindo pornô.

Ei. Rápido. Antes de você fechar seus ouvidos, ouça ao que tenho a dizer.

Eu não estou dizendo que assistir uma quantia X (ou até XXX) de pornô é muito. Eu não tenho uma escala numérica deste tipo a oferecer e, se você assiste pornô e se sente confortável em relação a isto, não vejo problemas. Realmente. Eu não estou tentando misturar meu papel de Psicólogo com o de um policial moralista. Eu estou dizendo que na vida de algumas pessoas, ver pornografia pode ocorrer de tal forma, ou em uma quantidade tão alta, que pode ter altos custos – de acordo com os próprios. As pessoas podem perder tanto tempo assistindo pornô que deixam de lado outras partes da vida. Eles podem ficar obcecados por imagens perturbadoras, e podem alternar entre assistir e sentir auto aversão. Eles podem permitir que seus hábitos de assistir se tornem uma barreira entre eles mesmos e seus parceiros, ou até mesmo arriscar sua estabilidade financeira vendo pornografia no trabalho.

Até parece que não sabemos desta verdade inconveniente, e sabemos também da sua política incorreta na cultura mainstream. Algumas pesquisas recentes sugerem que 17% dos indivíduos que assistem pornô na internet atingem os critérios para a compulsividade sexual. Isto se traduz em um monte de gente, levando-se em consideração que mais ou menos 12% do tráfego na Web está atrelado a pornografia, e quase 90% da população masculina jovem (e mais ou menos 30% da população feminina) assistem a conteúdos pornográficos, mesmo que ocasionalmente.  Infelizmente, este problema é tão confuso politicamente que pesquisadores clínicos fogem deste assunto, no lugar de aproximarem-se dele.

Até Agosto de 2010, nenhum estudo sobre tratamento controlado havia sido publicado sobre o problema que não pode ser nomeado. O governo federal não é melhor: eles nunca financiaram nenhum estudo que tinha em foco este problema e ainda mais, disseram para pesquisadores nem tentarem levantar fundos para uma pesquisa deste tipo através de canais normais de financiamento científico. Este padrão de esquiva protege os psicólogos ou burocratas medrosos de colocar o dedo neste liquidificador cultural, mas deixa a vida de várias pessoas brigando com o problema e sem métodos testados e conhecidos por ajudarem.
Parte do problema pode ser que a área é tão contraintuitiva que Psicólogos simplesmente não sabem o que fazer. Michael Twohig, Psicólogo docente na Universidade Estadual de Utah (um ex-aluno meu) e seus alunos, recentemente descobriram que existe um processo irônico ao visualizar a problemática. As pessoas que ficam lutando contra a urge de assistir [pornô], acabam assistindo ainda mais e também tem maiores problemas psicológicos.  Em outras palavras, o jeito normal de reduzirmos as coisas em nossas vidas (esquivar ou modificar deliberadamente o que você não quer) tem o efeito exatamente oposto do que se quer.

Nós temos visto este padrão anteriormente em áreas como a do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Aqui está a receita. Pegue a urge ou um pensamento estranho; misture-o com emoções negativas, sensações ou imagens; então dobre tudo em um mesmo monte, ajudando a supressão e esquiva (puxando para fora da mente, engajando-se em um desfazer ritualístico). Voila. Ensopado de obsessão.

Toda vez que você checar se sua supressão funcionou – bom, não funcionou. Você acabou de pensar sobre isto. Faça novamente. Coloque ainda mais emoções negativas. Mais tentativas de controlar. Mais vezes checando para pensar se eles foram embora. Mais luta.

Ensopado de obsessão.

