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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

B. F. Skinner - Coleção Educadores [Download]

A coleção Educadores, do MEC, disponibiliza online uma cartilha contendo diversos textos sobre Skinner e do próprio Skinner. Vale a pena conferir. Para acessar, clique na imagem abaixo.





Saiba quais textos estão disponíveis na cartilha.


Textos de Sobre Skinner e o Behaviorismo

Ensaio, por Louis M. Smith, 11
A descoberta de uma vocação, 11
Uma concepção de mundo, 13
Aplicações na vida real, 16
Skinner e a educação, 19 
Outras obras importantes, 23 
Os críticos e as críticas, 24
Skinner atual, 26
Considerações sobre a influência
de Skinner na educação brasileira, por Maria Leila Alves, 29

Textos de Skinner

Textos do Livro Tecnologia do ensino, 46

1. A etimologia do ensinar, 46
2. Três teorias, 49
3. A ciência da aprendizagem e a arte de ensinar , 52
4. O ensino em sala de aula, 57
5. O progresso do ensino, 62
6. Por que os professores fracassam, 65
7. Controle aversivo, 68

Textos do Livro Ciência e comportamento humano, 74

1. A possibilidade de uma ciência
do comportamento humano, 74
2. Análise causal ou funcional, 82
3. Educação, 87
4. Agências educacionais
e suas técnicas de controle, 88
5. Reforço educacional, 90
6. O comportamento resultante
do controle educacional, 93
7. Cultura e controle , 99
8. O ambiente social como cultura, 103
9. O efeito da cultura sobre o indivíduo, 106
10. Caráter cultural, 109

Textos do Livro Walden II: uma sociedade do futuro, 111

1. Engenharia do comportamento: condicionamento
operante contra o livre-arbítrio?, 112
2. Profissão e trabalho, 121
3. “Educando” as crianças , 124
4. Geografia de Walden II: economia
de espaço vital e de energia, 132
5. O perigo das multidões, 135
6. Opções culturais, 138
7. É necessário existir ciência, cientistas,
universidades, religiões, governos?, 141

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Prática controlada: medidas continuadas e produção de evidências empíricas em terapias analítico-comportamentais

Tese de Doutorado
Autor: Roosevelt Starling
Orientadora: Sônia Meyer

RESUMO: Buscando estabelecer controles públicos e empiricamente indexados para o comportamento verbal clínico do terapeuta de serviços, um modelo de Prática Psicológica por Evidências, chamado Prática Controlada, foi adaptado, testado e explorado quanto a algumas de suas possibilidades, em condições reais de aplicação. Esse modelo se fundamenta num arranjo específico dos procedimentos terapêuticos e em cinco instrumentos utilizados para a coleta de informações qualitativas e quantitativas pré-intervenção e na coleta continuada de dados empíricos referentes ao nível de perturbação psicológica do cliente, à qualidade da relação terapêutica e ao seu nível de engajamento nas tarefas terapêuticas, ao longo das primeiras 20 sessões de tratamentos de orientação analítico-comportamental para 34 clientes (10 homens, 33,3 ± 14,2 anos, e 24 mulheres, 35,6 ± 9,9 anos) em três cidades diferentes. As terapias foram conduzidas por três terapeutas experientes e quatro inexperientes. Os resultados indicaram que esse modelo de prática controlada produz indexadores empíricos que podem ancorar o comportamento verbal do terapeuta de serviços (suas interpretações e julgamentos teóricos e clínicos) e que são sensíveis à evolução de curto, médio e longo prazo da terapia, além de permitir a produção de evidências públicas clínica e socialmente relevantes dos resultados intermediários e finais do tratamento. Através da análise das séries temporais obtidas, os resultados também sugerem que a avaliação do cliente do seu nível de perturbação psicológica, do seu engajamento nas tarefas terapêuticas e na sua apreciação da qualidade da relação terapêutica pode responder a controles independentes e/ou a variáveis idiossincráticas. Apresenta-se uma discussão sobre teoria da mensuração, escalas de medidas e medidas em psicologia e em psicoterapia e algumas sugestões para pesquisas futuras são oferecidas.

Disponível em: teses.usp.br

sábado, 23 de abril de 2011

Experimental Analysis of Human Behavior Bulletin disponibiliza conteúdo online

O periódico Experimental Analysis of Human Behavior Bulletin, organizado pela ABA (Association for Behavior Analysis), disponibiliza em seu site [link] várias das edições publicadas entre os anos de 1983 e 2004, para visualização e Download livres. 



Cada uma das edições disponíveis pode ser acessada por meio do link correspondente, logo abaixo. 








































The Experiment (O Experimento) – Detenção - O Filme

 ATENÇÃO: Este post contém Spoillers.

O filme The Experiment (O Experimento), traduzido para o português como Detenção, conta a história de  um grupo de homens que se ofereceu para participar de um experimento científico, a fim de ganhar 100 mil dólares caso ficassem por 12 dias em um ambiente que, posteriormente, descobririam simular uma prisão. Lá dentro eles foram divididos em 2 subgrupos: os guardas e os presos. O dever dos guardas era fazer com que os presos cumprissem as 5 regras descritas abaixo:




1) Falar apenas quando interpelado;
2) Comer toda a comida do prato;
3) Não tocar, sob nenhuma circunstância, nenhum dos guardas;
4) Cumprir diariamente 30 minutos de recreação;
5) Ser punido de maneira equivalente à regra que deixasse de cumprir;

Para que estas regras fossem cumpridas, a equipe de guardas poderia lançar mão de qualquer recurso, e a punição para o desrespeito de qualquer uma delas deveria vir em no máximo 30 minutos; caso contrário, o experimento seria interrompido e todos perderiam a chance de ganhar a recompensa. Os presos não tinham conhecimento destas regras, de modo que foram orientados apenas a permanecer 12 dias lá dentro. 

