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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por trás dos tiros - Entenda o Bullying e as suas consequências.


A presente entrevista foi dada pelo Psicólogo Marcelo Souza, parte da equipe do Comporte-se para a construção de uma matéria sobre Bullying chamada "Por tras dos tiros" do Jornal Comunicação da Universidade Federal do Paraná - UFPA. (Abril, 2012)

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1. Embora o Bullying tenha se tornado um assunto de conhecimento geral, nem sempre os motivos dos agressores são conhecidos. Há algo que explique por que alguns jovens praticam esse tipo de violência?

R – Existem diversas variaveis que podem ajudar a entender essa questão. A motivação de um agressor pode ter diferentes funções. Sabemos que em muitos casos, o agressor obtem aprovação social e reconhecimento pelas agressoes no meio que está inserido e essa aprovação funciona como combustivel para que a violência seja continua e crescente. Geralmente o agressor é um individuo com baixa autoestima que encontra nas agressoes a um individuo menor ou mais fraco o reconhecimento social que não poderia ser encontrado de outra forma. Em minhas pesquisas e atendimentos, percebo que existem dois tipos de agressores.

O primeiro tipo é o agressor ativo, aquele que pratica a violencia, a provocação e a humilhação de outro individuo. O segundo tipo e o que eu considero mais cruel são chamados de agressores passivos. Eu chamo de passivos por que não participam diretamente da violencia, mas são aqueles que dão risada das piadas, e dão o reconhecimento social ao agressor gerando um ciclo interminavel de violência. Geralmente é um grupo grande que somado ao agressor ativo, acaba se tornando um exercito que deixa a vitima mais encolhida e com mais medo de reagir às provocações. Em tese não existe uma motivação que possa ser generalizada para todos os casos, mas o reconhecimento social da violencia está presente em grande parte dos casos.


2. Os agressores geralmente possuem características em comum ou algo que os torne bullies em potencial? É possível traçar um perfil para os agressores?

R- Como disse anteriormente, os agressores geralmente são pessoas com baixa autoestima, com problemas de autoconfiança, intimidade e notóriamente tem uma capacidade de empatia muito prejudicada. Não conseguem se colocar no lugar do outro e de fato em muitos casos podem até sentir prazer com as provocações e violência. Não é possivel determinar um perfil padrão que possa ser generalizável, pois cada agressor tem uma história de vida e vai ser nessa história de vida que iremos encontrar explicações sobre a motivação dele para a violência. Embora exista uma topografia de ação parecida em todos os casos de bullying, podemos dizer que existem funções diferentes a cada um dos agressores.


3. E quanto às vítimas, há como traçar um perfil geral?

R- As vitimas possuem algumas caracteristicas em comum. Geralmente são pessoas que possuem uma baixa assertividade e habilidades sociais prejudicadas. São calados, timidos e podem apresentar problemas mais intensos como a depressão e transtornos de ansiedade. O Bullying podem não ter ligação direta com o comportamento da vitima e sim com algum outro aspecto que ela possui. Podemos citar como exemplo, um nariz maior, uma orelha de abano, cor da pele e etinia nos casos de racismo ou outros problemas fisicos. Obviamente, não são todas as vitimas que vão apresentar as caracteristicas comportamentais ditas anteriormente, pois muitas outras variaveis influem como a resiliencia, tolerancia a frustração, capacidade de lidar com o sofrimento etc...


4. Quanto ao cyber bullying, por que esta forma é considerada mais violenta? De que forma a Internet pode "proteger" o agressor?

R- O Cyber Bullying é uma forma de violência relativamente nova que envolve a agressão e humilhação através da internet.  É considerada mais violenta por que a vitima não sabe de onde está vindo o ataque e ao invés de ter um agressor, pode-se ter dezenas ou centenas de agressores. Podemos pensar também que o alcance da internet é muito grande e com isso, mais humilhações podem ser adicionadas por pessoas que estão fora do convivio social da vitima aumentando então o poder destrutivo do Bullying. Um efeito interessante da internet é que as vitimas de bullying tem utilizado a internet para contra atacar os seus agressores contando com o anonimato que a internet proporciona.