Pesquisadores de tratamentos descobriram recentemente algumas formas de agir sobre a urge de supressão e da indulgência, ambas as descobertas verificarem os efeitos auto amplificadores tanto no TOC quanto no Espectro do TOC. Com a utilização do tratamento pode-se reduzir alguns dos sintomas, tais como tricotilomania ou a conduta auto lesiva, utilizando-se da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT – que é dita como uma palavra e não como iniciais). Diversos estudos controlados (a maioria de Twohig ou pelo Psicólogo Doug Woods e seus alunos pela Universidade de Wisconsin, Milwaukee) encontraram efeitos positivos da ACT ensinando as pessoas como andar na direção oposta da sugerida pelo nosso órgão solucionador de problemas que fica entre nossos ouvidos. No lugar de controlar as urges, a ACT ensina a aceitação e o mindful awareness. Isto se sobrepõem a auto depreciação e a auto crítica, ACT ensina auto compaixão. No lugar de esquiva, ACT instiga a aproximação dos valores da própria pessoa.

Isto é contraintuitivo. Esquivar-se por supressão é o que a mente sabe fazer. Um homem novo e altamente religioso brigando consigo por assistir a muita pornografia é capaz de criticar-se horrivelmente, e ele tenta eliminar a urge e suprimir todos os pensamentos ligados aquilo.  Isto parece ser muito difícil e também a atitude moral a se tomar, porém esta pesquisa sugere que esta rota gera mais briga, mais sofrimento e ironicamente pensamentos ainda mais obsessivos.

E deve ser dito: é também uma péssima teologia. Até Cristo foi tentado, afinal de contas. Simplesmente ter um pensamento, ou sentir uma sensação, não é um pecado na maioria das filosofias religiosas. Pecados exigem uma ação da vontade, um agir empírico no mundo. Um solucionador de problemas normal não consegue ter esta distinção.

O primeiro estudo controlado sobre como endereçar a problemática de assistir pornografia na internet foi publicada em Setembro de 2010 no respeitado jornal clínico, Behavior Therapy. Twohig e seu co-autor Jess Crosby aplicou oito sessões de ACT relacionados a este problema. Enquanto os participantes aprendiam em aceitar a urge, aprenderam também a compreender-se de uma forma mais gentil e menos julgamentosa e, também articularem-se a agirem baseando-se em valores, enquanto aprendiam tudo isto, algo notável aconteceu. Os participantes começaram a assistir com menos frequência, mas o que foi notável mesmo foi como isto aconteceu. As pessoas suavizaram-se. As obsessões religiosas diminuíram, mas, além disto, comprometimentos positivos aumentaram. Pensamentos obsessivos foram aliviados e com isto também a preocupação dos pensamentos espontâneos que causavam mal. Pessoas começaram a aceitar suas emoções e ficaram menos enraizadas em seus pensamentos. E também foram mais capazes em agir de acordo com seus valores frente a um objetivo positivo, carregando a dificuldade dos pensamentos e sentimentos com eles, porém de uma forma mais compassiva.

Parece que ambos os lados do debate cultural armazenam um pedaço deste sucesso. Talvez seja hora de termos uma conversação adulta sobre o problema que não pode ser nomeado.

Obs: Existem diversos livros populares que podem ensinar estas técnicas sobre a ACT, tais como “Happinnes Trap” (Russ Harris) e “Get out of Your Mind and Into Your Life” do próprio autor do texto.

domingo, 8 de abril de 2012

Behavior Cast: o PodCast de Análise do Comportamento

Já faz um tempo que nossos amigos Fernando Cassas e Jazz tem feito sucesso com o Behavior Cast: o Podcast de Análise do Comportamento. Trata-se de uma iniciativa diferente, em que se discutem conceitos e aplicações da Análise do Comportamento por meio de conversas informais entre os autores e alguns convidados. Além de muito informativo, é bastante divertido. 


No último episódio o Fernando e o Jazz tiveram comentaram alguns blogs de Análise do Comportamento, entre eles, o Comporte-se. Apresentaram o blog e a equipe, inclusive apresentando excelentes sugestões para o grupo e comentando o artigo de Julie S. Vargas traduzido por Aline Couto, intitulado Os Últimos Dias de Skinner. 

Comentam também o site Reforço Positivo de nosso amigo e parceiro Ítalo Sobrinho, estudante de Análise do Comportamento de Brasília - DF, super engajado na divulgação da abordagem. 