O que ninguém esperava é que, logo na primeira refeição servida aos detentos, os problemas começariam. O feijão oferecido ao grupo tinha uma aparência aversiva e alguns deles se recusaram a comê-lo, desrespeitando a regra número 2. Diante da insistência do guarda que servia a comida, um dos detentos jogou o prato no lixo e alguns outros jogaram no próprio guarda. A punição veio logo em seguida: o primeiro que se manifestou contra a comida foi punido com 10 flexões, mas recusou-se a fazê-las e por isto, esta punição foi estendida a todos os outros detentos, gerando insatisfação em todo o grupo. 

No decorrer do filme, várias outras situações parecidas aconteceram: guardas tentando fazer com que os presos seguissem as regras – o que sempre produzia algum tipo de estimulação aversiva e, em função dela, respostas de contra controle – e os punindo quando não seguiam, gerando ainda mais estimulação aversiva e tentativas de contra controle. Deste modo, instalou-se o círculo vicioso que levou o experimento ao completo caos em menos da metade do tempo que deveria durar. Quem tiver interesse em conhecer o desfecho da estória, pode alugá-lo na locadora mais próxima de casa. Vale a pena.

O filme é baseado no famoso Experimento de Zimbardo e é um excelente material para ilustrar discussões a respeito das consequências da falta de clareza sobre as regras impostas a um grupo de pessoas, efeitos da punição sobre o comportamento, “construção” de líderes grupais, conflito entre valores pessoais/morais e situações adversas, entre outros temas. 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Livros de Paulo Freire Disponíveis para Download

O site Biblioteca da Floresta, editado pelo governo do Acre, disponibiliza o link para leitura online e download de vários livros do famoso Educador e Filósofo brasileiro Paulo Freire, que dedicou sua vida ao estudo da alfabetização e formação da consciência.

Paulo Freire é autor de diversas obras bastante conhecidas
na área da educação.

Clique nos links abaixo para acessar e salvar cada uma das obras disponíveis online:







Aproveitem a leitura e aguardem novas indicações do Comporte-se. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Entrevista de Zilda e Almir Del Prette: Redes Sociais e Habilidades Virtuais

O Blog da Gi [link] divulgou uma entrevista concedida por Almir e Zilda Del Prette à EPTV Comunidade, afiliada da Rede Globo, na qual falam sobre as mudanças ocorridas nas relações interpessoais em decorrência das redes virtuais.

Como são, hoje em dia, as
 relações sociais pela internet?

Além de divulgar a entrevista, a Psicóloga e Analista do Comportamento apresentou também alguns dados estatísticos a respeito das redes sociais no Brasil e por fim, algumas dicas sobre como usá-las de maneira consciente.

O post pode ser acessado  clicando aqui.  Para quem se interessa por Redes Sociais ou Habilidades Sociais, recomendo a leitura. 

sábado, 2 de abril de 2011

Psicoterapia Comportamental em Grupo

Autora: Maria de Fátima Ferreira Barros
Graduanda do Curso de Psicologia da  Universidade Federal do Maranhão


O objetivo do presente artigo é promover uma compreensão acerca da psicoterapia de grupo no modelo analítico comportamental (TAC), discutindo as principais características, atuação do terapeuta na terapia em grupo, o processo terapêutico grupal e a sua importância na qualidade de vida das pessoas. 

terça-feira, 29 de março de 2011

Disponível Online nova edição da revista Psicologia Teoria e Pesquisa

O Portal RedePsi acaba de informar que está disponível online o Nº 1 do Vol. 27 da publicação.  Ele pode ser acessado por meio deste link [clique aqui]. Outros números disponíveis online podem ser acessados por meio deste link [clique aqui]. 


domingo, 27 de março de 2011

Como separar o Joio do Trigo em Psicologia? Blog da UNIVASF dá a dica.

O Blog do Laboratório de Análise Experimental do Comportamento da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco) disponibiliza a tradução do artigo "Como Ser um Consumidor Consciente de Pesquisa Psicológica", originalmente publicado pela Associação Psicológica Americana (APA).

O texto, traduzido pelo Prof. Ms. Ângelo Sampaio, discute alguns fatores que devem ser levados em consideração quando se lê a respeito dos mais novos e revolucionários achados acerca da natureza humana, especialmente quando as fontes são os portais de notícia não especializados (como a Veja, Época, G1, Folha, entre outros).

O texto completo pode ser acessado por meio deste link [clique aqui]. 

Parabéns ao Prof. Ms. Ângelo por ter realizado a tradução do artigo. É um material muito bom e que pode prevenir muitos equívocos por parte dos interessados no assunto (e por incrível que pareça, de estudantes e profissionais da área também). Como diz o próprio texto, "ser capaz de avaliar objetivamente alegações de pesquisas é uma habilidade importante. Separar o joio do trigo científico pode influenciar como você vota, se você adotará uma nova dieta ou se você procurará ajuda profissional para uma criança com dificuldades de aprendizagem" (sic).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Entrevista de Miguel Nicolelis ao Provocações

O Neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis é considerado um dos 20 pesquisadores mais importantes do mundo em sua área. É o primeiro brasileiro e a ter um estudo publicado na Science, a revista científica mais conceituada no mundo. Suas pesquisas representam um grande avanço na busca da reabilitação de pacientes com paralisia e no tratamento do Mal de Parkinson. Ele é fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, um dos mais avançados do mundo nesta área. É referência mundial nos estudos sobre a interface da Neurociência e das Ciências da Computação. Foi capaz de desenvolver um sistema através do qual um macaco localizado nos Estados Unidos moveu um robô de 90 kg localizado no Japão. Foi convidado pelo comitê do Nobel de Medicina para dar uma palestra sobre seu trabalho, sendo o primeiro candidato brasileiro da história a concorrer o prêmio mais importante do mundo em ciências.




