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sábado, 31 de março de 2012

Coaching e Análise do Comportamento: uma relação possível.

Etimologicamente, coaching se origina de Koczi, um tipo de carruagem coberta produzida na cidade de Kocs, na Hungria, e amplamente difundida na Europa com o nome de coach. Na língua inglesa, coach remete a treinador esportivo, aquele que desenvolve com seus alunos os melhores desempenhos para que atinjam a vitória em competições. Ambos trazem em si a ideia do coaching atual, qual seja, a de sair de um ponto e chegar a outro, ou ainda, de uma situação atual para atingir outra idealizada, desenvolvendo neste caminho a melhor performance, seja na vida pessoal ou profissional. Coaching é então um processo de assessoria que tem como objetivo desenvolver ou melhorar o desempenho de uma pessoa, grupo ou empresa, utilizando-se para isto de método específico, utilizado por um profissional capacitado, o coach, em parceria com o seu cliente, o coachee.

Por estar em voga no momento, tanto na versão pessoal como na empresarial, o coaching parece tratar-se de algo novo. Como profissão, realmente é. No Brasil surgiu ha cerca de 10 anos. Entretanto, Chiavenato (2002) lembra que os princípios do coaching já foram utilizados pelo filósofo Sócrates em 450 a.C. Este, por meio da maiêutica (parto de ideias) ensinava pessoas a pensar e refletir sobre vários assuntos com o objetivo de proporcionar autoconhecimento, sendo dele a célebre frase “Conhece-te a ti mesmo”. De forma similar, no processo de coaching o profissional utiliza-se de perguntas específicas com o intuito de que o cliente atinja uma melhor compreensão dos próprios comportamentos. O autoconhecimento, segundo Skinner (1974), tem origem social e é extremamente útil, pois o indivíduo passa a haver-se consigo mesmo e desenvolve o autocontrole. Possibilita-lo é uma das tarefas do coach, visto que, quando o cliente passa a entender as variáveis das quais seus comportamentos são função, torna-se capaz de prevê-los e controlá-los.

Esta capacidade de previsão e controle possibilita ao coachee a apresentação de comportamentos que aumentem a probabilidade do mesmo atingir seus objetivos, o famoso “entrar em ação”, advindo da literatura do coaching. Isto implica na apresentação por parte do cliente de um comportamento, ou uma sequência de comportamentos diante de situações que vivencia. Se estas situações que o indivíduo vivencia envolvem um contexto social, diz-se que o mesmo apresenta um desempenho social (Del Prette e Del Prette, 2001). Estes autores descrevem ainda a diferença gradual entre desempenho social, habilidades sociais e competências sociais, sendo a compreensão de tais conceitos de fundamental importância para o profissional que atuará como coach, de forma a delimitar e evitar confusões. Pois, embora não use esta linguagem específica da Análise do Comportamento, o coach trabalha com o desenvolvimento de habilidades sociais, e, estes termos são, muitas vezes, entendidos como sinônimos. Todavia, para os autores, habilidades sociais referem-se à “existência de diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo para lidar com as demandas das situações interpessoais”. Já competências sociais, de acordo com os mesmos autores, relacionam-se à avaliação que o cliente faz dos efeitos de seu desempenho de suas habilidades em cada situação vivida.

É papel do coach analisar e criar contingências específicas para que o aprendizado de habilidades necessárias ocorra na vida do cliente. Segundo Stefano (2005) in Horst et. al, o coach tem a função de desenvolver as potencialidades do coachee. Deste modo, requere-se que o profissional apresente um repertório comportamental amplo, de modo a possibilitar a ocorrência da análise e a manipulação das variáveis envolvidas no processo de desenvolvimento das habilidades e potencialidades de seus clientes. Sendo assim, embora a profissão de coache não exija formação específica, as autoras propõem que o psicólogo aproprie-se desta prática, pois acreditam que “para que o coaching seja realmente benéfico, o coach deve apresentar características peculiares”, bem como ter conhecimentos sobre relações pessoais, profissionais e grupais. Nesta linha de raciocínio, verifica-se, portanto, que o analista do comportamento possui conhecimentos e habilidades específicas que facilitam o exercício da função de coach. Isto ocorre porque ao analisar funcionalmente os comportamentos apresentados pelo cliente e proporcionar condições para que desenvolva por si só esta análise, o profissional torna a mudança comportamental mais provável e, consequentemente que seus objetivos sejam atingidos de forma eficiente e efetiva. Durante o processo, o profissional interage com o cliente e seu ambiente, fornece estímulos discriminativos e consequências contingentes aos seus comportamentos, de forma a aumentar a probabilidade que comportamentos adequados aos objetivos ocorram, além de diminuir e/ou extinguir a ocorrência de respostas prejudiciais ao adequado funcionamento, consequentemente, atingindo os objetivos idealizados.