Não deixem de seguir os próximos episódios do Behavior Cast em que comentarão outros sites de Análise do Comportamento. Ouçam também os anteriores, disponíveis neste link, em que comentam de maneira elucidativa e divertida temas em Análise do Comportamento. 



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desmistificando a hipnose: uma visão Analítico Comportamental do fenômeno (parte 1)

É possível encontrar relatos de fenômenos hoje descritos como hipnose ao longo de toda a história da humanidade. De acordo com Sofia Bauer (2010), ela já foi associada a ideias de modificação de energia, um tipo diferente de sono, uma patologia, regressão a vidas passadas, aprendizagem adquirida, uma dissociação e até mesmo uma encenação.

Franz Anton Mesmer foi o primeiro a dar um tratamento minimamente científico ao assunto (Bauer, 2010). Ele acreditava que animais humanos e não humanos possuíam um tipo de magnetismo especial, que fazia com que respondessem a movimentos elaborados com as mãos e cristais especiais (Adler, 2010). Sua tese logo foi derrubada pelo governo francês, que por meio de uma comissão composta por Franklin, Lavoisier, Guillotin e Bailly, a submeteram à experimentação e descobriram que as mesmas respostas podiam ser obtidas de outras formas (Bauer, 2010). Com o passar dos anos, diversas teorias foram surgindo para tentar explicar o transe, dentre as quais se destacam as propostas por James Braid, James Esdaile, Pierre Janet, Emile Coué, Freud, Bernheim e Charcot (Bauer, 2010). 


Milton Erickson, principal precursor da hipnose moderna, propôs diversas mudanças em relação a todas essas teorias. A principal delas diz respeito à definição do transe, que deixou de ser visto como algo especial e que necessitava ser formalmente induzido e passou a ser encarado como um fenômeno natural da vida humana, observado em situações cotidianas nas quais o foco de nossa atenção está totalmente voltado a alguma coisa e não nos damos conta do que ocorre ao redor (Bauer, 2010). Um exemplo de transe é quando estamos assistindo TV e não percebemos que nosso amigo está falando conosco. 

Para a Análise do Comportamento, a polêmica recai na mesma questão que uma série de outros fenômenos humanos: a hipnose é provocada por processos mentais inconscientes ou é um conjunto de comportamentos complexos que são controlados por contingências? 

Buscando responder a pergunta, Adolfo J. Cangas Diaz (1998), da Universidad de Almería, Espanha, argumenta que a explicação da hipnose deve ser buscada em três grandes conjuntos de variáveis: repertório comportamental prévio do organismo, que pode fazer dele mais sensível às sugestões; variáveis do contexto geral em que ocorre a hipnose e reforçadores dispensados pelo hipnotizador. Buscando ampliar a compreensão do leitor a respeito do fenômeno, proponho uma série de três textos a respeito, iniciando por este. Aqui tratarei do primeiro conjunto de variáveis citadas por Cangas, quais sejam, aquelas relacionadas ao repertório comportamental do organismo. Esta divisão é necessária em função da complexidade do assunto e da necessidade de limitar o tamanho dos artigos, com vistas a tornar a leitura menos densa e cansativa. 



Dada a ausência de referências sobre hipnose em Análise do Comportamento, muito do que disser aqui são exercícios próprios de interpretação, que nem de longe, almejam esgotar as possibilidades. O próprio artigo de Cangas (1998), intitulado Análisis Conductal del Comportamiento Hipnótico, não é feliz em apresentar interpretações Analítico Comportamentais para o fenômeno. Muitas vezes o autor apenas descreve os comportamentos envolvidos sem fazer qualquer relação com a teoria. Uma das poucas fontes onde existe esta relação é o livro O Comportamento Verbal, de Skinner (1974), e ainda assim, apenas em pequenos trechos isolados. Ainda pretendo trazer à discussão as palavras de Skinner a respeito, mas em outro momento. 

