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sábado, 12 de maio de 2012

Uma reflexão analítico-comportamental acerca das supermães

A ideia desse texto veio a partir de uma pergunta na sala de aula sobre os processos comportamentais. O assunto explanado era extinção e, para melhor compreensão do tema, passei um vídeo conhecido com uma criança chorando deitando-se no chão tentando chamar a atenção da mãe que passa sem olhar pra cena. Ele pode ser facilmente acessado aqui. Expliquei que os comportamentos da criança poderiam ser compreendidos como uma forma de resistência à extinção. Como assim?

A extinção é um processo comportamental definido como a retirada de um reforço contingente a um comportamento. (Skinner, 1953; Moreira & Medeiros, 2006). Já a resistência à extinção pode ser caracterizada pelo aumento da frequência de um determinado comportamento, a variabilidade comportamental e o aparecimento de respostas emocionais. (Skinner, 1953, Moreira &Medeiros, 2006). Com base nesses conceitos explanei que a criança do vídeo em questão, provavelmente estava passando por um processo de resistência à extinção dos comportamentos com função de receber atenção materna. Diante disso, um aluno perguntou: professora, se a mãe der atenção a esses comportamentos de resistência, eles serão reforçados, não é? (orgulho!) Mas e então, o que fazer? Deixar a criança chorando? E a pergunta capciosa: eu posso dizer que essa criança, tão pequena (ela tem uma aparência de 1 ano e meio), está manipulando a mãe?

Com relação às primeiras perguntas, respondi que o ideal seria o que os analistas do comportamento denominam “reforçamento diferencial de outro comportamento”, técnica também conhecida pela sigla DRO. (Moreira e Medeiros, 2006, Catania, 1999). Esse procedimento caracteriza-se pela aplicação da extinção de um determinado comportamento, no caso específico do vídeo, o ato de chorar ou jogar-se ao chão, bem como o reforçamento de outros comportamentos da criança, como, por exemplo, brincar, sorrir, ficar quieta, etc. Diante da resposta, surgiram algumas críticas pertinentes aos pais, e, em especial às mães, que, atualmente não brincam mais com seus filhos, passam o dia trabalhando e os deixam nas mãos dos avós, babás ou ainda, nas creches em turno integral.

No que tange à manipulação da criança, relacionei este comportamento com o uso do termo consciência, explicando que nesse caso é possível não existir esse paralelo, já que essa criança provavelmente não é capaz de falar sobre os seus comportamentos ainda. De acordo com Skinner (1969), a consciência é entendida como a capacidade de descrição verbal das contingências que estão sob controle de um comportamento. Expliquei que as contingências modificam nossos comportamentos, mas não necessariamente, somos capazes de discriminar essa modificação. Aliás, de acordo com Skinner (1974), a maioria dos nossos comportamentos é inconsciente, ou seja, não ocorre essa discriminação. Passei então a explicar que a birra era relativamente comum nas crianças porque durante sua história de vida, seus comportamentos de choro eram seguidos de reforços como atenção, carinho, comida, água, etc. Assim, o chorar torna-se um comportamento bastante fortalecido em seu repertório comportamental.


Quando as crianças ficam maiores, são ensinados e reforçados outros comportamentos, entretanto, ao ser apresentado a extinção, tem-se no repertório da criança um comportamento que já foi bastante reforçado e apresenta-se como uma das primeiras alternativas da resistência: o chorar. O choro é aversivo para os pais, que, muitas vezes, chegam de seus trabalhos cansados, e, como forma de retirar esse estímulo aversivo do seu ambiente, cedem às vontades da criança, tendo seus comportamentos reforçados negativamente.

Considerando as críticas feitas aos pais que não querem mais brincar com seus filhos, fiz a reflexão acerca do papel social das mães, que, ainda hoje, são, na maioria dos casos, mais responsáveis pela criação das crianças, pelo menos na primeira infância. Durante os primeiros meses da criança, a mãe recebe uma licença maternidade pra ficar com seu filho e cuidar dele. Assim, é ela, e, na maioria das vezes, só ela é responsável por observar e dar o que ele quer. Às vezes, costuma-se pensar: muito justo, afinal de contas, é filho dela e ela não está trabalhando, enquanto o pai está. Quando os pais chegam a casa, desculpam-se de estarem cansados e, quando a criança chora, chamam a mãe. Ora, cuidar de crianças deve ser um trabalho bastante cansativo também, além do que, muitas vezes, podem ser mantidos em esquemas de reforçamento com alto custo de resposta e recebimento mínimo de reforços, possivelmente um esquema de razão variável com razões altíssimas. De acordo com Catania (1999), esquemas de razão com taxas muito altas ocasionam a diminuição da taxa de respostas, porque as taxas altas e contínuas passam a ser frequentemente interrompidas por grandes pausas pós-reforços.



Assim, o acúmulo de cansaço dessas obrigações e funções de mãe e dona de casa pode resultar no comportamento da mãe de olhar a criança e dar atenção a ela somente quando a criança chorar, pois enquanto ela está quieta, pode-se aproveitar o tempo e fazer algo pra si ou mesmo cuidar da casa. Assim, os comportamentos de chorar são reforçados continuamente, enquanto outros comportamentos como brincar, sorrir e ficar quieto só são reforçados em algumas ocasiões. Se por um lado, esses outros comportamentos tornam-se mais resistentes à extinção, por outro, o comportamento de chorar torna-se mais fortalecido. Ao mesmo tempo, o chorar pode ir adquirindo mais ainda a função de estímulo aversivo, pois ele pode acontecer no momento em que ela estava fazendo algo importante para si, tendo que parar a atividade para ver a necessidade da criança.

Quando acaba o período de licença maternidade, a mãe se depara com o fato de ter que voltar a trabalhar e se separar temporariamente da criança. Ao chegar a sua casa, muitas vezes, tem que cumprir com as mesmas obrigações do período de licença-maternidade, como por exemplo, brincar com o filho, que pede sua atenção. Além disso, tem que alimentá-lo, banhá-lo e ensinar tarefas da escola, caso já estude. Não são raras as vezes que escuto no consultório que só quem faz isso são as mães. Quando os pais vão até a clínica, no momento dessa pergunta, respondem: “as mães tem mais jeito pra essas coisas”.
Assim, muitas vezes, as mães cumprem jornadas duplas de trabalho, trabalhando e cuidando da casa e dos filhos, além do emprego. E o cansaço dessa jornada dupla pode ser ocasião para comportamentos de fuga e esquiva com relação aos choros e birras da criança. Entretanto, a “supermãe”, ou seja, a que cuida dos filhos, do marido, da casa e ainda trabalha fora é o que há de mais valorizado em nossa sociedade, principalmente nesse período, às vésperas do dia das mães. Diante disso, questiono: qual o valor cultural da supermãe?



Inicialmente, a valorização da supermãe parece ser o de parabenizar as mulheres que conquistaram o fato de poder trabalhar fora de casa e continuam cumprindo seu papel de mãe na sociedade, que é colocado como o de cuidar dos filhos. Mas, além disso, essa valorização pode cumprir função de esquiva para os homens, que, muitas vezes, diante das obrigações com os filhos, preferem que a mulher continue a cuidar deles. Além disso, o papel da supermãe pode, muitas vezes, ser enxergado como uma obrigação materna. A obrigação tem um teor de controle aversivo, podendo gerar, futuramente, subprodutos ligados a esse processo, como a diminuição da frequência de outros comportamentos e o aparecimento de respostas emocionais. Assim, essa prática cultural, apesar de ter consequências em curto prazo que a mantém, pode trazer consequências em longo prazo aversivas para as famílias. A partir da reflexão sobre a função social que o termo supermãe possui, lançamos aqui a discussão sobre possibilidades de mudança.

quarta-feira, 21 de março de 2012

É possível a determinação do comportamento não-verbal pelo comportamento verbal?