Com estas e tantas outras contribuições a Neurociência, Nicolelis não poderia deixar de ser citado aqui no Comporte-se. O site disponibiliza uma entrevista concedida pela autoridade na área ao Canal Livre, entre os temas abordados, ele fala dos seguintes assuntos:

- Influência da Neurociência nas Ciências da Computação;
- Explica porque é que a idéia de que o cérebro é dividido em áreas específicas para cada função vem sendo contestada em vários laboratórios do mundo;
- Explica como foi possível fazer com que um robô do outro lado do mundo fosse controlado por um macaco;
- Explica a idéia de colocar um chip no cérebro de pessoas com paralisia, o qual iria ler os pensamentos desta pessoa e traduzí-los a uma roupa robótica que a ajudaria a se mover;
- Discute a interface entre Neurociência e a pesquisa com Células Tronco

Estes e outros temas são abordados nos 5 vídeos da entrevista concedida pelo Neurocientista ao Canal Livre. Acompanhe abaixo.













A parte 4 desta entrevista pode ser acessada clicando aqui e a parte 5, clicando aqui. 

Divulgue-a. O Neurocientista traz conhecimento de Neurociência em uma linguagem simples e acessível a quem não é da área, e são informações importantes. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Documentário: O Povo Brasileiro, por Darcy Ribeiro

"Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes." (Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, 1995).

No ano de 1995, o antropólogo Darcy Ribeiro publicou o livro O Povo Brasileiro (visualize aqui), no qual aborda a estruturação dos diversos "modos de vida" de nossa nação. Ele fala sobre nossas matrizes: tupí, lusa (portuguesa) e afro (africana), do encontro destas matrizes e da estruturação do modo de vida, costumes e tradições Cabocla, Caipira, Crioulo, Sertaneja e Sulina. Por fim, discute o Brasil atual, como um país rico em diversidade de "modos de vida" e como ele se construiu.




Tamanho o sucesso e excelência do livro, a TV Cultura, a GNT e a Fundar co-produziram um documentário mostrando em vídeo aquilo que o antropólogo mostra em palavras. O documentário conta com a participação de personalidades como Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil e Hermano Vianna, dando depoimentos e discutindo trechos do filme.



Os temas abordados no documentário são: 


1 - A Matiz Tupí (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

2 - A Matriz Lusa (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3). 

3 - A Matriz Afro (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

4 - Encontros e Desencontros (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

5 - O Brasil Crioulo (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

6 - O Brasil Sertanejo (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

7 - O Brasil Caipira (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

8 - O Brasil Sulino (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

9 - O Brasil Caboclo (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

10 - A Invenção do Brasil (Clique para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3)

O documentário completo está disponível no youtube, procurando por O Povo Brasileiro. São 30 vídeos, ao todo, ordenados em 1/30, 2/30... até 30/30. Neste link (clique aqui) você encontra um resumo em texto da obra.

Quem quiser fazer download destes (e de outros) vídeos no youtube, deve baixar o programa VDownloader (clique aqui), copiar o link do vídeo, colocar no espaço reservado a URL do Vídeo, escolher o formato em Formato de Saída (recomendo AVI 640x680) e clicar em Baixar. Caso falhe pelo Vdownloader, tente baixar pelo Converta.com (clique aqui). Neste último programa a busca deve ser feita pelo nome do documentário, como se procurasse diretamente no youtube.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Correlação não é causa. Nem efeito.

Já faz um tempo que quero falar sobre as manchetes de jornal do tipo: "Criança que dorme ao lado da mãe torna-se adulto agressivo"; "comer em frente à televisão provoca esquizofrenia" e diversas outras que criam relações de causa-efeito a partir de dados correlacionais de estudos científicos. Isto é comum em jornais e revistas não científicos, como a Veja, Folha Uol, Portal Terra, entre outros. Mas o fato, é que mesmo esta prática me incomodando, nunca "emergiu a inspiração" (ui!) para que eu escrevesse algo.



Para meu deleite, quando abro meu Twitter hoje, encontro um texto (excelente!) da Ana Arantes discutindo o assunto. O ponto de partida foi a bizarra manchete que anunciava: consumo excessivo de doces pode levar ao crime, indica estudo. 

Em resumo, a Aninha explica que nem sempre que duas coisas acontecem ao mesmo tempo, significa que uma está causando a outra. Isto mostra apenas que, na presença de uma, a outra tem maiores chances de também estar presente. 

Quem quiser ler o post inteiro (recomendo fortemente), clique aqui. Além de ser um assunto importante, é um texto muito bem escrito. 

sábado, 20 de novembro de 2010

Você já parou pra pensar no que motiva a homofobia?

Rodrigo Xavier discute uma das possibilidades em seu texto Por Que as Pessoas Sentem e Praticam a Homofobia? postado no site Psicologia e Ciência neste dia 16 de novembro. 

Seu texto parte de uma cena do seriado americano Glee, na qual Dave, um valentão homofóbico, beija Kurt, um rapaz que era vítima de Bulliyng por ser gay. Xavier usa o conceito de Formação-Reativa, de Freud, que foi operacionalizado pelo Analista do Comportamento Murray Sidman, em seu livro Coerção e Suas Implicações para explicar esse comportamento.