Nas organizações, o coaching é utilizado no gerenciamento e desenvolvimento de carreiras e visa à melhoria do desempenho profissional por meio da aprendizagem de novas habilidades e, como consequência, o alcance dos objetivos da organização (Milaré e Yoshida, 2009).  Esta aprendizagem, no enfoque analítico comportamental, está relacionada com a necessidade de se analisar funcionalmente os comportamentos individuais e grupais em uma organização, avaliando o contexto em que os trabalhadores estão inseridos, as variáveis mantenedoras de comportamentos que prejudicam o funcionamento da empresa e aquelas que são favoráveis à obtenção dos objetivos organizacionais. Sendo assim, exige que o coach conheça o contexto organizacional para que possa contribuir nas mudanças necessárias tanto para a organização, como para o indivíduo. No ambiente organizacional, o processo de coaching envolve, em muitos casos, o desenvolvimento de habilidades de liderança e/ou de relacionamento interpessoal, de forma que se atinjam metas a curto e longo prazo. Estas habilidades, e, em especial a de relacionamentos interpessoal neste contexto traz benefícios tanto para o indivíduo, como para a organização. Pois, segundo Del Prette e Del Prette (2007), pessoas que apresentam bom relacionamento social são mais saudáveis e produtivos no trabalho. “O desempenho profissional em diversas áreas, especialmente de gerentes, supervisores, líderes e demais profissionais (...), depende, criticamente, de um conjunto de competências e habilidades de relacionamento. Quando socialmente habilidosos, esses profissionais contribuem significativamente para a melhoria do clima organizacional bem como para a qualidade das relações inter e intra-setores e para a relação com fornecedores, clientes e público em geral” (Del Prette e Del Prette, 2007).

O processo de coaching é vantajoso e traz benefícios para o cliente, dentre os quais se destacam a contribuição para a ampliação do autoconhecimento, do conhecimento acerca de seu ambiente, a melhoria na comunicação e nos relacionamentos, o aumento na frequência do sentimento de autoconfiança e autoestima, autocontrole, tomada de decisões, e, em especial, o atingimento de resultados diante dos objetivos por ele delineados, entre outros. Isto ocorre porque, ao compreender, controlar, prever seus próprios comportamentos e aprender novas habilidades durante o processo, o coachee passa a perceber-se como responsável pelos por eles e, portanto, pelas consequências que espera para sua vida pessoal ou profissional.





REFERÊNCIAS

ARAUJO, Ane. Coach: um parceiro para o seu sucesso. São Paulo: Editora Gente, 1999.

CHIAVENATTO, I. Construção de Talentos - Coaching & Mentoring - Ed. Campus, 2002.

DEL PRETTE, A e DEL PRETTE, Z.A.P. Inventário de Habilidades Sociais (IHS – Del Prette): Manual de aplicação, apuração e interpretação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 3ª edição, 2001.

DEL PRETTE, A.E DEL PRETTE, Z.A.P. Habilidades sociais: conceitos e campo teórico-prático. Texto online, disponibilizado em www.rihs.ufscar.br, em dezembro de 2006.

DEL PRETTE, A.E DEL PRETTE, Z.A.P. Psicologia das Habilidades sociais: terapia e educação. 2ª edição, editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1999.

HORST, A.C.; FERNANDES, K.F.; PERES, L.C.; JUGEND, M. e SOBOLL, L.A.P. Coaching e Psicologia: uma possibilidade de atuação. Anais do II Congresso Internacional de Psicologia e XI Semana de Psicologia, 2007.

MILARÉ, S.A. & YOSHIDA, E.M.P. Intervenção breve em organizações: mudança em coaching de executivos. Psicol. Estud. Vol. 14. Nº4 Maringá, Oct/Dez. 2009.