Nesse caso, a vitima se torna agressor. O ambiente virtual protege a identidade e nesse ambiente não existe forte, fraco, timido ou calado, pois todos tem o mesmo poder de atacar sem possibilidade de contra ataque.
A vitima pode atacar um agressor muito maior se quiser e sua identidade vai ser preservada pelo anonimato. No Brasil não existe uma legislação especifica sobre Cyber Bullying, mas a justiça tem se empenhado em criar e desenvolver leis que protejam as pessoas de serem vitimizadas pela internet.


5. A Internet, por proporcionar o anonimato, tem aberto portas para que tipos de violência existentes no convívio social se estendam também para as redes sociais?

É notório que o Bullying e Cyber Bullying nos mostram algo muito maior que apenas a violência direcionada a uma vitima especifica. Mostra também que existe uma falta de dialogo entre pais e filhos, existe uma deficiencia de orientação na escola sobre valores éticos e morais e existe em nossa cultura uma permissividade inadmissivel em relação à violência. Episódios de humilhação, agressão verbal e agressão fisica se transformam em “brincadeira de criança”, pois não se tem a cultura de entender os problemas que tais “brincadeiras” causam a uma criança e posteriormente a um adulto.

A internet através do anonimato possibilita que um nivel muito maior de crueldade seja aplicado, pois quase sempre o agressor está protegido e a vitima está bem caracterizada. Muitas vezes a agressão pela internet tras, nome, telefone, numero de documentos e endereço da vitima, alem de ser crime passivel de prisão para o agressor, ainda expoe a vitma a mais violência. O Bullying e Cyber Bullying é a ponta do iceberg para uma realidade mais assustadora, a de uma cultura dominada por controle coercitivo e aversividade.


6. O senhor diz que algumas marcas ficam para a vida toda. O que é possível fazer é um "controle de danos". Como se dá esse controle?

Algumas marcas realmente ficam por toda uma vida. Uma criança vitima de violencia vai se transformar em um adulto com sérios problemas de autoestima e de relações pessoais pobres na imensa maioria dos casos. Pode se tornar uma pessoa calada, com medo da vida, muito introvertida com habilidades sociais muito baixas. Em grande parte dos casos, transtornos de humor como a depressão e transtornos de ansiedade como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e até transtorno de stress pós-traumático costumam se instalar nas vitimas, levando a uma vida de intenso sofrimento com necessidade de intervenção especializada como Médicos Psiquiatras e Psicólogos.

Podemos salientar que muitos agressores na vida adulta também foram agredidos na sua infancia. Na psicologia temos um ditado que diz que “nem todo abusado se torna um abusador, mas todo abusador já foi um abusado”. Isso quer dizer que essas crianças que estão sofrendo com os maus tratos hoje, podem se tornar potenciais agressores no futuro e com isso o ciclo de violência nunca para.

O controle de danos tanto para a criança, adolescentes ou adultos que estão sendo vitimas de agressões pode ser feito em tres frentes. A primeira é a notificação da vitima ou de seus cuidadores ao local onde as agressões estão ocorrendo. Se acontece na escola, os pais devem primeiramente notificar os diretores e cobrar providencias, se for no trabalho, os supervisores ou chefes devem ser notificados e assim por diante.  A segunda frente é a judicial. Caso exista agressão fisica, ameaças de morte, publicação de documentos, endereço ou fotos na internet, a policia deve ser notificada através de boletim de ocorrencia com representação ao Ministério Publico, para que o poder judiciário tome as medidas apropriadas.

A terceira frente é a da saude, como disse anteriormente, Transtornos de Humor e Transtornos de Ansiedade costumam se instalar nas vitimas e para que esses problemas sejam cuidados, é necessário um encaminhamento para tratamento psicológico e em muitas vezes o tratamento psiquiatrico com o médico.


domingo, 8 de abril de 2012

"Mas outra vez flores ?" Uma breve análise sobre contingências nos relacionamentos amorosos




Antes de qualquer coisa, gostaria que os leitores do Blog assistissem esse vídeo da turma do Chaves (clique aqui)

O episódio mostra uma situação em que o Kiko deixa o Prof. Girafales e D. Florinda em saia justa. O que o personagem Kiko fez foi demonstrar uma relação contingencial que estava sendo mantida por reforçamento mutuo.