Segundo Skinner (1957) o comportamento verbal é um tipo especial do comportamento operante. O autor define esse tipo especial de operante como um comportamento cujas consequências que o mantém são mediadas pelo outro. Nesse sentido, o conceito de comportamento verbal não se restringe à fala, mas a toda e qualquer forma de comportamento que envolva a mediação da consequência do comportamento do falante pelo ouvinte, como a escrita, os gestos, as figuras, etc.


Ao discutir as possibilidades de alcance que o conceito de comportamento verbal poderia ter, Skinner questiona-se como o terapeuta comportamental pode lidar com o comportamento verbal na clínica. Essa questão vem sendo discutida até hoje por diversos autores analítico-comportamentais que atuam na área, e um dos pontos que tem sido alvo de estudos experimentais é a determinação do comportamento não-verbal por meio do comportamento verbal. De acordo com Catania (1999), a modelagem do comportamento verbal é uma técnica potente para modificar o comportamento humano.



Catania (1999) afirma isso com base em um estudo em que se demonstrou que o comportamento verbal modelado é acompanhado do comportamento não-verbal correspondente. Catania e cols. (1982) programaram dois botões que produziam o ganho de pontos por diferentes maneiras. Esses dois botões eram sinalizados por estímulos discriminativos diferentes e estavam disponíveis em momentos distintos. Em um, a contingência para ganhar pontos era por meio do esquema de razão randômica. No outro, vigorava o esquema Intervalo Randômico. Além disso, havia outra maneira para acúmulo de pontos, que era por meio de descrever como se ganhava pontos em cada botão. Essas descrições eram realizadas em uma folha de papel na qual se pedia para dizer qual a melhor forma de ganho de pontos em um determinado botão. Os comportamentos eram reforçados por meio de pontos recebidos. Na situação experimental, o dizer dos participantes foi reforçado de forma incongruente com contingência estabelecida, por exemplo, se em um botão vigorava o esquema razão randômica, a descrição modelada era a de pressionar devagar. Os resultados apontam que os estudantes modificavam o modo de pressionar conforme a modelagem das descrições do comportamento, havendo correspondência entre o dizer e o fazer. Assim, o que os estudantes diziam sobre seu comportamento era mais determinante do que as próprias consequências para a resposta de pressão dos botões.

Entretanto, de acordo com Catania e cols (1990) e Catania (1999), o comportamento verbal instruído ou governado verbalmente, seria relativamente insensível às suas consequências e é menos sistematicamente acompanhado pelo comportamento não-verbal correspondente. Assim, de acordo com esses estudos, quando o nosso comportamento verbal é modelado, o comportamento não-verbal acompanharia a modelagem, havendo uma correspondência entre o dizer e o fazer, o que implica na possibilidade da modificação do comportamento não-verbal na clínica por meio dessa técnica. Contudo, se são simplesmente oferecidas regras verbais aos clientes, não haveria necessariamente o acompanhamento do comportamento não-verbal, ou seja, não implica em mudanças.


Esses estudos, porém, foram questionados por alguns autores como Torgrud & Hollborn (1990). Eles modificaram a situação experimental de Catania e cols (1982, 1990), adicionando controle por esquema de reforçamento antes da modelagem do comportamento verbal. Torgrud e Hollborn (1990) replicaram o experimento de Catania e cols (1982), entretanto, a contingência para ganho de pontos por meio da modelagem da descrição verbal era inserida somente após os participantes já terem alcançado o máximo de pontos na contingência de pressão aos botões. Dessa forma, o controle do comportamento por meio do esquema de reforçamento já havia sido estabelecido. Os resultados indicam que mesmo as contingências de ganho de pontos serem opostas às contingências de descrição de ganho, os participantes continuaram a obter o máximo de pontos possível nessas contingências, sem correspondência entre o dizer e o fazer. Nesse estudo, a modelagem do comportamento verbal não modificou o comportamento não-verbal.

A área de estudos à qual pertencem os dois estudos discutidos acima, correspondência dizer-fazer, tem ainda muitos experimentos publicados sobre isso, e os resultados, em geral, apontam para que o dizer e o fazer sejam operantes diferenciados e sejam mantidos pelas consequências que os seguem. Entretanto, há alguns estudos como Catania e cols. (1982) e outros, que demonstram que a correspondência é possível em algumas situações, havendo, inclusive, modificação do comportamento não-verbal por meio da modelagem do comportamento verbal. De acordo com a análise do trabalhos citados, portanto, parece ser necessário a realização de mais estudos que demonstrem interações entre variáveis que controlam o comportamento não-verbal e variáveis que controlam o comportamento verbal. Esse parece ser um passo necessário para o aprimoramento do trabalho clínico analítico-comportamental.




Referências Bibliográficas

Skinner, B. F. (1957/1992). Verbal Behavior. Acton, Massachusetts: Copley.
Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, linguagem e cognição (4. ed.). Porto Alegre, RS: Artmed. (Original publicado em 1998)
Catania, A. C., Matthews, A. & Shimoff, E. (1982). Instructed versus shaped human verbal behavior: Interactions with nonverbal responding. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 38, 233-24
Torgrud, L.J. & Holborn, S.W. (1990). The effects of verbal performance descriptions on nonverbal operant responding. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 54, 273-291.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O caso Megaupload: um exemplo de contracontroles múltiplos.



Texto elaborado em conjunto com Renata Pinheiro!

Nas últimas semanas um acontecimento mudou algumas ferramentas da internet: as autoridades dos Estados Unidos retiraram do ar o site de compartilhamento de arquivos Megaupload e 18 sites afiliados.

O Comporte-se resolveu articular a notícia aos conceitos de coerção e contracontrole, propostos por Skinner (1953, 1974) e Sidman (1995), como forma de facilitar sua compreensão.
Sidman (1995) se refere à coerção como o uso ou ameaça da punição, ou, ainda, a “prática de recompensar pessoas deixando-as escapar de nossas punições e ameaças”, o reforçamento negativo. Skinner (1953) conceitua essas práticas de controle aversivo, pois gera repulsa e afastamento. De acordo com Sidman (1995) a coerção envolve três subcategorias de controle aversivo: a punição positiva, a punição negativa e o reforço negativo.

Segundo Skinner (1953), o ato de punir um comportamento envolve atos que tenham como objetivo diminuir a frequência dele e pode ser feita pela inserção de um estímulo aversivo no ambiente – no caso da punição positiva – ou pela retirada de um estímulo reforçador não-contingente do ambiente – no caso da punição negativa. O reforço negativo pode ocasionar surpresa ao ser relacionado à coerção, mas o conceito de reforço negativo está intimamente ligado ao conceito de punição, pois refere-se ao aumento da frequência de um comportamento por meio da retirada de um estímulo aversivo do ambiente. Assim, quando há a presença de um estímulo aversivo ou de uma prática coercitiva em um ambiente, geralmente se encontram também comportamentos de fuga ou esquiva.