Basicamente, diz-se que a homofobia pode ser fruto de um padrão de resposta contrário aquele que foi punido; no caso, comportamentos que caracterizam interesse por outros homens. Ilustra com a citação de Sidman: “Quando somos fortemente impelidos em direção a uma ação que inevitavelmente trará um choque, uma maneira efetiva de nos impedirmos de fazê-lo é fazer o oposto" (p.182).

O autor cita também uma pesquisa realizada nos EUA que demonstrou que homens homofóbicos se excitam ao assistir filmes de sexo gay, enquanto aqueles que não são homofóbicos se excitam apenas diante de cenas de sexo hétero ou homossexual feminino. 

O texto é ótimo e vale a pena ler inteiro. Clique aqui para ter acesso.

Naturalmente "esconder um desejo secreto por pessoas do mesmo sexo" não é o único motivo que leva alguém a se comportar como homofóbico. Por exemplo, um indivíduo que cresce em meio a um grupo social com regras rígidas de rejeição à homossexualidade provavelmente irá se comportar de maneira hostil com homossexuais.

E você, leitor? Em sua opinião, o pode motivar a homofobia? 

sábado, 13 de novembro de 2010

[Nota] Livro para Download: O Comportamento Verbal - B. F. Skinner

Há alguns dias  digitei "Comportamento Verbal"  no 4shared.com e encontrei o PDF completo do livro O Comportamento Verbal, de B. F. Skinner, e o link para download foi disponibilizado no comportese.com. Mas em consideração à Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998, que versa sobre Direitos Autorais, optei pela remoção do conteúdo.

Gostaria de pedir desculpas aos leitores pelo mal entendido. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Módulos de Terapia Cognitiva para download

Para quem quer conhecer a Terapia Cognitiva, o site do Instituto de Terapia Cognitiva de São Paulo oferece para download um conjunto de 8 módulos introdutórios sobre a abordagem.


Cada módulo aborda um tema em particular, tratando desde conceitos básicos até a aplicação da teoria sobre casos específicos, como transtornos de ansiedade, depressão e dependência química. Os últimos módulos falam da TC para diferentes tipos de pacientes (casais, crianças, famílias, etc).

Apesar de serem apresentados de acordo com uma seqüência lógica-didática, os módulos são independentes entre si, o que favorece buscas ou consultas rápidas para quem quer apenas tirar dúvidas ou relembrar alguns conceitos.



Para acessar o material, clique aqui.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Entrevista com a Dra. Judith Beck

A Dra. Judith  Beck, filha do pai da Teoria Cognitiva, Aaron Beck, concedeu uma entrevista à Revista Brasileira de Terapias Cognitivas há algum tempo atrás, na qual fala a respeito da história e situação da Terapia Cognitiva, além de falar de sí própria e de sua formação. 

Como a Teoria Cognitiva é tema de crescente interesse, e certamente muitos leitores do Comporte-se gostariam de saber mais a respeito, estou publicando aqui também esta entrevista. Tive acesso a ela por meio do Blog Neuropsicologia Aplicada.

Autora da entrevista: Melanie O. Pereira, psiquiatra e formaçao em TC pelo I. Beck de TC e pesquisa.

Dr. Judith Beck, PhD, é a presidente do Instituto Beck de Terapia Cognitiva e Pesquisa, com sede na Filadélfia. É também Professora Adjunta de psicologia em psiquiatria na Universidade da Pensilvania, EUA. 




A Dr. Judith Beck é responsável por três das principais funções do Instituto Beck: educação, atendimento clínico e pesquisa. Atualmente, divide seu tempo em administração, supervisão e ensino, trabalho clínico, desenvolvimento de programas, pesquisas e de escritora. Trabalha como consultora em diversas pesquisas do NIMH (National Institute of Mental Health) e apresenta workshops, nacionais e internacionais, da aplicação da terapia cognitiva nos mais variados transtornos psiquiátricos. 

Ela é autora de diversas publicações, dentre as quais se destacado o livro-texto amplamente utilizado Terapia Cognitiva: teoria e prática já traduzido em 12 diferentes idiomas. Finalmente, cumpre destacar que é sócia fundadora e presidente da Academia de Terapia Cognitiva.

RevistaBTC: Como e quando a Terapia Cognitiva passou a ser uma opção profissional para você?

JudithB: Não iniciei minha carreira profissional como psicóloga, desde criança sempre quis ser professora. Fiz Faculdade de Pedagogia na Universidade da Pensilvânia e me especializei como professora de crianças com dificuldades de aprendizado. Eu adorava trabalhar em sala de aula, mas logo percebi que, caso desejasse fazer algo maior em educação, precisaria de mais treinamento. Iniciei um doutorado na área de educação, mas, no meio do caminho, passei a interessar-me e a estudar também psicologia. A principio, pensava que não seria uma boa terapeuta, por não me parecer tão óbvio como fazer uma terapia em comparação de como sempre fora óbvio para mim, mesmo antes de fazer Pedagogia, como ser uma boa professora. No entanto, iniciando formalmente meus estudos em Terapia Cognitiva, ela me pareceu fazer sentido. Depois de muitos anos, finalmente desenvolvi a mesma capacidade de intuição em psicoterapia que possuía para lecionar. Atualmente ocupo uma boa parte de meu tempo ensinando Terapia Cognitiva.

RBTC: As diferenças e semelhanças de Terapia Cognitiva, Terapia Comportamental e Terapia Cognitivo Comportamental, poderia nos dizer algo sobre isto?