A situação é que o Professor presenteia a Dona Florinda com rosas vermelhas e Dona Florinda responde lhe oferecendo café. No vídeo não fica claro, porém, todos que acompanham os episódios de Chaves (se você tem mais de 20 anos, é provável que já tenha visto todos os episódios. E com certeza, mais de uma vez) conhecem a relação do casal e sabem que o Prof. sempre chega à vila com rosas vermelhas e a D. Florinda sempre o convida para entrar e tomar um café.

Se pensarmos pelo lado da Dona Florinda, o comportamento de oferecer café é consequenciado por mais flores e mais visitas do professor, portanto, podemos dizer que as flores são reforçadores condicionados ao comportamento de oferecer café e abrir sua casa. É uma relação de reforço, pois o comportamento de um reforça o do outro e vice versa. O grande problema (se é que podemos chamar de problema) é que quando existe um padrão de comportamento único que reforça e também é reforçado, pode não haver variabilidade comportamental e com isso ter acesso a novos reforçadores. Dona Florinda foi condicionada a oferecer café e namorar com o Prof. Girafales toda vez que recebia flores e o professor foi condicionado a levar flores e com isso ganhar café e namorar com a D. Florinda.

Comportamento do Prof. Girafales

Estimulo Discriminativo
Resposta
Consequência

Olhar de apaixonada de D. Florinda quando se encontram na Vila.
Entregar flores
(vim apenas entregar um humilde presentinho)
Café e namoro com D. Florinda (R+)
(Você não quer entrar para tomar uma xícara de café?)

O consequente de entregar as flores acompanhadas do verbal, “só vim te trazer um humilde presentinho” tem como efeito o acesso a reforçadores primários (portanto poderosos) como comida e para os mais maliciosos, sexo.


Por outro lado, vamos fazer uma pequena análise funcional de 3 termos do comportamento da D. Florinda.

Estimulo Discriminativo
Resposta
Consequência

Olhar apaixonado do prof. Girafales assim que chega a Vila com Flores na mão para entregar a D. Florinda.
Recebe as flores e com isso o convida para entrar em sua casa para namorar e tomar um café.
(Mas não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?)
O professor aceita e lá vão os dois para dentro de casa para namorar e tomar um café.
Café e Namoro com D. Florinda (R+)

Todos os episódios do programa mostram o mesmo processo onde a chegada do professor a Vila com flores na mão elicia mesma resposta de D. Florinda, sendo consequenciado sempre da mesma forma e o comportamento de D. Florinda também é o mesmo frente à chegada do professor a Vila sempre consequenciando a presença e as flores com café.

O personagem Kiko prestando atenção a esse esquema de reforçamento, faz uma observação muito interessante quando o professor chega à vida e oferece as flores a D. Florinda, perguntando “mas outra vez flores?”.

Ao dizer isso, o personagem Kiko está criticando a topografia da resposta, sem se preocupar com a função que ela possui. Como alternativa Kiko sugere novas formas do Professor presentear sua mãe, como dar um chocolate, um relógio de ouro ou um carro de ultimo tipo. Claramente envergonhada, D. Florinda responde dizendo que o Kiko só está brincando e tenta retomar o mesmo padrão de comportamento que gera reforçadores importantes e faz o uso do conhecido bordão “Não quer entrar para tomar uma xicara de café”?

Kiko mais uma vez critica dizendo “outra vez café”? E encerra brilhantemente a critica dizendo, “ah, é por isso que ele só te trás flores”. O personagem Kiko mostrou claramente a contingencia em vigor no relacionamento da mãe com o professor e que incomodado com a topografia da resposta, sugere de forma bastante não assertiva (e hilária) que é importante à variabilidade para que novos reforçadores sejam produzidos e que a relação não caia na rotina que destrói muitos namoros e casamentos por ai.

O professor tenta variar o comportamento dizendo que não trouxe apenas as flores e D. Florinda também tenta variar dizendo que pode oferecer um chá ao invés do café. Porém, tanto o Professor quanto D. Florinda dizem que não querem a variabilidade naquele momento, e isso fica claro quando um diz “mas eu gosto de café” e o outro diz “ e eu gosto de flores”.