Sidman (1995), em seu livro Coerção e suas implicações, afirma que a prática coercitiva é a prática dominante não só na sociedade, como chamou a atenção Skinner (1953), mas na própria natureza. O nosso corpo produz toxinas ao comermos algo estragado, e essas toxinas, por sua vez, geram dores estomacais que deverão servir de ocasião para o comportamento de evitar alguns tipos de alimentos. Dessa forma, é possível observar que muitos dos nossos comportamentos estão relacionados ao controle coercitivo, o que pode servir como base para entendermos porque o mesmo padrão é mantido em nossa sociedade.

Skinner (1953) discute e apresenta uma série de problemas envolvidos na prática da coerção. A punição é apresentada como uma técnica questionável, embora seja frequentemente utilizada. O autor ressalta que a punição tem o efeito imediato de supressão de um com portamento indesejável, o que acaba por reforçar o comportamento do agente punidor, o que implica no aumento das práticas punitivas. Além disso, o rápido efeito sobre o comportamento não é observado nas práticas reforçadoras, o que pode gerar uma falsa ilusão de vantagens na punição.

Falsa ilusão, porque, como advertiu Skinner (1953) e Sidman (1995), a punição ocasiona uma série de efeitos colaterais, como a eliciação de respostas emocionais, diminuição de outros comportamentos e o contracontrole – que será exposto a seguir -, além de que o comportamento punido, frequentemente, só diminui ou deixa de ocorrer na presença do punidor.

O contracontrole é o comportamento de escapar ao controle aversivo. Assim, há a presença desse fenômeno quando são observados comportamentos de pôr fim a um controle exercido por meio da coerção Nas palavras de Skinner:

“Os que são assim controlados passam a agir. Escapam ao controlador – pondo-se fora de seu alcance, se for uma pessoa; desertando de um governo; apostasiando de uma religião; demitindo-se ou mandriando – ou então atacam a fim de enfraquecer ou destruir o poder controlador, como numa revolução, numa reforma, numa greve ou num protesto estudantil. Em outras palavras, eles se opõem ao controle com contracontrole” (Skinner, 1974, pág 164).



O caso do megaupload é um bom exemplo social e recente para falarmos de controle aversivo e contracontrole. O site permitia fazer download gratuitamente de diversos arquivos como músicas, filmes, vídeos, etc. Existia também a possibilidade de pagar uma quantia mensal e obter uma forma mais rápida de download de arquivos ilimitados. O fechamento dele foi só a última parte. A história é bem mais longa e traz um processo constante de controle aversivo e contracontrole, e iniciou muito antes da própria criação do Megaupload.

Fica impossível localizar o fio da meada, mas será inicialmente exposta a expansão da mídia de CD’s e do seu alto preço no mercado. Um cd continha em média 10 a 15 músicas e o seu preço era em média, 15 a 20 reais e, dependendo do CD, poderia ser até mais caro! Essa situação funcionou como um controle aversivo para a população, em especial a de baixa renda, que não dispunha de dinheiro suficiente para investir nessa tecnologia, e por isso ficava privada desse tipo de lazer.

E agora? Fica visível o exemplo de coerção nessa história?

Paralelamente a isso, havia o desenvolvimento da internet e dos sites com possibilidade de cópia e download de arquivos gratuitamente. Assim, houve o desenvolvimento da pirataria dos CD’s. No início de uma forma mais tímida, com a venda de CD’s gravados em casas e vendidos a um preço mais acessível à população. Entretanto, essa gravação foi se multiplicando, de forma que hoje não seria exagero afirmar que quase toda residência faça downloads de arquivos diariamente.

A pirataria de CD’s pode ser interpretada, dessa forma, como contracontrole: o modo como as pessoas encontraram de escapar do controle aversivo pelo alto preço dos CDs. Devido ao avanço da pirataria, gravadoras e lojas de CD’s e DVD’s passaram a perder muito dinheiro. De acordo com o que foi publicado nos jornais, as autoridades americanas afirmaram que só o site de compartilhamento Megaupload causou US$ 500 milhões em perdas dos direitos de propriedade intelectual das companhias. Ora, o nosso comportamento de fazer downloads, mantido pelo reforçamento negativo de não perder dinheiro funciona como punição negativa para as gravadoras de CD’s, ou seja, eles também estavam sob contingências aversivas.


Nesse contexto, o primeiro tipo de reação observada foi a queda dos preços dos CD’s, ocasionando, inclusive, o fechamento de algumas lojas. No entanto, o reforçamento de ouvir músicas gratuitamente em casa era eficaz e o comportamento do consumidor não sofreu grandes variações após a queda dos preços. Logo, outras medidas foram tomadas, como a criação de leis anti-pirataria e a repressão em defesa dos direitos autorais. Mais uma vez, a população manteve seu comportamento de contracontrole. A coerção ficou, então, mais forte. Houve o fechamento do Megaupload, citado no início, e a prisão de três envolvidos, entre eles o fundador do site, Kim Schmitz. Tudo isso ocorreu em meio a uma polêmica nos Estados Unidos sobre dois projetos de lei antipirataria, o Sopa (Stop Online Piracy Act), que corria na Câmara dos Representantes, e o Pipa (Protect Intelectual Property Act), que era debatido no Senado. Ora, essas reações repressivas podem ser interpretadas como resistência à extinção, uma vez que as coerções exercidas não estavam mais surtindo efeito, o comportamento coercitivo dos donos de gravadoras não obtinha reforço.

Frente a esses projetos, muitos sites se manifestaram, entre eles, o site Wikipédia, interrompendo seu acesso no dia 18 de janeiro, e o Google, mascarando sua logomarca. O protesto foi chamado pelos manifestantes de apagão ou blecaute – e por nós, de contracontrole. Outro comportamento com a mesma função foi emitido por um grupo de hackers dos Anonymous: eles bloquearam temporariamente o site do Departamento de Justiça americano, do FBI, da produtora Universal Music, entre outros, na noite de 19 de janeiro. De acordo com os hackers, foi o maior ataque já promovido pelo grupo, com mais de cinco mil pessoas ajudando. Além disso, houve um aumento considerável do uso da rede de compartilhamento de arquivos P2P (peer-to-peer), que permite troca de arquivos entre PCs conectados.

Ademais, usuários do Megaupload que ficaram sem acesso aos seus arquivos após o fechamento do site planejam processar o FBI. De acordo com eles, as pessoas que tinham arquivos pessoais hospedados no site não estavam infringindo as leis do direito autoral. Outros serviços semelhantes ao Megaupload também tomaram algumas medidas para tentar escapar do mesmo destino do concorrente: declarações mostrando diferenças entre os serviços em uma tentativa de se distanciar das acusações de atividades ilegais, até o bloqueio de compartilhamento de arquivos (confira lista aqui).

Diante disso, pode-se observar uma infinidade de contingências coercitivas aplicadas socialmente. Como destacou Skinner (1953, 1974, 1987), a nossa sociedade é permeada de controle aversivo, o que gera comportamentos de fuga e contracontrole, muitas vezes, também de forma coercitiva, como é possível observar na descrição desse vai-e-vem de contingências aversivas descritas acima.


