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terça-feira, 24 de abril de 2012

O Terapeuta de Casal trabalha para manter os casais juntos?

Um mito muito comum em relação às terapias individuais é o de que quem faz terapia termina o relacionamento. Isto leva, muitas vezes, os parceiros a ficarem preocupados quando o outro conta que está fazendo ou pretende fazer análise.

Possivelmente, esta ideia relaciona-se ao fato de que aquele que vivencia um processo de análise está num continuum de autoconhecimento, o que geralmente é acompanhado de mudanças, novos padrões comportamentais. Não se pode negar que, muitas vezes, isso culmine no término do relacionamento, naqueles casos em que a pessoa identifica que o relacionamento está produzindo mais ônus que bônus (aversivos que apetitivos). Mas, em outros muitos casos, a análise produz o fortalecimento da relação, ao se identificar que a balança pesa mais do outro lado, aumentando a importância do companheiro ou companheira.

Costumo dizer que não devemos ter medo de nossos parceiros ou parceiras fazerem terapia, pois, se eu me comporto como um bom companheiro – é importante deixar claro que não basta eu acreditar que sou “bacana”, tenho que de fato agir assim –, ele ou ela irá identificar e valorizar ainda mais nossa relação.

Outro mito — e esse sim é o foco principal deste artigo — é o de que terapeutas de casal trabalham para manter o casal junto.

Assim como a primeira, esta também se trata de uma ideia deturpada da atuação do terapeuta. O que o analista do comportamento que trabalha com casal deve fazer é auxiliar o casal na análise do relacionamento, o que poderá conduzir ambos para uma relação melhor se continuarem juntos, ou desembocar no término da relação em casos de incompatibilidades .

Posso imaginar que alguns leitores ficaram tristes agora, pois, ao falar que resolver problemas do relacionamento não necessariamente é manter a relação, posso ter derrubado o castelo (de areia), o sonho, de alguns. Para estes, não direi para não ficarem tristes, até porque sei que isso não resolve; direi que ficar triste é uma condição humana tanto quanto ficar feliz, e que vivenciaremos estas emoções muitas vezes — isso também é viver. No mais, penso que ajudo ao colocá-los no chão firme, dando-lhes alicerces. Melhor que viver num castelo de areia (fantasia) é viver numa casinha simples e firme, pois esta dará tranquilidade, alegria (e, por que não, conforto) por muito mais tempo do que o castelo que se desfará na primeira ventania.

Voltando à terapia com casais, o caminho percorrido visa proporcionar a cada integrante do casal qualidade de vida, o que, em alguns casos, significará permanecerem juntos (com algumas modificações na forma de interagirem um com o outro) e, em outros, seguirem rumos diferentes. Em outras palavras, trabalhamos para que cada uma das partes consiga construir o maior número de apetitivos e/ou o menor número de aversivos possível, o que poderá refletir em uma vida com mais bônus que ônus, com momentos de felicidade mais duradouros que os de tristeza, que se tenha mais segurança que insegurança, etc. A decisão de ficarem juntos ou seguirem caminhos diferentes é de cada um e de ambos, ou seja, (1) cada um tem que escolher estar junto, mas para que a união continue é preciso, também, que (2) os dois tenham decidido a mesma coisa; caso uma destas condições não seja atendida teremos a separação. Se um dos membros do casal decidir pelo término, aquela relação afetiva torna-se impossível, e a outra parte terá que aceitar esta contingência, mesmo que sua escolha seja a manutenção da relação, pois esta relação só é possível com ambas as partes.

Daí algum leitor pode me perguntar: o que acontece nestes casos em que um decide por encerrar o relacionamento afetivo? A análise começará a se direcionar para auxiliarmos a pessoa, que havia decidido pela manutenção da relação, a analisar se esta é uma possibilidade viável, trabalhando a aceitação e, ao mesmo tempo, focando-se no desenvolvimento de repertórios que possam levá-la ao seu melhor mundo, sendo este traduzido pelas melhores condições de vida possível dentro das contingências que lhe são acessíveis.

Esta direção, é claro, só é dada caso verifique-se que não há mais contingências que sustentem a relação. Ou seja, todas as possibilidades de manejo de contingências pela manutenção já foram analisadas e uma das partes (quando não ambas) decide pelo término da relação afetiva.

Todavia, num primeiro momento, o que se espera quando um casal procura o clínico analítico-comportamental é que eles estejam engajados na manutenção da relação. Até porque este é um caminho de trabalho mais fácil (ou, menos difícil).

Assim, as terapias individual e/ou de casal não visam levar as pessoas ao término de seus relacionamentos, bem como à sua manutenção; o foco é o estabelecimento da qualidade de vida das pessoas. Em outras palavras, promover autoconhecimento que permita às pessoas manejarem as contingências ambientais da melhor maneira possível para que elas tenham, numa perspectiva global de suas vidas, maior acesso a apetitivos e/ou menor exposição a aversivos. Feliz ou infelizmente, este é o papel do terapeuta de casal.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Terapia de Casal: quando recomendar?


Quando devemos recomendar terapia de casal para alguém?

A psicoterapia ainda é uma prática muito pouco difundida, e se verifica com frequência que o leigo tem dificuldade de saber quando buscá-la ou não. Ao falarmos de terapia de casal, penso que as dúvidas são ainda maiores, e que há diferenças entre essas práticas que sugerem recomendações diferentes para cada uma delas (terapia individual e terapia de casal). Para apresentar minha opinião a este respeito, percorrerei um caminho um pouco tortuoso, mas penso que ilustrativo.

Começo perguntando ao leitor: por que algumas práticas saudáveis não fazem parte de nossa rotina? 


Nós, diariamente, dormimos, alimentamo-nos, tomamos banho e, na maioria dos dias, trabalhamos. Todos estes comportamentos são (guardadas as proporções adequadas) saudáveis para nós. Por outro lado, há uma série de outras coisas que são importantíssimas para nosso equilíbrio físico e emocional e para as quais damos pouca ou nenhuma atenção, como exercícios físicos, encontrar amigos, sairmos para nos divertir e nos conhecermos.

Todas as atividades acima deveriam fazer parte de nossa rotina, pois elas contribuem para nosso bem-estar global. Eu poderia listar os benefícios que cada uma delas podem nos trazer, mas isto faria com que este artigo ficasse extenso e, por não se tratar de nosso objetivo principal, correria um risco desnecessário (do leitor abandonar a leitura antes do final). Então, vou me ater apenas à última delas, nos conhecermos.