JB: Terapia Cognitiva baseia-se na idéia que pessoas com estresse têm freqüentemente o pensamento distorcido e/ou disfuncional. Este pensamento negativo tem um impacto negativo em seu humor, em seu comportamento e, freqüentemente, em sua fisiologia. As sessões de terapia cognitiva são habitualmente estruturadas e direcionadas para auxiliar o paciente a solucionar seus problemas atuais. Neste contexto, o paciente aprende habilidades de solução de problemas, pensamento e comportamento que ele utiliza não só durante o tratamento, mas também no futuro, para permanecer bem. Uma importante parte do tratamento é auxiliar pacientes a aprender como avaliar a validade e a utilidade de seus pensamentos negativos e como responder a eles de uma forma realista. Os pacientes, quando aprendem a fazer isso, se sentem melhor e tornam-se capazes de comportar-se mais funcionalmente. O tratamento é sensível em relação ao tempo de duração e é freqüentemente mais curto do que outras psicoterapias, devido ao fato de que um dos objetivos principais do tratamento é ensinar os pacientes a serem seus próprios terapeutas. Esta é a razão pela qual a Terapia Cognitiva não só ajuda os pacientes a ficarem melhor, mas também a permanecerem melhores.

A Terapia Comportamental é baseada nos princípios de condicionamento clássico e operante. Ela assume que comportamentos são respostas apreendidas a estímulos e que novas respostas podem ser aprendidas

Terapia Cognitivo Comportamental é um termo abrangente para uma variedade de terapias que utilizam algumas combinações de técnicas cognitivas e comportamentais. A Terapia Cognitiva é, algumas vezes, designada como Terapia Cognitivo-Comportamental, mas o que a difere de outros tipos de terapias Cognitivo-Comportamentais é ter a base no Modelo Cognitivo de que crenças e pensamentos de uma pessoa influenciam suas emoções, ações e sintomas físicos, e que as técnicas específicas que o terapeuta escolhe para usar com cada paciente devem ser individualizadas com base na Conceituação Cognitiva deste paciente (a compreensão do terapeuta, confirmada pelo paciente, de quais são as crenças subjacentes do paciente; os padrões não adaptativos que ele desenvolveu para “lidar” com estas crenças; e os pensamentos, emoções e comportamentos diários que aparecem como resultado destas crenças).

RBTC: Por que a Terapia Cognitiva é mais uma revolução do que uma evolução na área da psicoterapia?

JB: Meu pai, Dr. Aaron Beck, fez formação e trabalhou como psicanalista no início de sua carreira. Neste período, decidiu fazer uma série de experimentos, com os quais esperava validar o conceito de que depressão seria o resultado da hostilidade voltada contra o self. Ao descobrir que sua pesquisa invalidava conceitos psicanalíticos de depressão, decidiu estudar este transtorno psiquiátrico. Descobriu que os sintomas da psicopatologia da depressão podiam ser melhor explicados através do exame dos pensamentos conscientes do paciente, no lugar de tentar trazer a tona (hipotéticos) desejos reprimidos e motivações inconscientes. Ele desenvolveu um tratamento para depressão baseado em auxiliar os pacientes a solucionar seus problemas atuais, mudar seus comportamentos disfuncionais e responder de forma adaptativa a seus pensamentos disfuncionais. Esta ênfase na cognição foi de fato uma revolução em psicoterapia.

RBTC: Para onde está caminhando a Terapia Cognitiva?

JB: A pesquisa em Terapia Cognitiva explodiu na década passada, conforme mencionei acima. Ela irá ampliar-se para um número crescente de transtornos psiquiátricos, mesmo os mais severos, assim como para outros problemas médicos e psicológicos. Formulações cognitivas e tratamentos específicos serão adaptados e refinados. Serão necessárias mais pesquisas para determinar a melhor maneira de treinar serviços e profissionais da saúde mental, supervisores e monitores. A Terapia Cognitiva vem sendo aplicada cada vez mais a diferentes ambientes e transtornos, por exemplo, com pessoas idosas, em asilos, e com crianças, em escolas. Vem sendo adaptada para terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, consultores vocacionais e consultores pastorais.

RBTC: A Terapia Cognitiva e os Transtornos Depressivos: com ou sem o uso concomitante de antidepressivos? Por que?

JB: A Terapia Cognitiva pode ser feita com ou sem o uso concomitante de medicação. Pesquisas mostram que Terapia Cognitiva é tão eficaz quanto medicação para depressão. Uma grande vantagem da Terapia Cognitiva, entretanto, é que ela possui a metade dos índices de recaída dos antidepressivos. Deve-se considerar o uso de antidepressivos quando a depressão é severa, especialmente quando o terapeuta não tem um alto grau de experiência.

RBTC: Existe um grande e crescente interesse em Terapia Cognitiva no mundo inteiro. Como lidar com o desafio do treinamento de profissionais em Terapia Cognitiva e como validá-lo em sua opinião?

JB: Pessoas que participam de treinamento de profissionais em Terapia Cognitiva devem ter competência tanto em conduzir uma terapia como em seu treinamento e sua supervisão. Devem ser membros certificados de organizações, tais como, a Academia de Terapia Cognitiva, que requer aos profissionais que apresentem amostras de seu trabalho como evidência de sua competência. Formadores e supervisores deveriam também participar de cursos avançados de treinamento que são oferecidos pelo Instituto Beck ou pelo Centro de Terapia Cognitiva de Oxford.

RBTC: Seu novo livro, recém-lançado aqui, é sobre Terapia Cognitiva Para Desafios Clínicos.
Seria possível nos dizer como ele “aconteceu” para você ?