SKINNER, B.F. Sobre o Behaviorismo. 9ª edição, São Paulo: Cultrix, 2004.

sábado, 3 de março de 2012

Cursos Online do InPA - Habilidades Sociais/Terapia Comportamental Infantil

O Instituto de Psicologia Aplicada (InPA) estará promovendo cursos de aprimoramento em parceria com o Comporte-se. As inscrições já estão abertas e o melhor: os cursos são online, então pessoas em todo o Brasil podem participar!

Temáticas dos cursos:
  • Aprimoramento das Habilidades Sociais para a Prática Clínica
  • Aprendendo a Terapia Comportamental Infantil




Confira mais informações abaixo:




Mais informações e inscrições em www.inpaonline.com.br ou pelo telefone: (61) 3242-1153

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Assertividade na novela Fina Estampa

Você já parou para pensar sobre o efeito que o modo como expressa suas emoções e opiniões tem sobre os outros? E sobre a importância de defender seus direitos de forma clara e direta, sem desrespeitar os direitos dos demais?

Muita gente enfrenta sérias dificuldades para expressar o que pensa e sente sobre as coisas e defender seus direitos. Alguns sequer conseguem fazê-lo. Outros já o fazem de maneira agressiva, desrespeitando os demais, e muitas vezes, causando sérios danos à sua convivência com estas pessoas. Ainda existem aqueles que além de não falarem do que sentem e pensam de maneira honesta, se expressam por meio de agressões sutis e veladas.

Para falar sobre o assunto, escolhi alguns personagens da novela Fina Estampa, exibida atualmente no horário nobre da Rede Globo de televisão.

Uma personagem que ilustra muito bem alguém que com freqüência tem dificuldades para defender seus direitos e expressar aquilo que pensa e sente é Celeste (Dira Paes), esposa de Baltazar (Alexandre Nero) e pai de Solange (Carol Macedo), na trama. Ela permanece calada e passiva diante das agressões do marido. Quando manifesta algum incômodo, é de maneira tão indireta e temerosa que dificilmente conseguirá estabelecer limites claros quanto ao que a incomoda¹.


Esta dificuldade é chamada em Psicologia Comportamental² de Inassertividade³.  A pessoa que se comporta  em maior frequência de maneira inassertiva sofre muito por isto: geralmente não consegue eliminar uma fonte de incômodo que a simples expressão deste incômodo eliminaria. Além disso, em casos extremos, pode desenvolver doenças como depressão, doenças do trabalho, doenças respiratórias, cardíacas e muitas outras relacionadas ao estresse.
O extremo-oposto da Inassertividade é a Agressividade. O comportamento agressivo é caracterizado pela expressão exagerada, geralmente por meio de gritos, palavrões ou mesmo agressão física, daquilo que se sente e pena. Um exemplo de alguém que com frequência se comporta assim é Baltazar, marido de Celeste na novela.

Quando Baltazar vai falar com sua esposa e com sua filha, ele o faz aos berros! Em algumas situações, chega a agredi-las fisicamente. E embora esta conduta, algumas vezes, resolva o problema presente, na grande maioria das vezes traz conseqüências bastante indesejáveis. Um exemplo disso é mostrado quando ele foi buscar sua filha Solange no Baile Funk e acabou apanhando dos seguranças do lugar quando agrediu um rapaz que tentou protegê-la de seu pai.



Outras conseqüências comuns são a redução ou ausência de expressão de carinho entre as pessoas envolvidas, aparecimento de sentimentos como raiva, angústia, tristeza, entre outros, e com muita freqüência, criação de uma falsa ilusão de controle do agressor. Na novela, esta falsa ilusão é expressa ainda no mesmo capítulo em que Baltazar apanha. Ao invés de não ir para o Baile Funk, como seu pai havia proibido, Solange vai sem que ele saiba.

Baltazar é um personagem muito rico em termos de análise porque permite explorar ainda, com facilidade, comportamento Passivo – Agressivo. Este padrão comportamental é caracterizado pela não expressão dos sentimentos e defesa dos direitos diante das coisas de forma honesta e pela adoção de condutas agressivas de modo sutil ou velado como forma de fazê-lo. No caso de nosso personagem, isto acontece quando ele corta toda a fiação da luz do jardim da mansão Velmont, logo após ser punido por Teresa Cristina. Foi este o jeito que ele encontrou de expressar seu desagrado.