A terapia é um recurso desenvolvido para nos auxiliar na compreensão e modificação (quando necessária) de nosso modus operandi. Ou seja, é um processo pelo qual aprendemos a identificar como se estabelecem e o que mantém nossos comportamentos, nossas relações (sejam no contexto pessoal, afetivo, profissional, social, etc.). Através deste autoconhecimento, estaremos mais preparados a modificá-los quando verificarmos que a maneira como estamos vivenciando-os está nos trazendo sofrimento ou que sendo eles modificados poderemos obter ganhos no que se refere a “benefícios emocionais”. Assim, podemos caracterizar a terapia como um recurso desenvolvido para nos auxiliar a manter nosso equilíbrio emocional. 

Estes benefícios que a terapia pode proporcionar para o indivíduo podem se destinar ao seu bem-estar global, ou se direcionar a algum aspecto de sua vida. No primeiro caso, estamos falando da terapia individual, quando o cliente e seu analista/terapeuta trabalharão em diferentes frentes, tais como relacionamentos profissionais, familiares, pessoais, amorosos, etc., em busca de um equilíbrio emocional global, sendo esta altamente recomendável por mim, com praticamente nenhuma contraindicação. 


No caso de um trabalho “mais focado”, elege-se qual aspecto será alvo do trabalho. Como o próprio termo “focado” sugere, não se trata de algo para o bem-estar global, mas sim específico. Neste caso, sua recomendação também deve ser mais específica.

Se retomarmos a questão inicial — que é: quando se justifica uma terapia de casal? —, diria que uma terapia de casal se justifica em casos em que há grande sofrimento para manter a relação por ambos, ou a comunicação entre o casal não ocorre, ou ainda há o desejo de um dos membros de reformular a relação e a dificuldade pela outra parte de aceitar a mudança, entre outras possibilidades. Resumindo, a princípio, a terapia de casal é recomendável em casos que pelo menos um integrante do casal apresente sofrimento em decorrência das experiências vividas naquela relação. 

Porém, diferentemente da terapia individual, a qual acredito poder ser recorrida quase que sem restrições, não recomendaria a terapia de casal a todos os casos. Uma situação que eu a contraindicaria seria quando o problema que gera sofrimento a um dos membros do casal é o mesmo que ele vivencia em outros aspectos de sua vida e, ao mesmo tempo, o outro membro do casal não vê nenhum problema na relação. Por exemplo, uma das partes relata ter medo de ser abandonada pela outra, mesmo não se verificando indícios que isso está prestes a ocorrer – ao contrário, a outra parte reafirma que está satisfeita com a relação –; e, medo de perder o emprego, os amigos, etc. Neste caso, minha sugestão seria que este indivíduo buscasse se engajar em uma terapia individual, pois seria mais proveitoso para ele do que a terapia de casal.

Resumindo, a terapia de casal deve ser indicada mais em casos que há problemas específicos na relação afetiva e que dizem respeito aos membros do casal. Neste caso, difere da terapia individual, que, como defendi mais no início deste artigo, é altamente recomendada ainda que puramente como forma de autoconhecimento, independentemente da existência ou não de problemas imediatos.


Sugestão de leitura: 

Borges, N. B., & Cassas, F. A. (2012). Clínica Analítico-Comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: Artmed.

Delitti, M., & Derdyk, P. (2008). Terapia Analítico-Comportamental em Grupo. Santo André: ESETec.

Yalom, I. D. (2006). Psicoterapia de Grupo: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ciúme: palavras sobre o inato e o aprendido

Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões, e fazem com que as suspeitas pareçam verdades" (Miguel Cervantes, 1547-1616).


Na manhã de hoje (10 de outubro de 2011), tirei um tempinho para ler algo a respeito do ciúme. Por sorte, ao lançar o termo no Google Acadêmico, topei com o artigo "Contribuições da Psicologia Evolutiva e da Análise do Comportamento acerca do Ciúme" da analista do comportamento Nazaré Costa. Sorte porque, em primeiro lugar, eu gostaria de conhecer um pouco da leitura analítico-comportamental sobre o tema e, em segundo lugar, porque tenho tido interesse em trabalhos que contemplam atributos filogenéticos do comportamento.(1) Pretendo, com este texto, trazer os principais pontos dessas duas abordagens e esboçar um possível e desejável link entre seus respectivos níveis de análise.


O ciúme


No início do seu trabalho, Costa (2005) comenta sobre o aspecto universal do ciúme: toda sociedade, atual ou remota, é ou foi expressivamente marcada por esse padrão comportamental. Estamos tratando, portanto, de um traço cultural. Desse fato incorre, entre outras coisas, o grande número de pessoas que procuram ajuda psicoterápica para controlar o ciúme, que pode ser excessivo e danoso, e uma parcela considerável de homicídios (em torno de 20%) que envolvem essa classe comportamental. Mas a diferença e a convergência de explicações para o ciúme entre disciplinas, sobretudo entre a análise do comportamento e a psicologia evolucionista, consistem no problema elementar a ser abordado pela autora.

Analisando uma vasta e diversificada literatura, Costa conclui que o ciúme é geralmente entendido como
uma emoção (desprazer [...] apreensão) que é desencadeada por uma situação de ameaça, seja ela real ou não, de perder uma relação ou posição em um relacionamento afetivo, sendo importante ainda destacar que tal emoção tende a "motivar" comportamentos que possam lidar com essa ameaça [...]

Numa tentativa de diferenciar os aspectos "normal" e "patológico" do ciúme, a autora recorre a Pines (1992): "enquanto o ciúme normal ocorre em função de uma ameaça real, o ciúme patológico persiste a despeito da ausência de qualquer ameaça real ou provável". O ciúme patológico seria marcado por um sofrimento exacerbado acompanhado de comportamentos como verificação (de telefonemas, mensagens e e-mails do parceiro, por exemplo), perseguição e inquérito frequentes (indagação sobre onde, por que e com quem o parceiro está/esteve). Em um texto escrito recentemente, meu colega Marcelo Souza falou sobre a Síndrome de Otelo, que é caracterizada por esses e outros comportamentos funcionalmente similares.