JB: Percebi, enquanto estava escrevendo Terapia Cognitiva: Teoria e Prática, que a terapia algumas vezes necessitava ser adaptada para pacientes específicos como, por exemplo, aqueles com transtornos de personalidade. Estes pacientes possuem crenças extremamente negativas sobre si mesmos, seus mundos e outras pessoas, crenças estas que eles trazem para o tratamento. Se um paciente acredita, por exemplo, que “as pessoas vão me machucar”, ele provavelmente irá pensar que seu terapeuta poderá machucá-lo também. Portanto, ele poderá estar hipervigilante em relação a poder ser magoado, ser cuidadoso em relação ao que ele relata ao terapeuta e ter dificuldade de aderir completamente ao tratamento. Terapia Cognitiva para Desafios Clínicos descreve como conceituar pacientes complexos e seus problemas, e como variar o tratamento de maneira adequada.

RBTC: “Terapia Cognitiva é superficial”, escutamos muito isto. Como você responderia a esta afirmação?

JB: Pessoas que se pronunciam desta maneira não leram livros básicos de Terapia Cognitiva, nem participaram de cursos de treinamento de Terapia Cognitiva. Se tivessem participado, saberiam que terapeutas cognitivos trabalham para modificar percepções básicas do indivíduo de si mesmo e dos outros, idéias estas que alguns pacientes desenvolveram na infância. Devem também desconhecer literatura de resultados com Terapia Cognitiva, especialmente estudos relacionados com prevenção de recaída. Como a Terapia Cognitiva obtém resultados mais duradouros que outras psicoterapias, ela deve produzir mudanças profundas. Terapeutas cognitivos trabalham para ajudar pacientes a desenvolverem insights de seus problemas, mas não param por aí. Eles auxiliam seus pacientes a aprender, a partir destes insights, a fazerem mudanças importantes em suas vidas e a desenvolverem habilidades que podem usar dali em diante.

RBTC: Terapia Cognitiva com ou sem manuais, parece ser uma pergunta que terapeutas experientes têm feito atualmente. Poderia nos dizer alguma coisa sobre isto?

JB: Terapeutas cognitivos experientes conceituam cada paciente individualmente e planejam o tratamento, durante e entre sessões, baseados nesta conceituação. Terapeutas menos experientes, que não tenham habilidade em conceituação e planejamento de tratamento, podem beneficiar-se do uso de manuais.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

“Essa tal Felicidade”: em alguns casos, um problema de controle de estímulos


Em uma discussão sobre hipnose, no orkut, me foi indicado este texto sobre a Felicidade, de autoria de  Nicodemos Batista Borges (link original), no qual o autor discute as possíveis variáveis que controlam os relatos de "infelicidade" dos clientes na clínica.

Achei o texto interessante, e sugiro a leitura.


Segundo Houaiss e Villar (2008), o termo “felicidade” refere-se, entre outras coisas, à satisfação, contentamento e bem-estar. Todavia, chegam diariamente aos nossos consultórios pessoas que apresentam como queixa “não ter encontrado a tal da felicidade” e/ou “não sentir felicidade” ― ou variações em que não se utiliza o termo felicidade, mas que se referem a essa sensação ―, e que relatam sentir “angústia”, “tristeza”, “insatisfação com sua vida”, etc.

Os Analistas do Comportamento (Banaco, 1999; Oliveira e Borges, 2007) defendem que uma pessoa procura um psicólogo clínico quando vivencia contingências aversivas ou ausência de reforçadores. Então, seu papel enquanto terapeuta analítico-comportamental é auxiliar o cliente a identificar essas contingências aversivas e modificá-las e/ou desenvolver ― através de modelagem ou modelação ― padrões comportamentais capazes de produzir reforçadores.

Até aqui, tudo vai bem! Contudo, tenho observado ― e aqui me refiro exclusivamente à minha experiência, pois não sei se isso tem acontecido com meus colegas ― que a frequência de clientes que, aos olhos da sociedade, têm vidas “maravilhosas” e me procuram relatando essa mesma queixa tem aumentado significativamente.

Diante dessa situação, enquanto clínico analítico-comportamental, minha atitude é investigar as contingências das quais esse comportamento é função ― o que fazemos, em geral, através de solicitação de relatos sobre o dia-a-dia do cliente e da sua compreensão de sua história. Faço o que chamamos de “Avaliação Funcional”.

O primeiro item mencionado anteriormente, os “relatos sobre o seu dia-a-dia”, tem por objetivos identificar: 1) possíveis situações aversivas; 2) ausência de reforçadores; 3) falta de repertórios; 4)habilidades (repertórios); 5) padrões comportamentais; e 6) possíveis reforçadores. Veja que o terapeuta não se limita a investigar o que há de “errado”, mas levanta também o que “corre bem”. Essa escolha de se averiguarem informações sobre o que dá e o que não dá certo na vida do cliente ― sob a ótica dele (cliente) ― visa facilitar ou ampliar a avaliação funcional do caso, pois nos permite uma maior compreensão da dinâmica de seu funcionamento.

 Para complementarmos a avaliação funcional, levantamos um histórico de vida do cliente, em que importa verificar não só possíveis fatores que contribuíram para o desenvolvimento da queixa, mas também notar como o cliente relata sua própria história, que sem dúvida é uma pista importante sobre possíveis contingências que mantêm a queixa.

Quando nos deparamos com um cliente que apresenta essa queixa de “não se sentir feliz”, a primeira hipótese que levantamos é a de “problemas reais” na vida cotidiana. Estou chamando de “problemas reais” aquelas questões que são rapidamente identificáveis pela sociedade, tal como falta de dinheiro, falta de emprego, falta de estudo, falta de namorado, falta de tempo, etc. Todavia, em muitos casos, o cliente não apresenta nenhum desses problemas; ao contrário, os clientes relatam que amigos e familiares que o circundam não entendem o porquê do sue sofrimento, alegando que ele (cliente) “tem tudo: dinheiro, status, companhia, etc.”