  

O Passivo-Agressivo é considerado o pior padrão comportamental de todos. Geralmente o agressor age de maneira muito sutil , de forma que o agredido não consegue comprovar a agressão. Em algumas situações, nem se dá conta dela e fica achando que “é coisa de sua cabeça” ou “implicância boba”. Esta situação é bastante comum em empresas.

O padrão comportamental mais saudável é o Assertivo. Assertividade significa expressão das idéias, opiniões e defesa dos próprios direitos quando necessário, respeitando os mesmos direitos no outro. O comportamento Assertivo é observado quando a pessoa fala com clareza daquilo que precisa falar. Não faz rodeios, é bastante honesta e respeita a integridade física e moral de seu interlocutor. Griselda (Lilia Cabral) é um exemplo de personagem que com frequência se expressa com clareza e respeito. Ela não liga para a opinião dos outros sobre seu jeito. Com freqüência, fala o que precisa falar “na lata”, mas sem agredir ninguém.

Observe que, no texto, as classificações Assertivo, Inassertivo, Passivo-Agressivo e Agressivo são utilizadas apenas em referência a padrões de comportamento (conjuntos de ações que geralmente aparecem juntas em uma mesma pessoa, p.e., gritar e usar palavrões em uma discussão) e nunca às pessoas que se comportam. Isto porque alguém nunca é Assertivo ou Inassertivo o tempo todo, mas se comporta de modo Assertivo ou Inassertivo em algumas situações, a depender do contexto. Por exemplo, Baltazar. Embora, junto a sua esposa e filha, comporte-se com maior frequência de maneira Agressiva, ele não o faz junto à sua patroa, pois, se o fizesse, certamente seria duramente castigado ou perderia o emprego.

¹ - Nem sempre a expressão clara e direta dos sentimentos e opiniões é a melhor alternativa. Por exemplo, é bem provável que Celeste sofra agressão física como conseqüência de uma expressão clara e direta de seu incômodo a seu marido.
² - Psicólogos cognitivistas e cognitivistas comportamentais também usam esta nomenclatura. A expressão teve origem nos Estados Unidos, através dos estudos de um psicólogo chamado Wolpe, na década de 70.  Atualmente a Assertividade é considerada uma subárea de uma área mais ampla, chamada Habilidades Sociais.
³ - Dificuldades como estas refletem o que os psicólogos comportamentais chamam de Déficit Comportamental.  Um déficit comportamental é caracterizado quando um conjunto de ações deixa de ocorrer 1) na freqüência necessária, 2) com intensidade necessária ou 3) nas situações em que é necessária para atingir seu objetivo. O outro extremo – a agressividade –, encaixa-se no que estes mesmos psicólogos chamam de Excessos Comportamentais.  Um excesso comportamental é caracterizado pela ocorrência de comportamento em 1) freqüência acima da necessária, 2) intensidade acima da necessária e em 3) situações em que não é necessário.
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Esequias Neto é Psicólogo (CRP: 04/ 35023), especializando em Terapia comportamental. Atua na Clínica, atendendo nas modalidades Adulto, Infantil/ Orientação de Pais, Familiar, Casal e Grupo. É consultor em Desenvolvimento Humano e Empresarial pela Êzito Inteligência Organizacional e Clínica de Psicologia. E-mail: neto@ezito.com.br/ Cel: (34) 8406-8181/ Fixo: (34) 3061-2961

sexta-feira, 25 de março de 2011

Habilidades Sociais em crianças

Oi! Sou a Aline, nova colunista do blog. O texto abaixo foi o que enviei para a seleção, então, por bem, postarei aqui. O tema não é desconhecido dos leitores, por sinal, mas procurei abordar um aspecto mais específico.

As habilidades sociais, como já abordado em outros artigos aqui do Comporte-se, compreendem o conjunto (repertório) de comportamentos emitidos em situação social por um indivíduo que contribuem para favorecer um relacionamento saudável e produtivo com outras pessoas (Del Prette e Del Prette, 2009, p. 31). Essas habilidades não são inatas e sim aprendidas, e as características que indicam o que é um desempenho habilidoso socialmente vão variar de acordo com fatores situacionais, individuais e culturais (Bandeira e cols., 2006). As consequências que os desempenhos habilidosos ou não-habilidosos provocam são essenciais para a manutenção ou não desses padrões comportamentais (Del Prette e Del Prette, 2006).