Com esse pano de fundo, Costa comenta que o ciúme é um "evento privado [um sentimento] capaz de controlar eventos públicos". Entre as reações fisiológicas que caracterizam esse evento, ou as respostas reflexas, estão o aperto no peito, a sensação de nó na garganta e/ou a sensação de perda de controle. Sentimentos típicos, imediatos ou tardios, são a tristeza, a raiva, a angústia, a ansiedade, a mágoa e a rejeição. Supõe-se, ademais, que o "ciumento aprendeu a sentir [tais sensações] e a emitir determinados comportamentos públicos". "Aprender a sentir" significa, em poucas palavras, que a ocorrência de um evento privado, como a angústia ou a raiva, pode ser condicionado ou emparelhado a um evento ambiental específico. Se, por exemplo, Júlia descobriu que Anselmo a traiu quando, para visitar seu avô, viajou para Belém, sensações privadas desagradáveis poderão surgir sempre que Paulo, seu atual namorado, precisar viajar a negócios (fenômeno denominado generalização respondente). A situação seria assaz mais complicada caso Paulo voasse acompanhado de Cecília, sua esbelta colega de trabalho. Mas a origem dessas sensações, ou ao menos seus aspectos rudimentares, provavelmente remonta a experiências tenras do ciumento, como quando teve de aprender a dividir a atenção da mãe com o pai ou dos pais com um irmão recém-nascido. O fato é: não entramos na adolescência ou na fase adulta sem que tenhamos passado por situações de apego anteriormente, e o que sentimos e, a propósito, o que fazemos para lidar com esses sentimentos são respostas gradativamente modificadas -- da infância à velhice.

Comportamentos públicos, entre os quais a verificação, a perseguição e o inquérito, são aprendidos e mantidos em função de suas consequências. A expressão de insegurança, por exemplo, pode ser mantida por declarações atenuantes como "Eu só tenho olhos para você" e "Eu não trocaria você por ninguém" e por gestos como beijos, abraços, presentes e sexo. Condutas imponentes, coercitivas, como quando o ciumento exclama "Não quero que você saia com suas amigas!", podem ser reforçadas (ter sua frequência aumentada) à medida que são aceitas sem resistência. Em quaisquer dessas ocasiões, o ciumento aprenderia que suas dúvidas e incômodos podem ser resolvidos à medida que os expressa, assertiva ou agressivamente. Segundo Menezes e Castro (2001), por ser reforçado (negativa e positivamente) por esquema intermitente, a extinção do ciúme leva tempo para ocorrer.

As formas de sentir e de lidar com o ciúme são aprendidas, e portanto podem ser modificadas.


De volta à savana

Tendo traçado um panorama dos prováveis processos de aprendizagem relacionados ao ciúme, Nazaré comenta que "evolucionistas e analistas do comportamento compartilham a concepção segundo a qual o ciúme consiste numa emoção filogeneticamente determinada". Como uma resposta adaptativa da espécie, o ciúme teria surgido "para solucionar um problema recorrente de sobrevivência e reprodução: a ameaça real da traição" (Buss, 2000). Nesse sentido, o ciúme seria um produto de contingências de sobrevivência que conferiu vantagens reprodutivas àqueles que o manifestaram. Para os homens, o ciúme os protegeria, por exemplo, contra os riscos de investir tempo e energia no cuidado de filhos que não são seus. Para as mulheres, o ciúme afastaria a possibilidade de uma rival retirar a segurança emocional (e material, devo acrescentar) para com ela e filhos. Fisher (1995), em síntese, assume que "o ciúme ajuda a restringir a prevaricação [perversão, traição] das mulheres e o abandono por parte dos homens". Com efeito, indivíduos com esses traços comportamentais teriam tido vantagens reprodutivas (gerariam mais descendentes) e, gradativamente, o grupo dos assaz relaxados teria minguado.

Em seu livro Compreender o Behaviorismo (2006),(2) William Baum sublinha que "a maior parte dos genes que um indivíduo herda foi selecionada ao longo de muitas gerações porque promovem comportamentos que contribuem para o sucesso na interação com o ambiente e na reprodução" (p. 73). Ao largo da doutrina da tábula rasa, às vezes erroneamente associada ao behaviorismo radical, Baum comenta que não poderíamos "aprender todos padrões [comportamentais] complexos que aprendemos sem uma elaborada base de tendências previamente incorporadas" (p. 78). Há centenas de milhares de anos atrás, nossos ancestrais do sexo masculino não contavam com exames de ADN que os assegurassem que estavam captando recursos para e defendendo, com unhas e dentes, seus próprios filhos. Contra a tragédia de multiplicar genes de seus rivais, a seleção natural os contemplou com certa dose de ciúme. Essa sensação, ou esse misto de sensações, passaria a controlar certas classes de respostas verbais (como gritos e expressões de fúria) e físicas, quer fosse contra a fêmea (de forma a reprimir seus comportamentos promíscuos), quer fosse contra os machos, que a cortejavam ou aparentemente pretendiam fazê-lo.

Essas disposições inatas são algo como um repertório comportamental básico modelado pelas contingências de sobrevivência. O elenco desse repertório, denominado padrões fixos de resposta, fazem com que os indivíduos comportem-se de forma adaptativa sem que tenham anteriormente passado por processos complexos de aprendizagem. Conforme ilustra e explica Baum (Ibidem):

Quando passa a sombra de um falcão em vôo, o filhote de codorna se encolhe como se estivesse paralisado. Se essa reação dependesse de experiência, poucos filhotes de codorna sobreviveriam para se reproduzir [...] genótipos que exigissem que tais padrões fossem aprendidos a partir do zero seriam menos aptos do que genótipos que já trouxessem a forma básica incorporada (pp. 77-78).

Baum pontua que os padrões fixos de resposta não são rígidos, inflexíveis, podendo ser modulados pelas consequências. Daí que, a partir das interações que fazemos com nossos pares ao longo da vida, quer seja com pais e irmãos, como enfatizam os psicanalistas, quer seja com namorados e cônjuges, dá-se a possibilidade de ser regulados, a partir das consequências, os traços que herdamos dos nossos ancestrais. E é nesse escopo, o ontogenético, que os analistas do comportamento são peritos e podem atuar de forma a ajudar o ciumento -- e o seu parceiro, é claro.