Nesses casos, o terapeuta analítico-comportamental deve investigar o que o cliente nomeia como “felicidade”. Se a resposta for algo do tipo “é um constante estado de prazer”, o terapeuta deverá discutir com o cliente ou propor exercícios que o auxiliem a verificar, em primeiro lugar, se “felicidade” corresponde realmente a “prazer” e, em segundo, se podemos ter essa sensação de forma constante.

Outro significado que o cliente pode dar para “felicidade” é “satisfação”, “contentamento”, “bem-estar”, o que é algo possível de se alcançar. Para aqueles clientes que não apresentam “problemas reais” e que deram esse significado para “felicidade”, o terapeuta poderá, então, levantar a hipótese de que existe um problema no que vou chamar de “resposta de observação”.

Estarei empregando o termo “resposta de observação” para me referir ao comportamento de um sujeito observar (e ficar sob controle de) seu próprio comportamento. Reynolds (1961) fez uma importante contribuição para compreendermos o comportamento humano. Através de um estudo com pombos, verificou que o sujeito não responde ao estímulo como um todo, mas sim age sob controle de uma dimensão do estímulo. Essa descoberta é o ponto de partida para a compreensão do comportamento dessas pessoas que têm vidas “maravilhosas” ou que, pelo menos, não apresentam “problemas reais” aos olhos da sociedade, mas que vêm aos nossos consultórios com queixas de que “não encontram a tal felicidade”.

Em muitos desses casos, o que tenho observado é que esses clientes apresentam problemas no que chamei de “resposta de observação”, ou seja, eles atentam para apenas parte dos eventos de sua vida em geral: exatamente para aqueles em que cometem “erros”, ou para aquelas coisas a que não têm acesso.

Se compararmos o estudo de Reynolds (1961) às dimensões da vida (estímulo) desses clientes, o que controla seus comportamentos de queixarem-se de si ou de suas vidas são exatamente esses “fracassos” ou “não realizações”. Contudo, existem muitas outras dimensões da vida que estão sendo “descartadas” no comportamento de auto-observação de seus próprios comportamentos ou de sua vida e, nesses casos, esse comportamento de auto-observação deve ser um dos focos da intervenção.

Portanto, o terapeuta analítico-comportamental deverá identificar, através da avaliação funcional, se ocorre esse padrão do cliente de observar ou avaliar seus comportamentos ou sua vida com pesos diferentes. Em casos afirmativos, a intervenção deverá ter como objetivo tornar a “resposta de observação” do cliente sensível às demais dimensões desses estímulos (sua vida ou seus comportamentos). A resposta de observação adequada é aquela que observa e avalia todos os comportamentos do indivíduo e não apenas parte deles. Um exemplo de intervenção possível nesses casos é pedir para que o cliente relate e/ou registre todos os momentos do seu dia; a partir daí, o terapeuta irá discutindo com o cliente cada um deles, podendo qualificá-los como: “conquistas”, “capacidades”, “realizações”, “fracassos”, “incapacidades”, “não realizações”, etc. A repetição desse exercício deve ser feita até que o cliente seja capaz de identificar e avaliar, com os mesmos critérios, todos os eventos de seu dia-a-dia, sendo eles “bons” ou “ruins”.

A intervenção, sobre a “resposta de observação” ajustará a “percepção” do cliente à sua “vida real”, além de permitir que ele experimente “essa tal felicidade”.


Considerações Finais 

O terapeuta analítico-comportamental, através da avaliação funcional, identifica quais são as contingências que mantêm o comportamento-problema apresentado pelo cliente.

No caso de queixas relacionadas à insatisfação com a vida ou consigo mesmo, levantamos aqui pelo menos três hipóteses que devem ser avaliadas: 1) “problemas reais”, quando os problemas existem e o cliente vem para que o auxiliemos na resolução deles; 2) problema na ideação, em que o cliente acredita que é possível viver um estado constante de felicidade (prazer); e 3) “respostas de observação”, em que o cliente atenta apenas para uma parte de sua vida ou se utiliza de critérios diferentes para avaliar seus sucessos e fracassos.
Na primeira hipótese, a avaliação deverá determinar se o problema é de déficit de repertório, excessos comportamentais, problemas nas contingências, etc. Nada muito diferente do que o analista do comportamento está acostumado a lidar.

As duas outras hipóteses (segunda e terceira) tratam de análises que devem considerar não apenas variáveis ambientais externas e presentes, mas também contingências sutis, como histórico de compreensão (história de vida) em relação ao termo “felicidade” e dimensões do estímulo que controlam o responder, respectivamente. Essas sutilezas são muitas vezes negligenciadas por analistas do comportamento pouco experientes.

A segunda hipótese exigirá que o terapeuta intervenha visando facilitar a discriminação do fluxo normal da vida, a qual apresenta pequenos desequilíbrios, seja por oscilações no responder, seja por oscilações nas contingências ― principalmente se pensarmos nas Operações Estabelecedoras ―, o que naturalmente gera uma constante mudança nas nossas sensações, inclusive às relacionadas à satisfação.

Já, na terceira hipótese, naqueles casos em que o que o cliente observa é apenas parte do que ele faz, o terapeuta deverá utilizar um procedimento para gerar correspondência entre o fazer e o observar seu fazer, que consiste de ensinar o cliente a observar, avaliar e considerar com os mesmos critérios todos os seus comportamentos e as dimensões de sua vida.

Através da resolução desses comportamentos-problema é possível que o cliente consiga vivenciar essa tal da “felicidade”.


Referências

Banaco, R. A. (1999). Técnicas cognitivo-comportamentais e Análise Funcional. Em: R. R. Kerbauy e R. C. Wielenska (Orgs.). Sobre Comportamento e Cognição: psicologia comportamental e cognitiva da reflexão teórica à diversidade na aplicação, Vol. 4 (pp. 75-84). Santo André: ESETec.