Referências

Terra Notícias. Disponível em < http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5579378-EI12884,00-Fechamento+do+Megaupload+leva+a+aumento+da+rede+PP.html>. Acesso em 29/01/2012.

Sidman, M. (1995). Coerção e suas implicações. São Paulo: Livro Pleno, 2004.

Skinner, B. F. (1974). Sobre o Behaviorismo. 15ª Ed. São Paulo: Editora Cultrix.

Skinner, B. F. (1953/2003). Ciência e Comportamento Humano. 11ª Ed. São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1953).

Skinner, B. F. (1987), What is Wrong with Daily Life in the Western World? in: Skinner, B. F. Upon Further Reflection. Englewood Clifs (New Jersey): Prentice Hall, p.15-31.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Artigo do Comporte-se obtém destaque em site dos Anonymous


É com grande entusiasmo que compartilhamos que o texto Quem são os Anonymous e como podemos analisar funcionalmente suas práticas obteve destaque no site Anonymous - we are a legion, administrado pelo coletivo! O artigo publicado no Comporte-se: Psicologia Científica há alguns dias apresenta uma análise do grupo enquanto contracontrole ao governo e suas práticas coercitivas. Esse reconhecimento é também da Análise do Comportamento enquanto ciência aplicada à compreensão de fenômenos sociais, pois demonstra a efetividade e valorização do conhecimento produzido por nossa comunidade! Acessem e confiram!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quem são os Anonymous e como podemos analisar funcionalmente suas práticas?

Texto elaborado em conjunto por Elayne Esmeraldo Nogueira e Esequias Neto




Quem são os Anonymous? Esta é a pergunta que tem tirado o sono do governo e da mídia nos últimos meses. Vários ataques a sites oficiais, sites de grandes empresas de mídia e de instituições financeiras tem sido atribuídos ao coletivo, que cada vez mais, vem ganhando a simpatia popular. Embora poucos saibam do que realmente estamos falando quando nos referimos a eles, uma coisa é certa: os Anonymous entraram para a história.

Este texto propõe uma visão analítico-comportamental das práticas dos Anonymous, e, porque não, da prática cultural “Anonymous”, partindo de uma análise skinneriana do contexto social em que vivemos e do surgimento desse grupo! Para isso, vamos começar falando das práticas culturais e das Agências de Controle na visão analítico-comportamental.

Skinner e as agências de controle

Skinner (1987) afirma que os grandes problemas sociais são fruto de práticas culturais de alguns grupos que são mantidas por consequências a curto prazo, mas que, a longo prazo, são desastrosas para um grupo maior de pessoas. Para a resolução desses problemas, o autor explica que, muitas vezes, propõe-se uma “conscientização”, ou seja, mostrar às pessoas que consequências seus comportamentos estão gerando. No entanto, muitas vezes a estratégia não é eficaz, pois quando se mostram as consequências contingentes aos comportamentos, elas já o controlam por uma história de reforçamento. O que dificulta ainda mais a mudança, é que quando se propõe agir de outra forma, os novos reforçadores ainda não estão presentes para controlar o novo comportamento.

O autor lembra ainda que, para seguir conselhos e sugestões de mudanças de comportamento, uma pessoa tem que ter em seu repertório o comportamento de seguir regras. Além disso, os conselhos oferecidos acerca de problemas sociais são descrições de consequências relativamente distantes da emissão de comportamentos, o que diminui a probabilidade de serem seguidos. Ressalta também que determinados comportamentos são ainda mais difíceis de serem modificados, pois embora apresentem consequências punitivas a longo prazo, no momento, são mantidas por consequências reforçadoras.

Dessa forma, Skinner (1987) propõe que sejam arranjadas contingências imediatas para controlar a emissão desses comportamentos. Ressalta que frequentemente isso é realizado pelas discussões éticas em nossa cultura, e alguns comportamentos que seriam naturalmente reforçados, passam a ser punidos socialmente, ao serem denominados de “vergonhosos”. Nesse sentido, Skinner sugere que os estudiosos do comportamento humano desenvolvam trabalhos que tornem capaz a predição e o controle dos comportamentos de pessoas em grupo, a fim de serem desenvolvidas soluções para os problemas sociais.

Skinner (1953/2003) dedica metade das sessões de seu livro Ciência e Comportamento Humano ao comportamento de pessoas em grupo, sendo uma delas destinada à questão das agências controladoras, que, segundo ele, são o governo, a religião, a psicoterapia, o controle econômico e a educação. Para o autor, essas agências controlam o comportamento humano de um modo especial, pois frequentemente são grupos mais organizados que o restante da população, exercendo sobre ela o poder de reforçar ou punir seus comportamentos. Em suas palavras:
“Uma agência controladora, juntamente com os indivíduos que controla, constitui um sistema social, (...) e nossa tarefa é dar conta do comportamento de todos os participantes. Dever-se-á identificar os indivíduos que compõem a agência e explicar porque têm o poder de manipular as variáveis que a agência emprega. E também analisar o efeito geral no controlado, e mostrar como isso leva à retroação reforçadora que explica a continuação da existência da agência.” (Skinner, 2006, p. 365).
Skinner (1953/2003) afirma que um dos grupos mais obviamente interessados no controle do comportamento humano são as agências governamentais. Historicamente, os governos agem de forma a aumentar ou diminuir a frequência dos comportamentos dos governados, criando teorias e princípios que justifiquem tal prática. O autor propõe a análise dos processos comportamentais pelos quais o governo exerce esse controle. Para isso, torna-se necessário o estudo e a análise do comportamento do governado e como esse comportamento mantém o controle por parte do governo.

Skinner traz que uma das principais formas de controle do comportamento humano por parte do governo é  se utilizando da punição, logo, uma vez que um grupo de pessoas esteja no poder, provavelmente, vai se utilizar da punição para aí se manter. É interessante notar que o uso da punição por parte do governo é uma técnica que se mantém há muito tempo, mesmo que o grupo que está nessa posição mude, posto que o que mantém o uso dessa técnica é comportamento dos governados. O efeito da punição é o de enfraquecimento dos comportamentos considerados inadequados para o governo. Dessa forma, o governo pune e seu comportamento de punir é reforçado positivamente pelo comportamento da população.

Diante do que foi apresentado, é possível observar que o controle exercido pelo governo em nossa sociedade é semelhante ao que descreve Skinner, apesar de sua descrição ter sido realizada na década de 50. A maioria dos atos governamentais visa uma diminuição dos comportamentos realizados em massa pela população. As greves e manifestações muitas vezes são enfrentadas pela polícia com o objetivo de dispersão popular. Outra prática relativamente comum aos governos é a extinção dos comportamentos populacionais de lutar pela resolução dos problemas. É possível observar, por exemplo que um sentimento de desilusão vem crescendo nas pessoas. As nossas formas de lutar não são consideradas, as nossas manifestações contra os atos governamentais não são ouvidas. Talvez, pelo que disse Skinner (1953): o governo e as outras agências de controle “(...) são geralmente mais bem organizadas que o grupo como um todo e, frequentemente, operam com maior sucesso”. Nesse sentido, é preciso que a população seja organizada para emitir o que Skinner denominou de contracontrole, que será exposto a seguir.