Mais algumas palavras

Mais do que discorrer exaustivamente sobre o ciúme, tive como objetivo central neste texto divulgar a ideia de que é possível, simples e desejável fazer com que a análise do comportamento dialogue com disciplinas evolucionistas. O arsenal de comportamentos possíveis de um organismo é não só limitado pelas condições ambientais que o entornam (e o entornaram), mas também pelas disposições que lhe são geneticamente concedidas por seus progenitores. Se homens e mulheres, por exemplo, manifestam padrões comportamentais distintos, como patentemente ocorre no campo das relações interpessoais, parte disso certamente decorre de diferenças genéticas. Embora a cultura, através da mídia ou da vizinhança, possa estabelecer regras e incentivar ou reprimir certas condutas, não podemos fechar os olhos para as prováveis influências genéticas sobre o estabelecimento desses padrões. O ciúme, o tabu do incesto e o casamento são exemplos de universais humanos, sendo improvável que tenham, em cada esquina do planeta, brotado do acaso ou sido inspirados por Deus. Se quisermos compreender as raízes do comportamento humano, devemos cavar para além da primeira infância. E, se quisermos acompanhar o avanço da ciência contemporânea e ser reconhecidos e apoiados por membros de outras disciplinas, devemos direcionar nossos ouvidos a Darwin, tomado por alguns como o avô do behaviorismo radical.

Sobre o ciúme, espero que tenha ficado claro que, embora seja natural (no sentido de ser comum e até mesmo esperado em uma relação romântica), pode passar da conta e fazer com que os laços se afrouxem ou rompam. Diante disso, tanto o ciumento como o seu parceiro podem procurar, individualmente ou em casal, ajuda profissional.



Notas e referências:


(1) Os behavioristas são eventualmente criticados, sobretudo pelos cognitivistas, sobre uma suposta ignorância ou descaso acerca dos aspectos filogenéticos do comportamento.

(2) Estou, neste momento, extrapolando a leitura que fiz do artigo em questão.

Baum, W. M. (2006). Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. Porto Alegre: Artmed.

Buss, M.D. (2000). A paixão perigosa. RiodeJaneiro: Objetiva.

Costa, N. (2005). Contribuições da psicologia evolutiva e da análise do comportamento acerca do ciúme. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. Vol. VII, número 1, 5-513.

Fisher, H. E. (1995). Eros: a emergência das emoções sexuais. Em Fischer, H. E. A anatomia do amor: a história natural da monogamia, do adultério e do divórcio. Rio Grande do Sul: Eureka.

Menezes, A., & Castro, F. (2001). O ciúme romântico: uma abordagem analítico-comportamental. Trabalho apresentado no X Encontro Brasileiro de Medicina e Terapia Comportamental (Campinas,SãoPaulo).

Pines, A. M. (1992). Romantic jealousy theshadowof love. Psychology Today, 25(2), 48-55.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sindrome de Otélo - O Cíume Patológico

Otelo, o mouro de Veneza, é personagem principal do romance do famoso britânico Willian Shakespeare, que conta a história de um homem que ama demais a esposa e que, convencido de sua infidelidade, acaba a matando para logo após descobrir a inocência dela.

O conto de Shakespeare traça muitos paralelos com a nossa vida cotidiana. Nenhum relacionamento está livre das desconfianças e das tentações que o mundo oferece, ainda mais nos dias de hoje em que o apelo sexual está em cada esquina. Porem existe pessoas que passam dos limites nas desconfianças e qualquer indicio, por mais absurdo que seja, é uma prova cabal da traição do parceiro.

De fato, não são todos os relacionamentos que terminam em morte como o caso de Otelo, mas o crime passional tem aumentado; vemos na TV vários casos de assassinatos ligados a términos de relacionamentos e traições.

Vamos falar um pouco do ciúme patológico, algo que movimenta grande parte dos casos de procura por terapia.

O ciúme patológico é definido como a persistente ideia de que o parceiro(a) possui outros relacionamentos, não importando qual seja a realidade da relação amorosa, pois a sensação é que a relação afetiva está em constante ataque por parte de outras pessoas. Nesse sentido, a pessoa com ciúme patológico interpreta tudo no ambiente como uma prova da infidelidade do parceiro, já que a todo o momento o sentimento é de que o relacionamento corre perigo.

Dizem que o ciúme é algo natural e esperado de qualquer relacionamento, afinal, quem gosta cuida e quer proteger o relacionamento e a pessoa amada. 

Não existe uma escala que nos diz quando o ciúme passa de “normal” para patológico, mas podemos perceber que o ciúme patológico causa intenso sofrimento para o ciumento e para o parceiro, que precisa se submeter a questionários, brigas, controles de todas as formas e, em alguns casos, pode ter sua integridade física ameaçada.

A Síndrome de Otelo é diagnosticada quando existem sintomas e sinais específicos e em conjunto. Podemos dizer que as principais características dessa síndrome incluem: ter o controle da pessoa amada, checar contas de telefone, ler e-mails particulares, vasculhar bolsos, agendas, contas de cartão de crédito, contratar detetives, seguir a pessoa, dar fonemas constantes, implicar com roupas que o outro usa, implicar com amigos(as) e até mesmo parentes, não permitir que o parceiro saia desacompanhado, entre outros.

É importante ressaltar que a pessoa que sofre do ciúme patológico fundamenta suas ações em distorções e falsas interpretações da realidade. Quando o ciúme ameaça a integridade do relacionamento e qualquer estímulo é interpretado como uma prova de traição, por mais irracional e absurdo que sejam os argumentos usados pelo ciumento, então é preciso ficar atento.

Quando existe agressão física e ameaças de diversas ordens, o relacionamento não tem mais chances de se tornar saudável sem a ajuda profissional de um terapeuta treinado para tal.

Quem se envolve com um ciumento patológico vive em constante ameaça, cobranças, brigas e precisa se justificar de tudo que faz a todo o momento. É um tipo de relacionamento penoso e desgastante, e transtornos de ansiedade e depressão costumam se instalar na vítima do ciumento.

A vítima perde a identidade e a paz e, como no caso de Eloá Pimentel, que foi mantida como refém por 68 horas por Lindenberg Alves em 2008, pode também perder a vida.

As terapias de abordagem comportamental (Analise do Comportamento) e Cognitivo Comportamental (TCC) são as mais indicadas para o tratamento desse tipo de caso, possuindo estudos e pesquisas de alto grau de evidência científica, atestando que de fato funcionam.

O ciúme patológico ou Síndrome de Otelo é um problema que existe há séculos e que afeta milhões de pessoas no mundo todo, sendo contudo um problema tratável e com grandes possibilidades de melhora quando realizado por um profissional qualificado e devidamente treinado.