O mais interessante é que no fim do vídeo quando o professor diz que na verdade tem outra coisa além das flores, a D. Florinda faz uma expressão de surpresa, quase uma expressão de desaprovação, infelizmente o vídeo termina sem mostrar qual era a outra surpresa que o prof. Iria apresentar. Mas o importante é entender como a relação de reforçamento mutuo se deu por parte do casal e por que certos padrões de comportamento continuam sendo emitidos por toda a história do programa Chaves.


Fonte: Skinner, Burrhus Frederic - Ciência e Comportamento Humano - 11° Edição 2003

quarta-feira, 7 de março de 2012

O processo de Ensino e Aprendizagem

As teorias da aprendizagem estão longe de chegar a um consenso. À primeira vista, a definição do que é ensino e aprendizagem parece ser simples, mas existem profundas diferenças entre epistemologias das abordagens da psicologia e da pedagogia. Desde o século XIX suas definições tem sofrido muitas alterações e de fato, tem se dado ênfase as teorias baseadas em evidencias como o Behaviorismo seguido pelo Construtivismo e o Cognitivismo.

A luz do Behaviorismo Radical podemos dizer que todos os fenômenos humanos podem e devem ser entendidos como comportamentos, portanto, processos de ensino e aprendizagem também devem ser vistos como uma série de comportamentos que entrelaçados, geram uma conseqüência especifica que pode ser compreendida como a modelagem de novos repertórios comportamentais pelo educador em direção ao aluno que o absorve em forma de aprendizagem.

Dentro da psicologia de forma geral, existem diversas teorias e formas de se entender o processo de ensino e aprendizagem. Basicamente as explicações se devem mais a epistemologia da escola psicológica que a quer definir do que a leis gerais e amplas de entendimento aceitas por uma classe de profissionais, seja da psicologia, seja da pedagogia. Skinner define aprendizagem em seu artigo Are the Theories of Learning Necessary? (1950) como uma mudança na probabilidade de uma resposta especifica.

Diferentemente de algumas escolas da psicologia, Skinner não apenas considera o aparelho biológico do estudante, mas também considera que alem do aparato biológico (Variável Filogenética), existe um ambiente externo ao organismo que em determinadas condições, sejam elas planejadas ou não, ajudam ou atrapalham na instalação de novos repertórios e mudança nas taxas de resposta emitidas ( Variável Ontogenética e Variável Cultural ). Skinner então chamou a interação entre a variável filogenética, ontogenética e cultural de Níveis de Seleção do Comportamento.

A noção de interação constante entre organismo e ambiente está presente na obra de Skinner fazendo com que a sua teoria de aprendizagem se torne essencialmente interacionista e não ambientalista, e derruba criticas que apenas é baseada em eventos observáveis e com a noção de homem que apenas responde passivamente a estímulos como erroneamente tem se pregado em clara confusão entre a Teoria Behaviorista Metodológica de J. B. Watson (1878-1958) e o Behaviorismo Radical de B. F. Skinner (1904-1990).
A abordagem Skineriana como citado por HUBNER (1998) defende a escola como instituição facilitadora do ensino, pois para existir comportamento é necessário uma interação entre organismo e ambiente e dessa interação certos repertórios vão ser selecionados pelas suas conseqüências.

Para que haja uma maior eficiência na transmissão de repertórios comportamentais, a escola pode fazer a modelagem dos mesmos sem que seja essencialmente necessária a seleção por conseqüências, tornando o ensino mais rápido e efetivo.

O ensino é importante do ponto de vista cultural, pois o educador passa o conhecimento que já aprendeu e que foi passado de individuo para individuo historicamente de alguém que em algum momento não foi ensinado, portanto não precisando mais sofrer as limitações e dificuldades enfrentadas pelo primeiro organismo a ter seu repertório selecionado.

O processo de transmissão de conhecimento já não depende mais da tentativa e erro e da seleção por conseqüências, potencializando, portanto a instalação de repertórios comportamentais. Skinner diz que ensinar é o ato de facilitar a aprendizagem, no sentido de que quem é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não é (1972, p. 4).

Segundo HÜBNER, (1998) as contingências predominantes nas escolas, de acordo com a perspectiva comportamental (ou behaviorista) vêm afastando o aluno da sala de aula, no sentido de punir muito mais do que reforçar positivamente o que o aluno faz na direção do saber.
Essas contingências predominantes como nos diz HUBNER (1998) se referem a praticas de punição com baixa freqüência de uso de reforçadores positivos na pratica dos educadores. Tal uso indiscriminado de punição causa como efeito colateral uma evasão escolar cada vez mais alta com notável aversão ao ambiente escolar com alunos se utilizando de frases como “aprender é pouco legal, as aulas são chatas, os colegas não gostam de aprender etc...” como apontam CALDAS, 2000 e HÜBNER, 1998.