Contracontrole diante do controle exercido

Skinner (1953, 1974) adverte que o uso da punição ocasiona uma série de efeitos colaterais, como a eliciação de respostas emocionais, diminuição de outros comportamentos e o fato do comportamento punido muitas vezes só diminuir na presença do punidor. O autor chama a atenção ainda para um efeito colateral em especial: o contracontrole. O contracontrole é o comportamento do organismo de tentar escapar ao controle quando está sendo utilizada a coerção. Nas palavras de Skinner (1985)
“Os que são assim controlados passam a agir. Escapam ao controlador – pondo-se fora de seu alcance, se for uma pessoa; desertando de um governo; apostasiando de uma religião; demitindo-se ou mandriando – ou então atacam a fim de enfraquecer ou destruir o poder controlador, como numa revolução, numa reforma, numa greve ou num protesto estudantil. Em outras palavras, eles se opõem ao controle com contracontrole” (Skinner, 1974)
Diante disso, como analisar o comportamento do governo nos últimos anos e o surgimento dos Anonymous?

Anonymous como contracontrole



Segundo os próprios ativistas que se denominam Anonymous, seu objetivo é lutar contra a corrupção e contra o controle governamental e social que ferem os direitos humanos ou que causem sofrimento e dificuldades à maior parte da população mundial. De acordo com um vídeo¹ disponível no youtube, denominado o que são os anonymous e qual seu plano, 22 mil crianças morrem por dia devido à pobreza, situação que atinge 1 bilhão de pessoas no mundo. Paralelamente a isso, o armamento mundial cresce assustadoramente e foram gastos quase 1,6 trilhões de dólares em 2010, representando um crescimento de 50% desde 2001.

Para os Anonymous, as agências de controle "Governo", em todo o mundo, são responsáveis por esses dados. E é contra essas agências e seus atos que tentam lutar. Dessa forma, não é difícil comparar os anonymous ao conceito de contracontrole da Análise do Comportamento. Os primeiros ativistas inspiraram-se no filme “V de vingança” que traz uma célebre frase: “O povo não deve temer seu governo. O governo deve temer seu povo.”. O povo teme seu governo devido ao controle aversivo. Mas o governo é que deve temer seu povo, que tem o poder de contracontrole.

Os anonymous são famosos midiaticamente por hackearem sites do governo, entretanto, nem todos os atos que lhe são atribuídos são de sua autoria. Segundo os ativistas, quaisquer atos que venham a prejudicar uma massa trabalhadora fogem a seus objetivos e ideais. Os sites hackeados do governo cuja autoria é reivindicada pelos anonymous tem o objetivo de chamar a atenção da população para a corrupção e outros atos governamentais relacionados ao órgão responsável pelo site. Como exemplo desses sites, temos os ataques em 2010 às empresas de cartão de crédito, quando, na ocasião, essas empresas haviam bloqueado um site que divulgava informações comprometedoras do governo americano. Outro exemplo são os recentes ataques aos bancos brasileiros, cujo objetivo foi chamar atenção das pessoas aos cortes orçamentários e a corrupção em nosso país. Um outro exemplo das ações dos Anonymous no Brasil, foram os ataques realizados aos sites dos governos da Bahia e do Rio de Janeiro em apoio a greve dos policiais militares e bombeiros.

Entretanto, os anonymous não podem ser considerados simplesmente um grupo de hackers. Os ataques mencionados acima não constituem a maior parte de suas manifestações, apenas são as mais divulgadas pela mídia. As manifestações em prol da chamada “primavera árabe” tiveram grande apoio dos ativistas. Em nosso país, houve o apoio a diversas passeatas e protestos em diversos estados e cidades. Uma rápida busca no youtube com as palavras “Passeatas Anonymous” traz vídeos de vários destes protestos, que ao contrário do que aconteceu nos países árabes e no Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, não reuniu uma grande quantidade de pessoas. Aparentemente os Anonymous brasileiros não estão no mesmo ritmo dos americanos e europeus, que com ataques mais efetivos, tem promovido mudanças mais práticas na sociedade e gerado efeitos mais significativos em relação à mobilização social.

Há ainda um site criado pelos Anonymous brasileiros, o CorrupçãoLeaks, que foi desenvolvido com o objetivo de facilitar a denúncia de corrupção em nosso país. De acordo com os ativistas Hackers que coordenam o site, as denúncias devem ser enviadas junto a algum tipo de evidência ou prova que garanta a sua veracidade, para então, membros ligados aos Anonymous ou jornalistas parceiros possam investigar e tornar públicas as denúncias. O site está em plena atividade e várias investigações já estão sendo realizadas.

Nas ações mencionadas, é possível observar que os comportamentos dos anonymous podem ser analisados como contracontrole aos diversos controles exercidos pelos governos nos diferentes países. Tratam-se de tentativas de escapar ao controle aversivo e chamar a atenção da população à coerção presente em nossa sociedade. Nesse sentido, parece mesmo que os ativistas conhecem a visão de Skinner sobre o controle, que nos chamou a atenção de que quanto maior a organização e o número de pessoas de um grupo, maior é o seu poder. No caso dos anonymous, quanto maior for o número de pessoas reunidas sob esses ideais e quanto maior for sua organização, maior será sua capacidade de contracontrolar o governo.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pensando a corrupção como prática cultural

Olá leitores do comporte-se! O post de hoje é sobre um tema que muito me interessa, ainda mais se for para relacioná-lo à Análise do Comportamento: a corrupção! Cito, de início, meus alunos que fizeram um ótimo seminário acerca do tema, Costa e cols. (em citação oral, 17 de dezembro de 2011), e me deram inspiração para escrevê-lo para vocês hoje.


Primeiramente, é preciso definir o que é exatamente essa palavra tão debatida no Brasil e infelizmente tão presente quando o assunto é política.


De acordo com o site mundoeducação.com, corrupção vem do latim corruptus, que significaria quebrar em pedaços. O verbo corromper significaria tornar pútrido. Assim, ser corrupto pode significar “quebrar” o poder pra obter vantagens de forma ilícita, ou seja, agir contra a lei para benefício próprio. Ao analisar a origem da palavra, é possível observar que a corrupção poderia estar presente em atos corriqueiros dos brasileiros, como imprimir textos pessoais nos locais que trabalhamos sem o conhecimento da chefia ou mesmo ao passar à frente em uma fila. Essas práticas de se beneficiar ilicitamente por meio de favores encontram respaldo na denominada cordialidade, conceito definido por Buarque de Holanda (1936) como sendo parte da personalidade do brasileiro, que em linhas gerais, pode ser entendida como o tratamento privilegiado aos amigos e conhecidos. A cordialidade está vinculada ao conceito de patrimonialismo, existente desde os primórdios da história do Brasil, em que predomina a ideia de que as relações estabelecidas em âmbito privado se estendem ao domínio público.