Aguardem os próximos textos sobre o tema.

domingo, 6 de março de 2011

Qualidade da Vida Conjugal. Parte 1.

Grande parte dos clientes que buscam a terapia queixam-se de problemas relacionados direta ou indiretamente com sua vida conjugal. Algumas vezes de fato a relação não vai bem. Mas em outras, o queixar-se é um comportamento mantido por atenção social e nada tem a ver a existência ou não de problemas na relação. Importante lembrar também, que o cliente não reclamar de seu casamento não significa que ele esteja a mil maravilhas. É possível que ele simplesmente evite tocar no assunto ou mesmo não reconheça que os problemas estão na relação.




Pensando nisto, o Psicólogo Analista do Comportamento Nicolau Kuckartz Pergher escreveu o artigo Variáveis que devem ser consideradas na avaliação da qualidade do relacionamento conjugal, publicado na Revista Perspectivas em Análise do Comportamento. O autor compõe o corpo de professores da Universidade Presbiteriana Mackenzie  e do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento, de São Paulo. 

Em seu artigo, Nicolau enumera diversas variáveis que merecem ser investigadas ao longo de uma terapia de casal e que dão um direcionamento sobre as possíveis origens da insatisfação com a relação. Na série de textos que se segue, será apresentada uma breve discussão das ideias do autor. Importante citar um alerta dado pelo próprio Pergher, no que se refere a complexidade da discussão. Ele explica que cada um dos temas apresentados em seu artigo, merece por si só uma extensa revisão bibliográfica. Mas para os fins deste post, um simples resumo basta. 

As variáveis discutidas pelo autor são: 

1) Motivos de Início do Relacionamento 

a) Porque, dentre as milhares de opções, foi por aquela pessoa que o cliente se atraiu e se estabeleceu? 

A resposta a esta pergunta pode oferecer fortes evidências sobre o que o cliente considera importante em uma relação, além de dicas sobre que caminhos deve seguir uma intervenção.

Estas coisas que o cliente considera importante, ainda existem na relação? Eram apenas fantasias?

Ainda há a possibilidade daquilo que atraiu o cliente ter se tornado um problema. Por exemplo, um dos principais motivos pelo qual o cliente se atraiu por outra pessoa é a sua dedicação ao trabalho. Ao longo do tempo e da convivência, esta dedicação ao trabalho pode se traduzir em falta de atenção ao cônjuge, falta de assuntos não relacionados ao trabalho, etc. 

b) Quanto tempo durou cada fase (paquera, primeiro beijo, primeiro eu te amo, namoro, casamento, filho, etc) da relação e o que acontecia na vida do cliente na transição? 

Este dado poderá indicar como acontece o processo de tomada de decisões do casal, se é mais impulsivo, pensado, movido por fatores externos à relação, fatores internos, etc.

Muita gente adianta o casamento para fugir de pressões da família nuclear (pai, mãe, irmãos), como por exemplo, de um pai agressivo. Não que não exista amor entre o casal que se forma, mas o motivo de se casaram alí, naquela época específica, não é este amor, mas uma fuga dos problemas enfrentados em casa. As chances do casal apresentar problemas é grande, e muito provavelmente, serão parecidos com os problemas dos quais está fugindo.  

c) O casamento ocorreu em decorrência de uma gravidez? 

Em alguns casos, a gravidez pode funcionar como uma estratégia para prender o cônjuge, especialmente, quando este mostra sinais de desistência do casal. Em outros, pode ser uma alternativa da mulher para adiantar sua saída de um ambiente coercitivo em meio a família nuclear. 

d) A união foi arranjada? 

É possível que o casal fique feliz e satisfeito. Mas é provável também que ambos se questionem quanto a possibilidade de serem felizes, especialmente quando o casal possui interesses divergentes ou incompatíveis com a união. 


2) Histórico de Relacionamentos 

a) Histórico de Rejeição 

Pessoas com histórico de rejeição ou abandono por parte de seus cuidadores ou parceiros antigos, poderão formular auto-regras que descrevam contingências comuns na relação como potencialmente ameaçadoras, e que as tornem menos sensíveis ao que de fato ocorre no momento. Estas pessoas reagem com agressividade ou esquiva da relação com muita facilidade.

Vale observar também como é o processo de tomada de decisão do casal. Pessoas com este histórico podem emitir mutios comportamentos com função de evitar uma nova rejeição e se submeter-se às vontades do cônjuge de maneira indiscriminada, o que pode trazer sofrimento.


b) Relacionamentos Tardios 

É esperado que as pessoas iniciem suas experiências com relacionamentos íntimos (namoro) ainda na adolescência e que nesta fase, aprendam a entender e lidar com as várias dificuldades e conflitos comuns às diversas fases da formação de um casal. Nos casos em que o cliente não aprendeu a compreender e lidar com estas dificuldades na adolescência, ele terá de fazê-lo na idade adulta, fase em que será cobrado a se estabelecer com alguém. E caso o cliente se envolva com outra pessoa que já passou por estas experiências, certamente irão emergir dificuldades, conflitos e inseguranças específicas, e é papel do terapeuta ajudar o cliente a lidar com elas.

Um exemplo desta diferença pode ser encontrada em casais em que ao homem inexperiente usa uma cueca rasgada em uma situação íntima com a namorada. 

c) Violência Sexual 

Com frequência, chegam a clinica de Psicologia pessoas que foram vítimas de algum tipo de violência sexual. Os efeitos desta violência variam entre as pessoas, mas alguns dos mais comuns são: dificuldade em colocar limites na relação, tendência a revitimização, tendência à dificuldades para envolver-se com pessoas do mesmo sexo que o agressor, reprodução da violência e promiscuidade. Estes casos merecem atenção especial do terapeuta. 

d) Profissionais do sexo 

Algumas mulheres que já foram garotas de programa procuram ajuda na terapia. Geralmente, com medo de que seu passado seja descoberto pelo parceiro ou com sentimento de culpa por já ter se envolvido com vários homens. E no caso dos homens que se interessam por estas mulheres e se envolvem com elas, conscientes da situação, deve-se investigar se sua atração possui alguma relação com o fato da parceira já ter sido garota de programa. 

e) Excesso de Exigência 

Algumas pessoas se decepcionam com muita facilidade em seus relacionamentos. Pode ser que existam mesmo motivos para uma decepção. Mas pode ser também que o cliente seja inflexível quanto ao que considera pré-requisito na relação e que tenha baixa tolerância a frustração. Neste caso, temos uma demanda específica a ser trabalhada. Caso não seja, é provável que o nível de exigência do cliente aumente e sua tolerância à frustração diminua ao longo do tempo, o que pode fazer dele uma pessoa incapaz de se estabelecer em uma relação amena e sadia. 