A Análise do Comportamento apoiada pela sua filosofia da ciência conhecida como behaviorismo Radical tem em seu corpo de conhecimento estratégias de ensino poderosas que podem de fato contribuir com o processo de aprendizagem.

Um dos maiores expoentes da psicologia da aprendizagem, Fred Keller propõe um ensino individualizado defendendo com isso que problemas comumente vistos dentro das escolas como a coerção e a punição sejam minimizados ou mesmo sanados. No contexto educacional, o controle aversivo pode desencadear tentativas de buscar alivio ou escapar desses estímulos que causam sofrimento (Skinner, 1990; Sidman, 1995; Oliveira, 1998). O contra controle aparece na tentativa de evitar e eliminar a estimulação aversiva e o comportamento de não aprender aparece, seja por fuga-esquiva, seja por agressão direta ao professor.

Para Skinner o professor é o responsável pelo ensino de repertórios comportamentais de forma mais rápida, eficiente e que se não for por modelagem direta, de certo não seriam aprendidos de outra forma. Segundo a abordagem comportamental o método mais eficiente de ensino é simplesmente arranjar contingências de reforço para o comportamento de aprender. Segundo os defensores dessa abordagem, o que falta nas escolas é o reforço positivo.

Criando-se condições mais favoráveis de ensino baseadas em reforço positivo e não em coerção, a tendência é que o processo de aprendizagem se torne mais efetivo por parte do aluno e mais prazeroso do ponto de vista do educador criando então um ambiente propicio para o processo ensino-aprendizagem adequado.

Segundo Skinner ( citado por Milhollan & Forisha; 1972) o papel principal da escola seria de acelerar o processo de transmissão de conhecimento modelando grande quantidade de respostas colocando o comportamento de aprender sobre numerosos controles de estímulos.
O educador baseado em uma estratégia comportamental tem a sua disposição ferramentas importantes capazes de aumentar a probabilidade do comportamento de aprender arranjando contingências adequadas ao ensino.

A análise do comportamento tem estabelecido leis gerais do comportamento que podem ser utilizadas a favor do educador como os procedimentos de reforçamento, os estudos sobre controle coercitivo, procedimento e efeitos colaterais da punição, controle de estímulos, equivalência, análise de contingências entre outros procedimentos facilitadores do processo de ensino-aprendizagem.

Alguns educadores têm como forma de ensinar um método de passar conhecimento e esperam que com isso os alunos o absorvam sem considerar que cada organismo é diferente e portanto precisa de ritmos, espaços, estratégias e tempos diferentes para aprender. Tal método que basicamente força o individuo a decorar aquilo que lhe é passado não é uma estratégia de ensino inteligente já que não é baseada em reforçamento positivo e sim em controle aversivo.

E como nos diz SIDMAN (1995), a coerção gera estados de contra controle e de fuga esquiva alem de estimular respostas alternativas às esperadas. Skinner brilhantemente fecha a questão de forçar o estudante a aprender por métodos coercitivos quando diz: “Você não pode impor felicidade. Você em ultima instancia, não pode impor coisa alguma. Nós não usamos a força! Tudo que precisamos é de uma engenharia comportamental adequada. (Skinner, 1948, p149)”

Referencias:

1. HÜBNER, M. M. C. . O Skinner que poucos conhecem: contribuições do autor para um mundo melhor, com ênfase na relação professor- aluno. Momento do Professor (UAM. Impresso), São Paulo, v. 2, n. 4, p. 44-49, 2005.

2. Skinner, Burrhus Frederic - Ciência e Comportamento Humano - 11° Edição 2003

3. HÜBNER, M. M. C. Analisando a relação professor-aluno: do planejamento à sala de aula. 2. ed. São Paulo: CLR-Balieiros, 1998.

4. Sidman, M. (1995). Coerção e suas implicações. Campinas, SP: Editorial Psy.

5. Bill E. Forisha, Frank Milhollan. Skinner X Rogers: Maneiras contrastantes de encarar a educação. 8 ed. São Paulo: Summus, 1978.