Geralmente, entretanto, essa palavra é muito mais usada para designar ações de políticos que cometem crimes de desvios de dinheiro público ou outras formas de ganho de dinheiro ilícito. Talvez porque assumir que nossos atos corriqueiros sejam comportamentos de corrupção seja aversivo demais, o que ocasionaria o comportamento de fuga, que seria o de só denominar corrupção quando o ato está relacionado a atos políticos. Ou talvez porque o controle exercido pela corrupção política é muito grande. Vejamos por que:

Skinner fala em prática cultural em 1953, definindo-a como uma prática de grupo que produz um efeito sobre ele modificando o comportamento individual dos seus membros. Assim, a configuração de uma prática cultural está na repetição dos comportamentos por um determinado grupo e no efeito em comum que mantém esses comportamentos. A corrupção, a partir do apresentado no parágrafo acima, pode ser definida como uma prática cultural.
Essa prática vem ganhando bastante atenção dos brasileiros. Nos feriados nacionais de Independência e Proclamação da República de 2011, houve marchas contra a corrupção política em várias capitais do Brasil. Recentemente, começou uma minissérie global que apresenta a história de um presidente que luta contra as irregularidades na vida política do país. A nossa presidente atual vem ganhando popularidade pela forma como vem lidando com as denúncias de corrupção em seus ministérios. Há algum tempo que já não se aceitam práticas ilícitas de conseguir um “emprego” nas repartições públicas sem que isso seja motivo para repercussões populares de insatisfação.

Contracontrole, de acordo com Skinner (1953) é o ato de um indivíduo ou um grupo controlado se opor ao controle e escapar dele, seja por meio de comportamentos de fuga ou por comportamentos punitivos, como forma de diminuir o controle. Assim, contracontrole seria qualquer comportamento por parte do controlado que venha a reduzir o controle aversivo. Quando há estimulação aversiva, quaisquer desses comportamento são reforçados. Nesse sentido, as tentativas dos brasileiros de conhecer o que é corrupção, ser contra essas práticas e pedir uma maior fiscalização, podem ser compreendidas a partir da noção de contracontrole.

Skinner (1953) afirma ainda que o controle é mais poderoso quando realizado por duas ou mais pessoas que manipulam variáveis que produzem um efeito em comum sobre o comportamento. Ao dissertar acerca da agência controladora do governo, esse autor deixa claro que esse seria um controle poderoso, por ser realizado por um grupo de pessoas que estão no governo. Poder-se-ia falar ainda de contingências comportamentais entrelaçadas em alguns casos divulgados pela mídia em que há um grupo agindo conjuntamente para desvios de dinheiro. Ou seja, o comportamento de um poderia servir de ambiente pro comportamento do outro produzindo o ganho do grupo com o dinheiro ilícito.

Ora, se o controle aversivo das práticas de corrupção de um governo é mais forte porque é realizado a partir de um entrelaçamento de comportamentos, a população brasileira unindo-se como vem fazendo já há algum tempo, é capaz de produzir um contracontrole eficaz e diminuir a prática cultural da corrupção. Assim foi a lei da ficha limpa, lei que impediria a candidatura de políticos condenados por um tribunal. E assim estão sendo as marchas contra a corrupção. Fica aqui o ensejo de que nossas práticas de contracontrole à corrupção se desenvolvam ainda mais.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Orientação de pais: o que é e como fazer

Esse texto foi produzido em conjunto por mim e por Elayne Esmeraldo, nova colunista do comporte-se. Seja bem vinda, Elayne!

É de conhecimento de toda a psicologia que uma das principais fontes de instalação e manutenção de comportamentos das crianças são os pais. Não raro, em visitas a escolas de crianças atendidas no processo terapêutico ouvimos “ah, ela é assim por causa dos pais”. No entanto, sabemos que o contexto familiar é não o único a oferecer contingências que controlam o comportamento da criança. A família é uma agência de controle do comportamento humano, assim como a religião, a escola ou o governo, por exemplo (SKINNER, 1953).



A orientação de familiares das crianças atendidas em processo psicoterapêutico tem sido bastante pesquisada e aplicada durante as últimas décadas. Marinho (2000), em um texto intitulado “intervenção clínica comportamental com famílias”, descreve brevemente o percurso histórico dessa prática. A autora afirma que “treinamento de pais tem sido a estratégia para o tratamento do comportamento infantil disruptivo mais extensamente avaliada e ampliada nas últimas décadas” (p.140).

O treinamento de pais surgiu na década de 1960, a partir do modelo triádico de Tharp e Wetzel, no qual terapeuta ensinava os pais a serem mediadores na redução de comportamentos-problema (MARINHO, 2000). Observe que a própria idéia de trabalhar com a redução de comportamentos-problemas seguia a onda paradigmática da época: a modificação do comportamento. Aos poucos, novas pesquisas na área foram realizadas e essa ênfase foi se modificando.

Outros autores que se destacaram na área de treinamento parental foram Patterson e colaboradores, conhecidos hoje por suas extensas publicações na área. Com uma proposta de se trabalhar com crianças e adolescentes com problemas de conduta, os pesquisadores adotaram a prática de ir à casa das crianças como prática complementar ao trabalho de orientação aos pais (MARINHO, 2000). Vemos em nossa prática que ir à casa da criança pode ser um procedimento muito rico. Afinal, podemos observar alguns comportamentos em suas contingências naturais e criar uma operação motivadora para a participação dos pais na terapia de seus filhos. Marinho (2000) aponta ainda alguns programas de orientação aos pais mais utilizados. Gostaríamos de destacá-los aqui:

· No programa desenvolvido por Patterson e cols., o terapeuta ensina os pais a discriminar os comportamentos das crianças, a reforçar adequadamente comportamentos, a usar procedimentos de disciplina, a monitorar a criança e, enfim, a aplicar técnicas de solução de problemas.

· Hanf e Kling (1973) criaram um programa no qual os pais ficam num playgroud com as crianças e o terapeuta conduz as orientações com um aparelho de escuta, observando-os através de uma espelho unidirecional. As orientações são voltadas para atenção diferencial de comportamentos das crianças e para uso de regras claras com consequências apropriadas.

· Por fim, a autora cita Webster-Stratton (1990 e 1991), os quais criaram um programa com base em vários autores da área de orientação parental e em Bandura. Neste programa, os pais assistem a pequenos filmes de interações de pais com filhos.

Para um maior aprofundamento da área, recomendamos a leitura dos textos indicados nas referências. Gostaríamos de destacar que a própria Maria Luiza Marinho é autora de pesquisas e textos na área, principalmente no que concerne a orientação de grupos de pais. Existem outros programas brasileiros voltados para a orientação de pais, cabendo destacar aqui o programa de qualidade na interação familiar, de Weber (2011), e o Treinamento de habilidades sociais educativas para pais de crianças com problemas de comportamento (2006), de Pinheiro e cols.

Além desses, numa breve busca no google acadêmico, podemos encontrar artigos de orientação de pais voltados para demandas específicas e destacando o como fazer orientação de pais de crianças com câncer, de crianças com síndrome de Down, de crianças com dificuldades escolares etc. Realmente é uma área muito promissora e que tem crescido bastante no Brasil. Pretendemos fazer mais posts falando de algumas orientações específicas. Mas, agora, vamos falar um pouco sobre como procedemos nessas orientações.

Na orientação parental, explicamos aos pais a função dos comportamentos infantis e orientamos quanto às consequências de seus comportamentos com relação à criança. A partir do que é proposto pelos autores supracitados e por nossa prática clínica, é possível encontrar três pontos chaves que merecem uma maior atenção: 1) função do comportamento infantil, 2) comportamento dos pais frente aos comportamentos da criança e 3) a orientação de pais propriamente dita.