No decorrer do desenvolvimento, passamos por diversas fases de transição que tornam necessário aprender a lidar com novas demandas sociais, cada vez mais complexas. Não por acaso a aquisição de habilidades sociais torna-se tão importante durante a infância, com a entrada da criança em novos contextos, especialmente o escolar. Além de contribuir para uma melhor adaptação, o aprimoramento das habilidades sociais das crianças pode prevenir o aparecimento de comportamentos agressivos e de dificuldades de aprendizagem (Bandeira e cols., 2006). Os déficits de habilidades sociais se associam, ainda, a problemas psicossociais tais como depressão, ansiedade social, estresse e solidão. Esses déficits interferem negativamente também no autoconceito da criança (Segrin & Flora, 2000, citado por Bandeira e cols., 2006; Cia e Barham, 2009).

Pela sua importância, o tema vem sendo bastante estudado em outros países e também no Brasil. Em tempos de evidência na mídia do conceito de bullying e suas conseqüências nefastas, além dos outros tipos de violência praticada e sofrida por crianças e adolescentes, esses estudos tornam-se ainda mais valiosos, tanto no desenvolvimento de técnicas para a aquisição das habilidades sociais, como os treinamentos específicos para as crianças (como em Del Prette e Del Prette, 2009) bem como nos estudos que buscam mensurar e avaliar o desenvolvimento dessas habilidades na infância e adolescência, utilizando questionários e inventários desenvolvidos para este fim (como o Social Skills Rating System (SSRS) utilizado em Cia e Barham, 2009, e Bandeira e cols., 2009; e o IMHSC-Del-Prette, desenvolvido por Del Prette, Del Prette e Costa, em 1999).

Referências
Bandeira, M. e cols. (2006). Habilidades sociais e variáveis sociodemográficas em estudantes do ensino fundamental. Psicologia em Estudo, vol. 11, nº 3, pp. 541-549.
Cia, F. e Barham, E. J. (2009). Repertório de habilidades sociais, problemas de comportamento, autoconceito e desempenho acadêmico de crianças no início da escolarização. Estudos de Psicologia, vol. 26, nº 1, pp. 45-55.
Del Prette, Z. A. P. e Del Prette, A (2006). Psicologia educacional, forense e com adolescente em risco: prática na avaliação e promoção de habilidades sociais. Avaliação Psicológica, vol.5, nº.1, pp. 99-104.
Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (2009). Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. 4ª edição. Rio de Janeiro, Vozes.

sábado, 15 de maio de 2010

O que as mulheres querem?

Lendo a postagem do Felipefrog sobre 6 coisas que os homens fazem para atrair mulheres, mas que a ciência diz estar errado, eu resolví procurar na internet algumas coisas mais sobre a grande pergunta: o que as mulheres querem? Freud, o pai da Psicanálise, disse uma vez que morreria se entendê-las. A psicologia evolucionista, no entanto, traz boas contribuições no que diz respeito à compreensão do comportamento feminino.



Jogando a pergunta chave deste texto no google, encontrei uma matéria no site da Revista Galileu que merece ser lida na íntegra. Resumindo, o que fizeram foi ligar nos órgãos genitais de 44 homens e 47 mulheres aparelhos que mediam o grau de excitação sexual diante de certas cenas de sexo que eram exibidas a eles. Os aparelhos mediam a ereção peniana e a lubrificação varginal. Além disso, a excitação foi medida também através de entrevistas, com o intuito de verificar como os participantes percebiam aquilo. 

Um dado interessante da pesquisa, é que as mulheres se excitaram com praticamente TUDO o que foi mostrado. De acordo com os autores, na verdade, elas parecem se excitar mais com o grau de excitação que a cena provoca do que com o ato em sí que era exibido nela.

Conversando com um amigo sobre a intenção de escrever esta postagem, ele me indicou um livro. O livro se chama O Mystery Method - O MANUAL DAS ARTES VENUSIANAS, de autoria de Mystery, famoso professor de Sedução americano. Aqui tem um vídeo dele (em inglês).





Abaixo segue uma compilação na íntegra dos fatores levantados pelo livro. Gostaria que lessem com atenção e, ao final, comentasse se concordam ou não com o que o autor diz, e porque tem esta opinião.