6- CALDAS, R. F.; HUBNER, M. M. C. O desencantamento com o aprender na escola: o que dizem alunos e professores. Psicologia: teoria e prática, 2000.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Controvérsias no uso da informatica na educação

O uso do computador e de suas mídias na escola é uma realidade que provavelmente não sofrerá alterações. A tendência é que a tecnologia participe cada vez mais da educação da criança. O papel da escola nesse âmbito é estar preparada para utilizá-la de forma mais eficaz possível , capacitando professores e desenvolvendo junto com a sua equipe técnica de pedagogos e psicólogos, um projeto pedagógico que englobe o uso de ferramentas tecnológicas.

Segundo GRISPINO (2005) “... a boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.”

Contudo, alguns pesquisadores e pensadores levantam também as conseqüências negativas no uso tão freqüente do computador em ambiente escolar. No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens (1996)”, o professor titular (aposentado) da Universidade de São Paulo ,do Departamento de Ciências da Computação , Valdemar W.Setzer, defende que a criança e o jovem aprendem com o uso do computador, porém o mesmo é uma maquina que foca em raciocínio matemático que vai ser definido por ele como lógico-simbólico.

Segundo o professor Setzer (1996), o computador deve ser usado com parcimônia, pois ninguém ainda se fez a pergunta “qual será a idade mínima em que os educadores devem forçar a criança a usar o raciocínio matemático e formal?”

Segundo o professor ,o uso do computador na escola com estudantes menores de 16 anos é prejudicial ao desenvolvimento do aprender, pois o computador força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. O professor fecha a questão dizendo “Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Podemos ainda levantar a questão de que o uso do computador de forma não contingente e sem um plano pedagógico adequado pode levar o aluno ao isolamento social, com claras implicações as relações interpessoais, muito importantes na infância.

O computador facilita o acesso e gerenciamento de informações com grande velocidade. Um dos pontos negativos da internet no ensino é que boa parte do seu conteúdo é de material sem importância para a educação e informações prejudiciais estão facilmente à disposição. É especialmente difícil,e até caro para as instituições educacionais, contratarem serviços especializados como filtros para bloquear web sites pornográficos e violentos, já que esses conteúdos podem desviar facilmente a atenção dos alunos do conteúdo educacionalmente relevante.

Em seu artigo “A educação no século XXI”, Klering & Arcaro defendem que existe uma dificuldade dos pais dos alunos em aceitar plenamente o uso do computador e da internet na educação. Os autores justificam essa dificuldade como um tipo de preconceito por parte dos pais, já que a tecnologia, dependendo do contexto, pode ser vista como uma pratica ruim que visa apenas tirar empregos dos homens e retirar o contato humano do ensino. Segundo os autores isso acontece por falta de contato com os computadores e de suas qualidades por pessoas que nunca tiveram essa oportunidade.

Ainda segundo o artigo, outro obstáculo é o treinamento técnico dos professores para o uso da informática. Não adianta o computador estar à disposição, com softwares construídos adequadamente se o professor não tiver treino para usá-lo.

Para solucionar tal problema, Klering e Acaro sugerem “... é necessário remodelar os cursos de licenciatura, incluindo em seus currículos disciplinas que ofereçam aos professores meios de reconhecer, avaliar e aplicar as possibilidades de uso dos computadores e da Internet na prática educativa.”

Segundo CHAVES (1983) “Fundamentalmente, a controvérsia maior ocorre entre os que defendem a utilização do computador basicamente como um instrumento de ensino e os que defendem a utilização do computador basicamente como uma ferramenta de aprendizagem.

Existem controvérsias no uso do computador na escola, porém, muitas das criticas se referem mais ao mau uso do computador por pessoas despreparadas do que pelo seu uso em si.

Mais pesquisas se fazem necessárias para estabelecer de fato os riscos e benefícios em colocar computadores nas salas de aula.

Fontes :
1- Setzer. V. W (1996) “Contra o uso de computadores por crianças e jovens”

2- Klering & Acaro - A internet do século XXI
(publicação de internet, visualizado em janeiro de 2012)
(disponível em http://ucsnews.ucs.br/ccet/deme/emsoares/inipes/ensino.html )


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que é a Análise Aplicada do Comportamento ?