A função do comportamento infantil pode ser encontrada por meio de uma Análise Funcional bem feita. Segundo Matos (2000), a análise funcional consiste na identificação da função por meio da descrição dos antecedentes e consequentes. Em uma terapia infantil, os antecedentes e consequentes podem ser encontrados com auxílio da fala da mãe sobre a criança na anamnese, uma vez que os pais são o principal ambiente da criança, e também nos comportamentos emitidos pela própria criança durante o atendimento clínico. É importante ressaltar o comportamento de brincar, já citado anteriormente no post anterior da Natalie como “uma classe de comportamentos que permite a aquisição de novos repertórios, com um efeito significativo sobre o desenvolvimento” e, portanto, como uma importante fonte para análise funcional. Durante a sessão com a criança, é preciso construir um ambiente de confiança para que ela “simplesmente” brinque. E é no brincar, caracterizado como um comportamento com propriedades intrinsecamente reforçadoras, que a criança vai nos mostrar as contingências que a controlam. 

O comportamento dos pais frente ao comportamento da criança também pode ser observado durante a avaliação inicial. Podemos observar o que os pais falam da criança, dos comportamentos-problema delas e de suas reações diante deles, a topografia de seu comportamento enquanto falam, o sentimento de preocupação e medo expresso na clínica. Essas reações estão presentes na Análise Funcional e, muitas vezes, é delas que vamos falar em uma sessão de orientação de pais. 

Podemos ensinar aos pais o registro dos comportamentos das crianças, sempre incluindo em que situação ocorreu e o que foi feito depois. Além disso, um procedimento que utilizamos bastante é propor uma sessão conjunta da criança com os pais. Nessa sessão, podem ser indicados jogos, como um jogo de trilha humana, em que a criança e o familiar são as peças e jogam um dado grande para alcançar o objetivo final. Neste jogo, é possível propor diversas tarefas, isto é, situações de resolução de problemas, onde podemos observar a forma como os pais lidam com os comportamentos das crianças. Nestas sessões, a interação mãe-criança ocorre diante dos nossos olhos, facilitando a análise funcional e a intervenção. É preciso ressaltar ainda que o espaço dessas sessões não precisa ser necessariamente a clínica, sendo possível e indicado a visita à casa da criança e à escola, como forma de observação da interação entre pais, professores e alunos com criança e também como forma de interação efetiva do terapeuta com a essa criança.

A orientação propriamente dita também deve ser baseada na análise funcional. É necessário estar atento aos comportamentos de fuga emitidos pelos pais diante dos comportamentos-problema da criança. É com base nessas fugas que criaremos as estratégias de habilidades sociais (DEL PRETTE, 2005; DEL PRETTE & MEYER 2011) para falar sobre a relação mãe-criança de um modo que não seja contexto para comportamentos de fuga. Utilizar vídeos que mostrem modelos de interação pais e filhos, como a proposta de Webster-Stratton (1990 e 1991) apud Marinho (2008), é uma boa intervenção para mostrar aos pais que não existem “pais perfeitos”.

Ensinar aos pais a reforçar os comportamentos adequados de seus filhos é um procedimento que se repete em todos os modelos comportamentais de orientação parental e aumenta a probabilidade de eles utilizarem formas mais construtivas na educação de seus filhos. Além disso, é preciso identificar o repertório de enfrentamento de situações aversivas já presente nos pais para realizar orientações efetivas. Essa identificação deve ser feita juntamente com a análise funcional da criança, tanto na sessão de anamnese como em sessões conjuntas, nas quais pode ser observada a interação mãe-criança.

Enfim, não se pode dizer que a orientação de pais é fácil. A proposta parece ser bem simples, mas a complexidade do comportamento humano, algumas práticas culturais e a fuga de alguns familiares da participação na terapia atrapalham bastante o processo. Frases como “eu educo o meu filho da forma que meus pais me educavam”, ou “trabalho demais e não sobra tempo para cuidar bem de meus filhos”, ou ainda “eu digo e faço uma coisa, mas o pai e a avó vão lá e retiram” se repetem quase que diariamente no processo. Lidar com essas demandas e com a esquiva dos pais se configuram como novos desafios para as pesquisas na área.

Referências:

MATOS, M. A. Análise funcional do comportamento. Estudos de Psicologia, 6(3), 1999;
MARINHO, M. L. A intervenção clínica comportamental com famílias. Em: SILVARES (org.). Estudos de caso em psicologia clínica comportamental infantil. Volume 1. Campinas, SP:Papirus, 2000.

PINHEIRO, Maria Isabel Santos et al . Treinamento de habilidades sociais educativas para pais de crianças com problemas de comportamento. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 19, n. 3, 2006 Available from . access on 14 Dec. 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722006000300009.

SKINNER, B. F. Science and human behavior. New York: McMillan, 1953.

WEBER, L; SALVADOR, A.P.; BRANDEBURG, O. Programa de qualidade na interação familiar. Manual para aplicadores. 2 ed. Curitiba: Juruá, 2011.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Metacontingências em campo!


Olá! Esse post é de apresentação, tanto de mim como de um conceito que começará a ser tratado aqui no site: o de metacontingências! Começando por mim, sou Elayne, nova editora do Comporte-se e tenho muito interesse pelas áreas de práticas culturais e análise do comportamento, me propondo a escrever sobre o tema que vem sendo objeto de estudo de trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses, além de ser alvo de grandes debates na Análise do Comportamento (inclusive, registro aqui meu orgulho pelos trabalhos que fui membro da banca recentemente na Faculdade Leão Sampaio e versaram sobre o assunto).

A ideia do post surgiu de um  jogo de futebol assistido hoje pela manhã pelo meu marido: o jogo do Santos com o Barcelona. Vi alguns momentos do jogo e percebi o grande entrosamento tão comentado entre os jogadores do time do Barcelona. Não sou uma exímia entendedora de futebol, comecei a assistir mais e a me interessar pelos jogos há algum tempo atrás, tendo a ideia de relacionar o time do Barcelona ao conceito de metacontingências para iniciar os posts do tema com um exemplo atual!

"Prática cultural" é um termo que já foi tratado amplamente por Skinner, principalmente no livro Ciência e Comportamento Humano, em que dedica uma seção acerca do comportamento em grupo e escreve sobre controle cultural, governo, leis, família e outros temas relacionados à cultura de uma maneira geral. Skinner (1953, 1981, 1987) deixa claro a importância de uma análise da cultura, fenômenos e problemas sociais pela Análise do Comportamento, manifestando seu interesse em que outros analistas do comportamento se dedicassem a seu estudo. Em 1953, o autor, com relação ao tema da cultura e a análise do comportamento, afirma

“Aplicar nossa análise aos fenômenos é um modo excelente de testar sua adequação, e se formos capazes de explicarmos o comportamento de pessoas em grupos sem usar nenhum termo novo ou sem pressupor nenhum novo processo ou princípio, teremos demonstrado uma promissora simplicidade nos dados” (p. 326).

Em 1987, Skinner, em um artigo intitulado “Por que não estamos fazendo nada para salvar o mundo”, disserta sobre as origens dos problemas sociais e afirma que as pessoas procuram as causas dos problemas olhando para seus antecedentes, ao invés de olhar para as consequências produzidas pelas suas ações, ou ainda, substituem as ações das pessoas por explicações mentalistas como “isso é falta de responsabilidade” ou “não estamos usando nossa inteligência”. Para ele, práticas culturais desastrosas para a humanidade seriam frutos de ações de vários organismos conjuntamente com consequências trágicas a longo prazo, entretanto, mantidas por consequências a curto prazo para o comportamento individual.