3) Divisão Financeira 

a) Marido como Provedor 

Ainda é bastante comum o formato de família em que o marido é o provedor financeiro da casa. Muitos homens sentem-se na obrigação de sê-lo e quando não conseguem, sofrem. Além disso, é comum aquele que tem o controle financeiro da casa assumir também o controle sobre o comportamento do outro, já que “é ele quem está pagando”. Dependendo das proporções deste controle, ele poderá trazer sofrimento clinicamente relevante à cônjuge, que muitas vezes, sofre calada. 

Outro ponto conflituoso é quando o homem possui condições financeiras consistentes, mas não provem a mulher de recursos compatíveis a esta condição. A situação pode gerar sentimentos de desvalorização na esposa. 

b) A mulher como provedora 

Ultimamente as mulheres tem ampliado suas potencialidades profissionais e seu salário, muitas vezes, assumindo o posto de provedora do lar. Se ela gosta desta posição e encontra um homem que almeje ser sustentado por uma mulher, nenhum dos lados do casal sofrerá. Mas é possível que ela se questione sobre este papel que acabou assumindo e sinta-se indignada com a posição escusa do marido. Em outros casos, o homem pode sentir-se incomodado por ser sustentado por uma mulher ou sofrer com as possíveis pressões sociais decorrentes disto. Além disso, vale lembrar que muitos homens sentem-se intimidados diante de uma mulher bem sucedida profissional e financeiramente. 

c) Conta Conjunta 

Alguns casais possuem contas conjuntas, nas quais ambos tem acesso e podem gastar o dinheiro como quiserem. Quando há recursos financeiros fartos, é possível que não hajam desentendimentos. Quando o casal passa por problemas financeiros, várias brigas podem surgir daí, inclusive sobre outros temas. É importante que o casal converse, desde cedo, sobre o quais regras definem uma divisão financeira adequada naquela relação. 

Alguns questionamentos comuns merecem atenção especial, tais como: quem será o responsável financeiro pela casa? Um dos dois assume as contas da casa ou elas são compartilhadas? Quem é o encarregado de acumular recursos? É preciso ou desejável um saber quanto o outro ganha? Cada um deve manter economias individuais e administrar seu próprio dinheiro? 


4) Diferenças de Idade e Cultura 


a) Diferenças de idade 

Diferenças de idade sugerem momentos diferentes da vida, com expectativas, responsabilidades e interesses diferentes, característicos de cada fase. Estas diferenças, se mal administradas, podem gerar sérios conflitos, parecidos com o que ocorre quando falamos de situações como as narradas em “Relacionamentos Tardios”. 

Quando o cliente mantém um padrão de atração por pessoas com idades distantes da sua, temos outra questão a ser investigada. É possível que o padrão seja um tipo de esquiva gerado por experiências especialmente conflituosas do passado. 

b) Diferenças culturais 

Cultura pode ser definida como o conjunto de práticas verbais e não verbais que um determinado grupo compartilha (Baum, citado por Pergher) e valoriza. Quando um casal é formado, é possível que cada um dos cônjuges cresceu em famílias diferentes, que valorizam práticas diferentes daquelas valorizadas pela família do outro. Estas discrepâncias tornam-se especialmente evidentes quando os cônjuges professam religiões diferentes ou vem de classes sócio-econômicas diferentes. Por exemplo, para Joãozinho, um churrasco com cerveja e linguiça assada no quintal de casa é mais interessante do que um jantar no restaurante mais refinado da cidade. 

Nestes casos, além dos cônjuges terem de lidar com as pressões de seus familiares para que não se casem, terão de aprender a se comportar de maneiras completamente novas, o que pode ser oneroso a ponto de levar a desistência da relação. 


**Não perca os próximos textos da série, os quais trarão uma síntese do que diz Nicolau Pergher sobre: 

5) Graus de Intimidade 
6) Práticas Sexuais 
7) Padrões de Interação 
a) Vigilância 
b) Comunicação Indireta 
c) Competição 
d) Quem toma das decisões pelo casal 
e) Gabar-se 
f) Agressividade 
8) Fontes de Reforçamento extracônjuge (outras atividades não ligadas ao relacionamento) 
9) Traições 
10) Doenças 
a) Abuso de Drogas 
b) Depressão 
c) Outras doenças psiquiátricas 
d) Doenças crônicas ou terminais 
11) Filhos 
a) Aborto 
b) Decisão de ter filhos 
c) Tratamento para engravidar 
d) Teste de DNA 
e) Estilos parentais 
f) Independência dos filhos 
12) Planos de vida 
13) Separação 

sábado, 15 de maio de 2010

O que as mulheres querem?

Lendo a postagem do Felipefrog sobre 6 coisas que os homens fazem para atrair mulheres, mas que a ciência diz estar errado, eu resolví procurar na internet algumas coisas mais sobre a grande pergunta: o que as mulheres querem? Freud, o pai da Psicanálise, disse uma vez que morreria se entendê-las. A psicologia evolucionista, no entanto, traz boas contribuições no que diz respeito à compreensão do comportamento feminino.



Jogando a pergunta chave deste texto no google, encontrei uma matéria no site da Revista Galileu que merece ser lida na íntegra. Resumindo, o que fizeram foi ligar nos órgãos genitais de 44 homens e 47 mulheres aparelhos que mediam o grau de excitação sexual diante de certas cenas de sexo que eram exibidas a eles. Os aparelhos mediam a ereção peniana e a lubrificação varginal. Além disso, a excitação foi medida também através de entrevistas, com o intuito de verificar como os participantes percebiam aquilo. 

Um dado interessante da pesquisa, é que as mulheres se excitaram com praticamente TUDO o que foi mostrado. De acordo com os autores, na verdade, elas parecem se excitar mais com o grau de excitação que a cena provoca do que com o ato em sí que era exibido nela.

Conversando com um amigo sobre a intenção de escrever esta postagem, ele me indicou um livro. O livro se chama O Mystery Method - O MANUAL DAS ARTES VENUSIANAS, de autoria de Mystery, famoso professor de Sedução americano. Aqui tem um vídeo dele (em inglês).