Cangas (1998) inicia a discussão dizendo que algumas pessoas possuem em seu repertório características que as tornam mais susceptíveis ao transe. A primeira característica citada pelo autor diz respeito ao interesse em se submeter ao processo, expresso pelo fato de que todos aqueles que o fazem, são voluntários. Essa disposição em participar sugere a existência de uma história prévia de exposição a regras que incentivem este comportamento; observação de modelos que, ao se permitirem entrar em transe, geraram reforçadores que são valiosos para o observador (aprendizagem vicária) ou a existência de um repertório de exposição a situações novas. Todos estes elementos tornam o organismo mais sensível às sugestões hipnóticas, aumentando as chances dele responder sob controle das instruções dadas pelo hipnotizador. 

Na prática, pouco importa se a pessoa se diz crédula ou cética em relação à hipnose (Cangas, 1998). É importante apenas que ela não se recuse (publica ou privadamente) a participar (Adler, 2010), o que pode acontecer em função de regras preconceituosas, história de pareamento do transe a estimulação aversiva ou observação de situações de hipnose em que os participantes são expostos a contingências aversivas. 

O autor destaca também a importância de a pessoa ser uma boa seguidora de instruções para que a hipnose obtenha sucesso. Por se tratar de uma situação social em que um hipnotizador emite uma série de mandos (sugestões) aos quais o hipnotizando deve responder para entrar em transe, uma história prévia de reforço por seguir instruções favorece muito o sucesso da indução (Cangas, 1998). 

Um último aspecto citado por Cangas (1998) como fator que predispõe alguém à hipnose diz respeito à falta de conhecimento sobre fenômeno. Em geral as pessoas possuem uma ideia muito vaga do que seja hipnose, o que permite ao hipnotizador utilizar diversos truques que aumentam seu controle sobre o comportamento do hipnotizando e da platéia. Em termos comportamentais, estes truques exercem função de autoclíticos [1]. Um exemplo deles pode ser visto na “Ponte Cataléptica”: 


Apesar de impressionante, é apenas um truque que pode ser feito sem qualquer tipo de indução ao transe ou sugestão hipnótica. Já testei diversas vezes, com diversas pessoas diferentes e o resultado foi sempre o mesmo. Observem que os ombros das assistentes de palco estão apoiados nas cadeiras, assim como o início das pernas. 

Outro truque muito usado é a “Cadeirinha”. Veja no vídeo abaixo:


Para fazer a cadeirinha basta que todos os participantes executem o movimento de maneira simultânea e posicionem os dedos no lugar correto. Assim como no primeiro exemplo, não há necessidade de qualquer tipo de sugestão hipnótica para que o truque funcione. 

Estes são apenas alguns exemplos dos diversos truques empregados pelos hipnotizadores para aumentar seu controle sobre o comportamento do hipnotizando e do público, e que só funcionam porque os últimos desconhecem as reais possibilidades da hipnose. Nos próximos textos desmistificarei outras técnicas empregadas, descrevendo-as em termos comportamentais ou explicando a lógica por trás de seu funcionamento. Não deixem de acompanhar. 



NOTA

[1] Conforme explicam Santos, Santos e Marchezini-Cunha (2012), autoclíticos tem a função de aumentar a precisão do controle do falante sobre o comportamento do ouvinte. Eles podem aparecer também em forma de expressões como sorrisos sedutores, gestos com as mãos, entre outros. Em uma análise macro, como um truque que exerce esta mesma função.


REFERÊNCIAS

Adler, S. P. (2010). Hipnose Ericksoniana: Estratégias para a Comunicação Efetiva. Rio de Janeiro: Qualitymark.

Bauer, S. M. F. (2010). Hipnoterapia Ericksoniana Passo a Passo. Campinas: Psy.

Cangas, A. J. D. (1998). Análisis Conductal del Comportamiento Hipnótico. Acta Comportamentalia, 6, 61-70.