APARÊNCIA E ALTURA

Todos os outros fatores sendo os mesmos, as mulheres vão preferir geralmente homens mais altos ou de melhor aparência. No entanto, se você se considera baixo ou feio, isto não é absolutamente uma desculpa para você sentir pena de si mesmo. Existem muitos artistas venusianos que não são muito altos ou de boa aparência. Altura e aparência são fatores reais, e devem ser levados em consideração - mas não são essenciais.

SER SAUDÁVEL E ESTAR SE EXERCITANDO

Embora seja possivel comer errado, não ir à academia e ainda assim ficar com meninas, homens que se exercitam são simplesmente mais atraentes para as mulheres. Isto realmente faz diferença nos resultados as  pessoas que não são sedentárias realmente aparentam estar melhor, e passam uma energia mais positiva nas interações sociais.

HIGIENE E CUIDADOS COM APARÊNCIA

Estes são essenciais. Esteja limpo e cuide da aparência, e mantenha a sua boca limpa. Não seja um cara sujo.

SABER SE ARRUMAR

Pessoas que não sabem se arrumar estão completamente desligadas de que suas roupas são muito feias aos olhos das pessoas que sabem se arrumar (a maioria delas mulheres). Vestir-se mal também passa a impressão de falta de tato social, o que é uma Demonstração de Valor Inferior.


SE SENTIR CONFORTÁVEL

Sempre é dito que você deve ter auto-confiança. Mas a verdade é que o estado emocional mais adequado é o de conforto. Sua linguagem corporal deve refletir isto. Relaxe e ocupe seu espaço de forma confortável. "Incline-se na poltrona" e sinta-se em casa. Sem exageros.

SORRIR E SER DIVERTIDO

Homens que não transam normalmente não sorriem também. Tem muitos caras por ai que não parecem ser felizes. Seja o cara que está se divertindo e que faz outras pessoas se divertirem. Não leve você mesmo muito a sério.

NÃO PARECER CARENTE NEM PRECISAR DE OUTROS

Um homem com alto valor de reprodução e sobrevivência está provavelmente muito bem financeiramente. Provavelmente ele tem acesso à sexo. Ele está confortável em termos de saúde e necessidades fisicas.

Logo ele não é alguém carente. É importante passar esta sensação de abundância e realmente senti-la. Quando você quer muito ficar com uma menina, as mulheres percebem isto e vão te classificar como de Valor Inferior - e mulheres não estão programadas para transar com homens inferiores e desesperados.

PARECER INDIFERENTE

Continuando no mesmo padrão acima, não seja reativo ou tente impressionar as pessoas. A pessoa
tentando aparecer é notada como de status inferior. Similarmente, não fique se desculpando, não tente conseguir reações, ou ter atenção, validação ou compreensão das outras pessoas.

TER UM PROPÓSITO NA VIDA

Seja ambicioso e mantenha-se em forma. Tenha uma identidade forte e propósito na sua vida. Tenha amigos e cuide do seu circulo social. Existem muitas outras maneiras de se transmitir maior valor - através do seu jogo, linguagem corporal, suas pressuposíções, estrutura interna, suas interações sociais, etc... O resto deste curso vai descrever todos estes quesitos.

Outra informação interessante trazida pelo Mystery, a qual é corroborada por Vicente Caballo (2006), é que, ao contrário dos homens, as mulheres não se ligam tanto a fatores como beleza física. A atenção delas a princípio volta-se para elementos que remetam a uma maior aptidão dele a fornecer-lhe segurança. Entre estes elementos, estão coisas como: potencialidade do homem de se desenvolver profissionalmente e financeiramente , habilidades sociais do homem, entre outros.

Voltando à pesquisa da revista Galileu, citada anteriormente, os dados demonstram também que as mulheres não descrevem exatamente o que sentem. Isto corrobora outro toque que o Mystery dá, que é sobre a importância de se observar o que a mulher está demonstrando sentir na interação - procurando mobilizá-la emocionalmente, não apenas "racionalmente", por assim dizer. Conforme explica o autor, ela pode, muitas vezes, falar coisas que demonstrem falta de interesse quando, na verdade, o tem. Talvez o faça em função de nossa cultura; onde, geralmente, a mulher deve retrair-se quanto a isto.