Abaixo segue uma compilação na íntegra dos fatores levantados pelo livro. Gostaria que lessem com atenção e, ao final, comentasse se concordam ou não com o que o autor diz, e porque tem esta opinião.

APARÊNCIA E ALTURA

Todos os outros fatores sendo os mesmos, as mulheres vão preferir geralmente homens mais altos ou de melhor aparência. No entanto, se você se considera baixo ou feio, isto não é absolutamente uma desculpa para você sentir pena de si mesmo. Existem muitos artistas venusianos que não são muito altos ou de boa aparência. Altura e aparência são fatores reais, e devem ser levados em consideração - mas não são essenciais.

SER SAUDÁVEL E ESTAR SE EXERCITANDO

Embora seja possivel comer errado, não ir à academia e ainda assim ficar com meninas, homens que se exercitam são simplesmente mais atraentes para as mulheres. Isto realmente faz diferença nos resultados as  pessoas que não são sedentárias realmente aparentam estar melhor, e passam uma energia mais positiva nas interações sociais.

HIGIENE E CUIDADOS COM APARÊNCIA

Estes são essenciais. Esteja limpo e cuide da aparência, e mantenha a sua boca limpa. Não seja um cara sujo.

SABER SE ARRUMAR

Pessoas que não sabem se arrumar estão completamente desligadas de que suas roupas são muito feias aos olhos das pessoas que sabem se arrumar (a maioria delas mulheres). Vestir-se mal também passa a impressão de falta de tato social, o que é uma Demonstração de Valor Inferior.


SE SENTIR CONFORTÁVEL

Sempre é dito que você deve ter auto-confiança. Mas a verdade é que o estado emocional mais adequado é o de conforto. Sua linguagem corporal deve refletir isto. Relaxe e ocupe seu espaço de forma confortável. "Incline-se na poltrona" e sinta-se em casa. Sem exageros.

SORRIR E SER DIVERTIDO

Homens que não transam normalmente não sorriem também. Tem muitos caras por ai que não parecem ser felizes. Seja o cara que está se divertindo e que faz outras pessoas se divertirem. Não leve você mesmo muito a sério.

NÃO PARECER CARENTE NEM PRECISAR DE OUTROS

Um homem com alto valor de reprodução e sobrevivência está provavelmente muito bem financeiramente. Provavelmente ele tem acesso à sexo. Ele está confortável em termos de saúde e necessidades fisicas.

Logo ele não é alguém carente. É importante passar esta sensação de abundância e realmente senti-la. Quando você quer muito ficar com uma menina, as mulheres percebem isto e vão te classificar como de Valor Inferior - e mulheres não estão programadas para transar com homens inferiores e desesperados.

PARECER INDIFERENTE

Continuando no mesmo padrão acima, não seja reativo ou tente impressionar as pessoas. A pessoa
tentando aparecer é notada como de status inferior. Similarmente, não fique se desculpando, não tente conseguir reações, ou ter atenção, validação ou compreensão das outras pessoas.

TER UM PROPÓSITO NA VIDA

Seja ambicioso e mantenha-se em forma. Tenha uma identidade forte e propósito na sua vida. Tenha amigos e cuide do seu circulo social. Existem muitas outras maneiras de se transmitir maior valor - através do seu jogo, linguagem corporal, suas pressuposíções, estrutura interna, suas interações sociais, etc... O resto deste curso vai descrever todos estes quesitos.

Outra informação interessante trazida pelo Mystery, a qual é corroborada por Vicente Caballo (2006), é que, ao contrário dos homens, as mulheres não se ligam tanto a fatores como beleza física. A atenção delas a princípio volta-se para elementos que remetam a uma maior aptidão dele a fornecer-lhe segurança. Entre estes elementos, estão coisas como: potencialidade do homem de se desenvolver profissionalmente e financeiramente , habilidades sociais do homem, entre outros.

Voltando à pesquisa da revista Galileu, citada anteriormente, os dados demonstram também que as mulheres não descrevem exatamente o que sentem. Isto corrobora outro toque que o Mystery dá, que é sobre a importância de se observar o que a mulher está demonstrando sentir na interação - procurando mobilizá-la emocionalmente, não apenas "racionalmente", por assim dizer. Conforme explica o autor, ela pode, muitas vezes, falar coisas que demonstrem falta de interesse quando, na verdade, o tem. Talvez o faça em função de nossa cultura; onde, geralmente, a mulher deve retrair-se quanto a isto.



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Dona Joaninha e seu medo de amar: uma Análise Funcional

Dona Joaninha namorava o Sr. Bezouro há três anos. Planejava se casar, até. Era completamente apaixonada por ele. Investia todo o carinho, dedicação, atenção e cuidados àquele namoro. Um belo dia, descobre que o Sr. Bezouro a traía com a Sra. Mariposa e começa a chorar por dias e dias sem conseguir parar. Termina o namoro, óbvio, pois não se achava merecedora de tal situação.

Algum tempo depois, ela começa a namorar com o Sr. Mosquito. De modo estranho, quando começa a gostar dele e a investir mais na relação, termina o namoro. Dona Joaninha tenta também namorar o Sr. Marimbondo, mas também não consegue. Isto acontece também com diversos outros seres legais da floresta que tentam namorá-la; afinal, ela é linda, inteligente, romântica, e super divertida, muitos querem se casar com ela. Nem o Sr. vagalume, com toda a sua beleza e luminosidade, consegue fazer com que Dona Joaninha sinta-se segura e se entregue à relação. O Louva a Deus, com toda a sua graça e simpatia, também tentou - mas foi tudo em vão.

Ela diz que quer se casar, construir família, ter filhos (imagine como seria o filho de Dona Joaninha com o Sr. Marimbondo) e tudo mais o que as garotinhas da idade dela sonham. O problema, é que sempre que começa a gostar de alguém, sente-se angustiada, ansiosa, com medo, não consegue ficar à vontade nas situações íntimas e acaba terminando o namoro. Percebendo o que sente quando começa a se envolver mais com alguém, ela "descobre" que tem medo de amar e diz que é por isto que não consegue se firmar com ninguém.  Mas... o que é que pode ser chamado de "medo de amar"? 



Bom, requerendo aqui o direito à licença 'poética' na fábula acima, resolví usá-la para ilustrar a explicação do que pode ser chamado de "medo de amar".