Santos, G. M.; Santos, M. R. M.; Marchezini-Cunha, V. (2012). Operantes Verbais. In Borges, N.B.; Cassas, F. A. Clínica Analítico-Comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: Artmed.

Skinner, B. F. (1974). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.

Skinner, B. F. (1957) Verbal Behavior. New York: Appleton Century Crofts

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Será que quando nós mentimos, nosso nariz cresce?

Desde os tempos mitológicos discute-se a possibilidade de descobrir se uma pessoa está mentindo através da identificação de sinais publicamente observáveis em seu comportamento, tais como alteração no tom, velocidade e latência da voz; mudanças nas expressões faciais; respiração; postura corporal; entre outros, geralmente analisados por observadores treinados. Com o avanço da tecnologia, diversos instrumentos passaram a ser utilizados para este fim, dentre os quais, destaca-se o Polígrafo, amplamente empregado em entrevistas criminais nos Estados Unidos. Mas será que tudo isto funciona?

Pinóquio é um personagem que apresenta um sinal muito
claro de que está mentindo. E no mundo real? Será tão fácil?



O Psicólogo Nicolau Quinta (2008) buscou responder a esta pergunta em sua dissertação de mestrado. Logo no início de seu trabalho, explica que a pergunta não pode ser respondida apenas com uma palavra e que os estudos a respeito tem deixado mais questões a serem respondidas do que respostas à pergunta inicial. 
Hubner, Rocha e Zotto discutem o assunto em um capítulo sobre a mentira no livro Comportamento Moral: Uma proposta para o desenvolvimento das virtudes, organizado pela Dr. Paula Inês Cunha Gomide e publicado pela editora Juruá (2011). De acordo com as autoras, os estudiosos da área (De Paulo e Cols, 2003; Menai e Loturco, 2002) identificaram vários sinais no comportamento público dos indivíduos que podem ser indicativos de que ele está mentindo. Entre estes sinais, elas destacam: 

1 – Sinais corporais ou reações fisiológicas como a alteração das pupilas e mudanças no tom da voz; 

2 – Pistas de pensamento que apontem criação de histórias falsas, as quais exigem um tempo maior e com frequência mais alta de pausas no discurso; 

3 – Pistas de sentimentos que seriam observados no comportamento mentiroso, como por exemplo, culpa ou medo, ou sentimentos positivos (como prazer que precisa ser ocultado); 

4 – Pistas de padrões de movimentos nos olhos do interlocutor, como por exemplo, desviar o olhar diante de perguntas com resposta complexa, piscar os olhos em uma frequência maior do que em outras situações, etc; 

5 – Movimentos da cabeça e do corpo, como por exemplo, responder não a uma pergunta enquanto balança a cabeça em gesto afirmativo; 

6 – Movimentos das mãos e dos braços: quem mente raramente aponta o dedo ou enfatiza sua fala com gestos amplos 

7 – Respiração: pessoas que estejam escondendo algo alteram a frequência respiratória. 
                                                               

Embora todos estes sinais e alguns outros sejam associados à mentira pela população em geral e mesmo por alguns pesquisadores da área, os estudos controlados que visam verificar sua confiabilidade não têm trazido resultados muito animadores. 

Bull, Feix e Stein (citados por Hubner, Rocha e Zotto, 2011) realizaram uma ampla revisão bibliográfica, na qual foram examinadas as principais pesquisas já realizadas em todo o mundo sobre métodos de detecção de mentira. “Após extensa revisão, concluíram que nenhum estudo apresentou método fidedigno e índices estatísticos válidos para se afirmar que é possível associar modificações na expressão facial ou nas respostas fisiológicas com a mentira”, dizem as autoras. Elas explicam que todos os sinais geralmente associados com a mentira podem estar presentes em diversas outras situações além daquela em que a pessoa mente. 