Apesar dos estudos de Skinner acerca de problemas sociais e do seu pedido para que outros analistas do comportamento o fizessem, foi somente com a criação do termo metacontingências que o tema ganhou destaque nas publicações da Análise do Comportamento, sendo inclusive desenvolvido análogos experimentais para seu estudo. (Bullerjan, 2009; Costa, 2009; Nogueira, 2009; Amorim, 2010; Brocal, 2010; Gadelha, 2010; Vieira, 2010; Nogueira, 2010). O termo metacontingências foi primeiramente escrito em 1986, por Glenn, no famoso artigo metancontingências em Walden II, em que a autora faz uma análise cultural da novela utópica de Skinner. Para Glenn, uma metacontingência seria

“a unidade de análise que descreve a relação funcional entre uma classe de operantes, cada operante possuindo sua própria conseqüência imediata e única, e uma conseqüência a longo prazo comum a todos os operantes que pertencem à metacontingência. Metacontingências devem ser mediadas por contingências de reforçamento socialmente organizadas” (GLENN, 1986, p. 14).

O conceito, entretanto, passou por diversas modificações ao longo dos anos, estando hoje configurado com três termos bem descritos: contingências comportamentais entrelaçadas, as CCEs; o produto agregado, produzido pelo entrelaçamento das CCEs; e a consequência cultural, descrita por Glenn (2006) como a selecionadora das CCEs e do produto agregado. As contingências comportamentais entrelaçadas são caracterizadas pelo duplo papel que o elemento de uma contingência pode desempenhar, assim CCEs são caracterizadas quando o comportamento de uma contingência tem função de antecedente ou consequência para outra contingência, desempenhando um duplo papel. Glenn (Comunicação Pessoal, 07/06/2008) caracterizou ainda o termo culturante, fazendo um análogo ao termo operante, que seria formado pelo conjunto entre as contingências comportamentais entrelaçadas e o produto agregado. Assim, hoje, o termo metacontingência teria os seguintes elementos:



Fonte: Nogueira, 2010

Definido o termo, vamos agora ao exemplo do Barcelona, para facilitar a compreensão. Durante o jogo, pensei na trajetória recente do Barcelona, considerado hoje por comentaristas especializados em futebol o melhor clube do planeta, como uma metacontingência. Para formação do exemplo, vamos aos termos: as contingências comportamentais entrelaçadas poderiam ser pensadas como o comentado toque de bola dos jogadores do Barcelona. No jogos, é possível perceber que a quantidade de passes entre os jogadores é muito grande, além de ser considerado o grande trunfo do time. A posse de bola é sempre um marco nos jogos, chegando a atingir 75% no jogo de hoje pela manhã, contra o Santos. Apesar da equipe ter o considerado melhor atacante do mundo, o Messi, comentaristas do esporte espetacular afirmam que a principal estrela do time é a dinâmica entre os jogadores dentro de campo. (vídeo-reportagem – esporte espetacular, 18/12/11). O comportamento de tocar a bola de um jogador funciona como contexto para outro jogador receber a bola e tocar para o companheiro, sendo esses comportamentos reproduzidos até a finalização da jogada. Os gols e elogios do técnico e da torcida acerca do toque de bola seriam os reforçadores para o comportamento individual dos jogadores e o entrelaçamento está no duplo papel dos comportamentos nas contingências de toque de bola. Além disso, há o comportamento da equipe técnica que também pode ser entendido como contexto para o comportamento dos jogadores em campo.



O produto agregado seriam as vitórias produzidas pelo entrelaçamento do comportamento dos jogadores, além dos títulos mundiais alcançados pela equipe, como por exemplo, campeão da Liga dos Campões e campeão do mundial de clubes na vitória contra o Santos. No site do próprio Barcelona, encontram-se ainda dados como a conquista de 13 títulos em 3 anos e meio. De acordo com reportagem-vídeo do Esporte Espetacular (vista em 18/12/11) foram 60 jogos em 2011, com 43 vitórias, 12 empates e apenas 5 derrotas. O culturante, formado pelas CCEs (toque de bola entre os jogadores) e o produto agregado, gol e vitórias, pode ser muito bem representado pela fala do jornalista na reportagem do Esporte Espetacular (18/12/11) acerca de um dos gols no jogo da estreia da Liga dos Campeões: “4 jogadores, 9 toques de bola e um gol”, mostrando como iria ganhar o título desse campeonato.

Já a consequência cultural, que seleciona o entrelaçamento e o produto agregado, seria a repercussão desses títulos no futebol mundial, na torcida e na equipe técnica, ou seja, a aprovação desse modo de jogar futebol pela comunidade nacional e internacional. Como exemplo dessa aprovação, é possível citar comentários de Neymar, tido como principal revelação do futebol brasileiro, ao dizer que o jogo de hoje foi uma aula de como jogar futebol. Muricy Ramalho, técnico do Santos, afirmou que apesar da estratégia utilizada pela equipe do Barcelona ser criticada por alguns brasileiros, é uma característica que pode vir a ser adotada por clubes do Brasil, uma vez que vem mostrando ser capaz de atingir grandes vitórias. (comunicação pessoal, 18/12/11)


Referências Bibliográficas

Amorim, C. V. (2010). Análogos experimentais de metacontingências: efeitos da intermitência da conseqüência cultural. Dissertação de Mestrado, PUC – SP, São Paulo.

Costa, D. C. (2009). Dilema do Prisioneiro: efeito das consequências individuais e culturais sobre as escolhas de cooperação e competição. Dissertação de Mestrado. Universidade de Brasília, Brasília.

Brocal, A. L. (2010). Análogos experimentais de metacontingências: o efeito da retirada da conseqüência individual. Dissertação de mestrado, PUC – SP, São Paulo.

Bullerjhann, P. B. (2009). Análogos experimentais de evolução cultural: o efeito das consequências culturais. Dissertação de Mestrado. PUC-SP, São Paulo.

Caldas, R. A. (2009). Análogos experimentais de seleção e extinção de metacontingências.Dissertação de Mestrado. PUC-SP, São Paulo.

Esporte Espetacular - http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/ (acessado em 18/12/11)

Gadelha, T. C. (2010). Evolução cultural em análogos experimentais de metacontingências: seleção de diferentes produtos agregados. Dissertação de Mestrado, PUC – SP , São Paulo

Leite, F. L. (2009). Efeitos de instruções e história experimental sobre a transmissão de práticas de escolha em microculturas de laboratório. Dissertação de Mestrado. UFPA, Belém.

Nogueira C. P. V. (2009). Seleção de Diferentes Culturantes no Dilema do Prisioneiro: Efeito da Interação entre a Consequência Cultural, Escolhas Simultâneas ou Sequenciais e a Comunicação. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

Nogueira E.E. (2010). De Macrocontingências a Metacontingências no jogo Dilema dos Comuns. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

Skinner, B. F. (1981). Selection by consequences. Science, 213, 501-504.

Skinner, B.F. (1987). Why we are not acting to save the world. In Laboratório de Psicologia Experimental – PUC – SP (pp. 1-14).Skinner, B. F. (1953/2000). Ciência e Comportamento Humano (J. C. Todorov & R. Azzi, trads.). São Paulo: Martins Fontes.

Vieira, C. M. (2010). Condições antecedentes participam de metacontingências? Dissertação de mestrado, PUC – SP, São Paulo.