Já no início do conto dou pistas do que pode levar alguém a sentir "medo de amar" - ou, dito de outro modo, sentir-se ansiosa e insegura quando está prestes a entrar em uma relação mais séria com alguém. Uma pessoa que investe muito em uma relação e é abandonada, ou traída - como dona Joaninha foi, pode, a partir de então, começar a evitar estar em uma situação na qual precise voltar a investir no namoro. Ela passou a fazer algo (terminar) que a impedisse de estar em uma relação mais íntima, que pode ter adquirido caráter aversivo graças a um pareamento com a traição.

Terminar antes de se envolver muito, neste caso, é uma resposta incompatível à resposta punida: investir na relação. É chamada também de resposta controladora, pois controla outros comportamentos da própria pessoa. Esta resposta (terminar antes de ficar sério) tem função de fuga, pois remove as emoções ruins que estão pareadas com estar investindo em uma relação¹.

Outra coisa que pode manter este padrão de não se envolver, é o reforço positivo: ao falar que tem medo de se envolver, que não consegue confiar, etc., quem estiver disposto a tentar conquistar Dona Joaninha vai ter que ralar mais, isto é, vai ter que se esforçar mais e certamente fará um monte de coisas legais para agradá-la. Isto faz com que ela continue falando que não consegue se envolver e, de fato, não se envolva com ninguém. Ela não faz por mal. Muitas vezes sequer tem consciência disso.

E isto pode trazer também consequências desagradáveis para ela, como danos à sua auto-estima e auto-confiança; danos sociais, com a família e amigos cobrando namoro; e diversas outras. Pode acontecer também, como acontece com muitos homens em especial, de tornar-se reforçador ficar com muitas pessoas diferentes. Isto pode ser reforçado tanto pelo próprio ficar, quanto pelos amigos que elogiam e aprovam este comportamento (nem todo galinha é galinha por este motivo, bom lembrar).

Referências:

¹- Livro: Princípios Básicos de Análise do Comportamento - Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros. Editora Artmed, São Paulo, 2007.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Você é ciumento (a)? Cuidado, pode estar destruindo sua relação.

O ciumento vive em busca de evidencias ou confissões que confirmem suas suspeitas. Por mais negadas ou comprovadamente falsas elas sejam estas evidências, em alguns casos, elas parecem insuficientemente detalhadas ou mesmo falsas para ele, trazendo assim mais confusões e sofrimento para o casal.





O que significa dizer que alguém está com Ciúmes?

Dizer que alguém está com ciúmes é o mesmo que dizer que esta pessoa discrimina um ou mais estímulos como sinalizadores da perda de um reforçador outrora disponível; emitindo assim, respostas coercitivas que tem por função evitar a perda deste reforçador. No caso, o amor, carinho, atenção, proteção, etc., que o parceiro(a) pode oferecer.

Dentre estas respostas coercitivas, destacam-se os interrogatórios - muitas vezes em tons agressivos - onde, por mais que a situação seja explicada, o ciumento pode simplesmente achar que é mentira ou que há algo que não foi dito. Também é muito comum a chantagem emocional. Esta se dá por aquelas ameaças do tipo "se você sair eu vou ficar triste"; ou mesmo implícita, onde a pessoa simplesmente fica "emburrada", a fim de manter o parceiro(a) em casa. Em alguns casos, os parceiros tem o hábito de verificar as ligações e mensagens no telefone do outro e, dependendo de quem liga, o barraco está armado.

Diante de toda essa pressão – estimulação aversiva –, o parceiro muitas vezes acaba cedendo às chantagens; abrindo completamente a sua privacidade ao ciumento; dizendo frases como “eu amo você, jamais te trocaria”, “não se preocupe, você é único (a), não posso te perder”, etc. Acaba também dando mais atenção e carinho ao ciumento diante de suas crises, ou fazendo outras coisas que,  conforme foi aprendendo ao longo da relação, que fazem com que o ciumento remova a estimulação aversiva - mal sabendo que estas coisas que podem estar na verdade reforçando o comportamento do ciumento. Em outras palavras, a curto prazo remove a estimulação aversiva, pois a acalma o ciumento. A longo prazo, esse tipo de coisa faz com que o ciumento volte a apresentar a mesma conduta mais vezes, já que ele aprendeu que ao fazer isso, vai ter o que tanto teme perder: atenção e carinho de sua parceira.

Outras vezes, o parceiro do ciumento pode aprender a mentir para se esquivar das punições e cobranças excessivas de quem  sente o ciúme. Pode ser que estas mentiras nem sejam para esconder uma traição, mas apenas para evitar entrar em contato com situações nas quais grandes e chatas explicações (tipo aqueles interrogatórios) teriam que ser dadas.

Agora apenas pense, e se quiser, me diga: qual o destino de uma relação na qual isto vai se tornando cada vez mais frequente? 

Cada um acaba aprendendo lidar a sua modo com o ciúme, mas uma coisa é certa: ciume em excesso destrói uma relação. Existem alguns estudos, inclusive, apontando que existe uma tendência maior de ocorrer traições em relações onde existe muito ciúme. Por exemplo, se você fala muito que sua namorada te trai com o João da sala dela, você acaba fazendo com que ela comece de fato a olhar mais para ele. Bom, não sei se estes estudos são confiáveis, mas aqui está o link de uma matéria que fala a respeito. 


Quem quiser ler sobre ciúme patológico, clique aqui.


Um estudo interessante sobre ciúmes é o realizado por Nazaré Costa. Neste estudo, ela busca uma definição operacional do termo. Quem quiser ler, clique aqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"Precisamos discutir a relação" - com a participação Roberto Banaco.

Como prometí há algumas postagens atrás, quando encontrasse a tal entrevista do Roberto Banaco eu postaria aqui para vocês. Pois bem, encontrei, e aqui está.

Na verdade não é uma entrevista. É um programa de TV onde Roberto Banaco (Analista do Comportamento), Alexandre Benz (especialista em relacionamentos) e Anna Maria Orrú (neuropsicóloga) falam das situações nas quais o casal precisa discutir a relação - terem a famosa D.R.


Para assistir o vídeo clique na imagem abaixo.


Falam sobre diversos aspectos da vida a dois, abordando problemas comuns e possíveis maneiras de enfrentá-los.

O vídeo é longo e tem alguns problemas pra carregar, mas vale a pena assistir. Muita gente me falou que ele só tá rodando no internet explorer. No meu pc mesmo só rodou aí.