No estudo conduzido por Quinta (2008) foram apresentados dados relacionados também ao uso do Polígrafo como instrumento de detecção de mentiras. Ele explica que o teste do polígrafo consiste em conectar a pessoa a um conjunto de aparelhos que detecta alterações fisiológicas em sua frequência cardíaca, pressão sanguínea, respiração, sudorese, condutância eletrodérmica e temperatura corporal. Em outras palavras, o equipamento não detecta de fato as mentiras, mas alterações fisiológicas no entrevistado que se supõe estarem associadas a ela. Este método nos impõe o mesmo risco mencionado por Hubner, Rocha e Zotto (2011). As alterações fisiológicas presentes quando a pessoa mente também podem ser encontradas em diversas outras situações além desta. 

Com o objetivo de controlar esta variável, os examinadores profissionais de polígrafo têm utilizado diversas outras estratégias em conjunto com o equipamento, as quais isolariam as respostas verdadeiras e mentiras do entrevistado. Entre as principais, estão o Teste da Questão de Controle (Control Question Test – CQT) e o Teste de Conhecimento do Culpado (Guilty Knowledge Test – GKT), conforme explica Quinta (2008). De acordo com o autor, estas medidas de controle têm permitido índices em torno de 85% detecções corretas. Entretanto, ainda assim ele não se mostra eficaz com pessoas especialmente treinadas para mentir ou que não apresentem respostas corporais quando o fazem e é o próprio Ekman que nos dá este alerta. O É por este motivo que a comunidade científica americana não o considera seguro (Iakono e Lykken, citados por Quinta, 2008). 

Outro método que tem sido bastante utilizado ultimamente é a observação de alterações em um tipo especial de ondas cerebrais, a P300 (ou P3). Mas conforme denunciam os dados apresentados por Quinta (2008) em seu trabalho de mestrado, têm sido encontradas também diversas inconsistências entre os estudos que visam investigar a efetividade do método, mesmo diante do emprego de procedimentos diversos. 

Uma possibilidade citada pelo autor é observar se algum sinal em particular aparece regularmente em maior ou menor frequência e intensidade em uma pessoa em específico quando ela fala a verdade e comparar estes dados com dados oriundos da observação deste mesmo sinal quando esta mesma pessoa fala uma mentira. A estratégia é interessante porque consiste basicamente em identificar sob quais condições a pessoa emite determinadas respostas e não em julgar a veracidade de sua fala de acordo com um critério estatístico. A principal dificuldade encontrada em é que na maioria das vezes não será possível verificar a validade de nosso julgamento ou isto só será possível após um longo espaço de tempo. Ainda assim, é melhor do que comparar entre sujeitos, método no qual os índices de acerto raramente ultrapassam 60% (Quinta, 2008). 

Conforme exposto ao longo do texto, é bastante problemático afirmar que é possível detectar mentiras através de qualquer uma das estratégias comumente usadas, as quais geralmente envolvem associar alterações fisiológicas, corporais ou faciais a ela [a mentira] de maneira universalmente válida. A dificuldade está justamente em encontrar algum sinal observável que inequivocamente apresente esta associação em todas as pessoas, e até que isto seja feito, todos os textos e manuais que oferecem fórmulas para a detecção de mentiras estarão apenas no campo da especulação. Cabe alertar que o mesmo provavelmente se aplica a qualquer tentativa de leitura da linguagem corporal e que qualquer material que se proponha a ensinar fazê-lo, não poderá ser considerado fidedigno, ou para ser mais sutil, fundamentado em dados consistentes. 

Talvez, o máximo que se possa conseguir com estes livros são pistas sobre como a pessoa está se sentindo, pistas estas, que na clínica podem ser confirmadas ou não em situações subsequentes através da observação das repetições de padrão no comportamento da própria pessoa. Mesmo assim, nossa conclusão não deve ser entendida como verdade última sobre aquele indivíduo. Quinta (2008) ainda apresenta dados em que diversos observadores foram treinados a observar estas repetições em sujeitos específicos, de modo que foi possível obter até 100% de acertos em algumas sessões. Entretanto, o desempenho destes observadores foi pouco estável entre sessões diferentes e não foi possível afirmar que houve generalização para outros falantes.