Houaiss, A. e Villar, M. S. (2008). Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 3 ed. Rio de Janeiro: Objetiva.

Oliveira, D. L. e Borges, N. B. (2007). O ambiente natural como fonte de dados para a avaliação inicial e a avaliação de resultados: suplantando o relato verbal. Em: D. R. Zamignani, R. Kovac e J. S. Vermes (Orgs.). A Clínica de Portas Abertas: experiências e fundamentação do acompanhamento terapêutico e da prática clínica em ambiente extraconsultório. (77-100). Santo André: ESETec.

Reynolds, G. S. (1961). Attention in the pigeon. Journal of Experimental Analysis of Behavior, 4, 203-208.


Sobre o autor

Nicodemos Batista Borges é psicólogo, Mestre em Análise do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, professor do curso de psicologia da Universidade São Judas Tadeu - USJT e do curso de Especialização em Terapia Analítico-Comportamental do PARADIGMA - Núcleo de Análise do Comportamento.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O que é clima organizacional? [Por Helder Gusso]

O Psicólogo Helder Gusso (link) realizou uma postagem na qual discute o conceito de Clima Organizacional por uma perspectiva Analitico-Comportamental. Como é um texto bastante interessante, resolví postá-lo aqui.




Clima” é um conceito do campo da Geografia. Se o céu estiver escuro e trovoando, dificilmente você esquecerá o seu guarda-chuva…  O termo clima em Geografia é utilizado para designar um “tempo metereológico médio”, em que fenômenos na atmosfera da Terra ocorrem.

Esse conceito foi incorporado à Administração para se referir a parte de um processo comportamental nas organizações. Esse conceito se refere à percepção das pessoas sobre a empresa, suas condições de trabalho e satisfação para trabalhar. A forma como as pessoas percebem o ambiente organizacional é o que define o clima de uma empresa. Vale destacar que “clima organizacional” é uma forma metafórica de se referir ao conjunto de percepções dos colaboradores sobre as múltiplas variáveis que intereferem sobre seus trabalhos.

Um aspecto importante sobre esse conceito é que quando falamos em “clima organizacional” não falamos do que de fato acontece na empresa. O que é examinado é apenas o relato verbal das pessoas sobre o que acontece. Isso, por vezes, pode não corresponder aos fatos concretos ou, ainda, pode nada nos falar sobre aquilo que de fato é importante para se compreender a dinâmica de uma organização.

Uma pesquisa de “clima organizacional” pode ser um meio para se iniciar um processo de caracterização das condições de trabalho em uma empresa, mas não podem constituir um “diagnóstico” preciso do que de fato ocorre. Essas pesquisas podem ser um bom começo, mas são pouco para revelar informações que possibilitem intervenções precisas e eficazes para aperfeiçoar as condições de tabalho.

Confira algumas das variáveis que constituem o “clima de uma empresa” na organização de variáveis que fiz a partir de algumas obras sobre o tema.
Variáveis mensuradas em pesquisas de “Clima Organizacional” (Gusso, 2010):

1. Dados demográficos
a.Pessoais.
b. Profissionais (expectativas, objetivos, etc.)

2. Visão geral sobre a organização
a. Conhecimentos e percepções sobre a missão, valores, estratégias e metas organizacionais.
b. Conhecimentos e percepções sobre a estrutura e dinâmica organizacional.
c. Conhecimentos e percepções sobre a cultura da organização.
d. Imagem interna e externa da empresa.
e. Percepções e satisfação com as condições de trabalho
f. Percepções e satisfação com o ambiente físico da empresa

3. Relação com as lideranças
a. Conhecimento e percepção sobre as lideranças (alta direção, gerentes etc.).
b. Satisfação com o relacionamento e decisões das lideranças.
c. Percepções e sentimentos em relação ao desempenho do chefe imediato
d. Percepções e satisfação em relação ao estilo do chefe imediato

4. Relação com o trabalho e com os colegas
a. Percepções e satisfação com o trabalho (realização profissional, sentido, relevância e desempenho).
b. Percepções e satisfação na relação com os colegas.
c. Percepções e satisfação em relação ao ambiente de trabalho.
d. Percepções e satisfação em relação a comunicação organizacional
e. Percepções e satisfação em relação às políticas de RH e benefícios.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Simpósio sobre crack - tirando dúvidas e quebrando preconceitos.

A Associação Brasileira de Psiquiatria disponibilizou neste dia 16 o vídeo do XVIII Simpósio do Instituto Bairral de Psiquiatria, realizado em Itabira, São Paulo.

No simpósio, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira fala sobre o crack, além de responder uma série de perguntas dos ouvintes sobre esta droga que, conforme notícia publicada no site redepsi, tem atingido cerca de 1,2 milhões de brasileiros.

O vídeo pode ser acessado clicando na imagem abaixo.




Foram divulgados também os slides usados pelo psiquiatra na apresentação. Para ter acesso clique aqui.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Equipe psicologia e ciência divulga material para orientação de pais

O Doutorando pela USP Robson Faggiani está desenvolvendo, como parte de seu projeto de doutorado, um tutorial sobre o método ABA para pais de crianças com diagnóstico de autismo. 

É de fácil manuseio, e a linguagem é bastante acessível. Quem quiser te acesso clique aqui.

Eu desenvolví uma pequena cartilha com algumas dicas para os pais sobre como podem contribuir para que o filho aprenda a gostar de estudar. São coisas simples, mas que demonstram bons resultados. 

A linguagem também é bem acessível, e foi escrito para quem nunca teve contato com alguma linha de pensamento da Psicologia. Quem quiser ter acesso, clique aqui.