E aí? Será que quando nós mentimos nosso nariz cresce? Deixo para vocês responderem.




REFERÊNCIAS 


Hübner, M. M. C.; Rocha, G. M da & Zotto, L. L. S. (2011). Mentira. In Gomide, P. I. C. (Org). Comportamento Moral: Uma proposta para o desenvolvimento das virtudes. Curitiba: Ed. Juruá


Quinta, N. C. de C. (2008). Efeitos de Contingências Aversivas sobre o Comportamento de Mentir: Sinais e Detecção. Dissertação de Mestrado, Universidade Católica de Goiás, Goiás. 






segunda-feira, 30 de maio de 2011

A importância da estatística para o Psicólogo. Apresentando a estatística gráfica.

Em minha jornada profissional, tenho me deparado com muitos estudantes e até profissionais da psicologia que ignoram a presença da estatística como algo relevante em suas formações e vida profissional. Só entendem o verdadeiro valor da matemática quando já é tarde demais, e muitas oportunidades passaram ou pior, quando precisam urgentemente dela para tabular dados de uma pesquisa ou mesmo para colocar em gráficos uma freqüência de comportamentos X ou Y de seu cliente.

Para ler e se atualizar nas pesquisas mais avançadas da ciência psicológica então...



É muito comum ver vestibulandos dizerem coisas como “eu vou prestar psicologia por que não tem matemática...” alem de ser um absurdo prestar um vestibular que vai ser a futura profissão usando esse critério, ainda caímos em outro problema, à generalização de que a matemática ou a estatística não tem importância dentro da psicologia.

Nesse pequeno artigo, vamos falar um pouco sobre a importância da estatística para a psicologia e também apresentar a estatística gráfica e suas formas de aplicação.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Psicologia enquanto ciência?
Quando falamos em ciência, necessariamente estaremos falando em pesquisas e todos os seus métodos inerentes. Se estamos falando em pesquisa, precisamos ter um problema de pesquisa. Geralmente uma pesquisa é baseada em um problema e toda a metodologia é criada e refinada para tentar responder esse problema. Algumas hipóteses são criadas e testadas, para que se tenha um resultado confiável, é necessário estabelecer relações entre as hipóteses e se elas se confirmam ou se descartam ( de acordo com o método proposto pelo pesquisador para provar ou refutar uma hipótese ).
Para testar uma hipótese ou prever acontecimentos decorridos de um evento ( suas conseqüências ) se usa a estatística. Ela pode ser descritiva, inferencial etc.

De uma forma sintética, pode dizer-se que a estatística é um conjunto de técnicas apropriadas para recolher, classificar, apresentar e interpretar conjuntos de dados numéricos.
O profissional faz medições de um evento alvo e precisa avaliar essa medição de forma imparcial e segura. A matemática propicia isso através da estatística.
Ainda não sabem o valor da estatística para a psicologia?
Que tal essas perguntas:
1. Digamos que um psicólogo quer pesquisar uma determinada técnica. Como é que ele vai saber se tal técnica foi ou não eficaz para seus clientes?
2. Se estivermos pesquisando a eficácia de uma abordagem psicológica, como é que vamos organizar e interpretar os dados?
3. Se estivermos desenvolvendo um novo teste psicométrico ou mesmo tentando validar um já existente. Como é que se organizam todas as respostas dos clientes apresentadas no teste e como vamos saber se medem aquilo que se propuseram a medir?

A resposta é simples caros estudantes e psicólogos formados: ESTATÍSTICA

É a partir dela que conseguimos agrupar dados, interpretar dados e aplicar leis da ciência e com isso gerar informação e com isso desenvolver técnicas que funcionam e isso gera o aprimoramento da psicologia.

A estatística gráfica
A estatística gráfica é um recurso muito usado nas pesquisas de qualquer área do conhecimento e ela se propõe a permitir uma visão rápida e global de um fenômeno estudado. É importante dizer que os gráficos devem ser construídos de forma que evidenciem aquilo que se quer demonstrar de forma clara e que o observador consiga entender facilmente aquilo que se está mostrando. Porem para se ler um gráfico, é preciso conhecer um pouquinho do que é a matemática e a estatística e saber como elas entendem e registram um fenômeno estudado.
Existem diversas formas de se fazer um gráfico e cada uma delas é usada para uma situação especifica.

1 – Gráficos especiais para distribuições de freqüências:
1.1 – Representação gráfica da distribuição de freqüência de uma variável discreta ( tipo A )
Exemplo: O numero de erros de português encontrado em um artigo de física.


2 - Histograma
É a representação gráfica através de retângulos adjacentes onde a base colocada no eixo das abscissas corresponde aos intervalos das classes, e a altura é dada pela freqüência absoluta das classes. Exemplo:

Notas dos alunos do 3 ano da escola X – 1970



3 - Polígonos de freqüência
É a representação gráfica de uma distribuição de freqüências por meio de um polígono, onde os pontos são obtidos por perpendiculares traçadas a partir do ponto médio das classes, e de altura proporcional à freqüência de cada uma das classes. No caso de freqüência acumulada, os segmentos perpendiculares são traçados a partir dos limites superiores da classe. Em ambos os casos, o primeiro e o ultimo pontos são colocados de modo a manter a proporcionalidade do gráfico.

4 - Curvas de Freqüência
É a representação gráfica de uma distribuição por meio de uma curva regular, que procura acompanhar o mesmo traçado e a mesma área subentendida pelo polígono.

5 – Gráficos lineares ou de curvas
São gráficos em duas dimensões baseados na representação cartesiana dos pontos do plano. Servem para representar séries cronológicas, sendo que o tempo é colocado no eixo das abscissas e os valores observados no eixo das ordenadas.

6 – Gráficos em colunas ou barras
São representados por retângulos de base comum e altura proporcional à magnitude dos dados. Quando dispostos em posição horizontal, são denominados barras e quando dispostos em posição vertical, são chamados de barras.
Embora possam representar qualquer série estatística, geralmente são empregados para representar as séries especificas.
De acordo com a forma como é feito, o gráfico em colunas ou barras pode ser subdividido em:
6.1 - Colunas justapostas (podem ser juntas ou separadas)

O gráfico em colunas justapostas é aquele em que os retângulos são dispostos um ao lado do outro.
6.2 Colunas contrapostas ou opostas.

Existem muitas outras formas de representar graficamente algum tipo de dado que está sendo trabalhado, existem ainda os gráficos em círculos, 3d, gráficos de setores, gráficos polares, gráficos pictóricos etc. e cada um deles, vai ser utilizado para um tipo especifico de dado.

Esse pequeno artigo, não se propõe a apresentar todos eles, mas sim, introduzir que a estatística é muito importante dentro da psicologia e mostrar que os traços que vemos nos gráficos não são bichos de sete cabeças. Mas é preciso conhecer o mínimo de estatística para conseguir compreende-los e tirar proveito da informação que eles estão passando.
Para quem deseja ser pesquisador, digo que a matemática é fundamental. Talvez a estatística seja tão importante para um psicólogo quanto uma formação sólida em teorias e sistemas psicoterápicos. Infelizmente, os alunos que a ignoram, só vão perceber a falta que faz quando é tarde demais, e para correr atrás do prejuízo, vão precisar ralar muito.

Portanto caros psicólogos e estudantes de psicologia, estudem estatística com o mesmo empenho que estudam psicoterapia, pois a matemática é a língua universal, e na psicologia não é diferente. Nos comunicamos através da ciência e de pesquisas através de dados, gráficos e formulas matemáticas.

Então agora vou repetir a pergunta :

Ainda não entendeu a importância da estatística para a psicologia?

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* Fontes utilizadas nos exemplos e definições:
Princípios de Estatística: 900 exercícios resolvidos e propostos do Gilberto de Andrade Martins e Denis Donaire – Ed. Atlas ( 4 edição )