A Análise Aplicada do Comportamento ou simplesmente AAC como defendido por Tourinho (1999) é uma subárea da Análise do Comportamento que é interligada a outras duas que seriam a Análise Experimental do Comportamento ou simplesmente AEC (uma ciência básica) e o Behaviorismo Radical (a filosofia da ciência que a embasa).

Ainda na definição de Tourinho (1999), a Análise Aplicada do Comportamento é a ciência aplicada e tecnológica que por sua vez seria o braço responsável por administrar conhecimentos produzidos pela Análise Experimental do Comportamento e produzir intervenções de relevância social. Para Tourinho (1999) tanto a Análise Experimental, Behaviorismo Radical e a Análise Aplicada não podem existir autônomas, por mais que seus representantes em determinadas vezes não consigam ver seus pontos de intersecção.

A Análise Aplicada do Comportamento, então seria o campo de ação com métodos planejados de intervenção dos analistas do comportamento. Com essa definição podemos localizar a AAC como a responsável pela aplicação dos conhecimentos nas áreas da psicologia tradicionais como a clinica psicológica, escolas, presídios, saúde publica ou organizações.

Segundo Carvalho Neto (2002) a Análise Aplicada do comportamento teria pelo menos duas funções vitais: (1) manter o contato com o mundo real e alimentar os pesquisadores na área com problemas comportamentais do mundo natural e (2) mostrar a relevância social de tais pesquisas e justificar sua manutenção e ampliação da área como um todo.

A batalha de Skinner contra o Mentalismo, em grande parte das vezes, tomou esse formato e um dos critérios que o autor defendia para avaliar a veracidade maior das asserções feitas pelos analistas do comportamento sobre os fenômenos comportamentais, estaria em sua capacidade de gerar uma efetiva tecnologia comportamental e com isso criar condições para se compreender e predizer o comportamento. (Carvalho Neto, 2001)

De modo geral a palavra “aplicada” vem gerando debates sobre qual é o significado dela quando utilizada por analistas do comportamento e na verdade quais são as praticas em que os analistas aplicados devem ou não se envolver (OLIVEIRA, 2003, pp. 349).

Ainda segundo OLIVEIRA (2003) existe diferenciações para o uso do “aplicada” e os debates se focam em torno de três tópicos, que foram organizados em a) aplicação enquanto prestação de serviço que leva a discussão para a prestação de serviço X pesquisa, assemelhando-se à forma como o termo “aplicado” é utilizado na linguagem cotidiana, b) aplicação enquanto uma forma de pesquisa que revela uma revisão do conceito de aplicação na linguagem cotidiana e sua extensão para atividades científicas, direcionando a discussão para o continuum pesquisa básica x pesquisa aplicada e c) aplicação enquanto atividade simultânea de pesquisa e prestação de serviço que sinaliza o caráter complementar destas atividades

O uso das tecnologias comportamentais apoiadas epistemologicamente no Behaviorismo Radical e produzidas pela Análise Experimental quando combinadas a produção de equipamentos de informática, levam a um material especifico que vai ser utilizado pelos analistas aplicados do comportamento em forma de serviços para a sociedade.

As leis e conceitos que regem os comportamentos humanos delimitados pelos analistas básicos geram subsídios para a aplicação de tais leis em âmbito social criando, portanto uma demanda publica para tais praticas. Obviamente existe uma correlação intensa e necessária entre a ciência básica (AEC) e a ciência aplicada (AAC).

A complementaridade entre a Análise Experimental do Comportamento e a Análise Comportamental aplicada é também defendida por Ferster (1979).

Segundo este autor, ambas podem estar preocupadas com os mesmos itens de conduta com objetivos diferentes. O profissional é obrigado a se engajar em qualquer problema que o cliente trouxer. Sua tarefa principal é melhorar a angústia.

Os profissionais se envolvem totalmente e geralmente não podem ser responsáveis por provar o que foi realizado. Por outro lado, psicólogos experimentais escolhem seu próprio chão, sendo solicitados apenas a olhar objetivamente e com clareza conceitual e a comunicar nos termos da ciência natural. (p. 23)

Referências :

Carvalho Neto, M. B. - Análise do comportamento: behaviorismo radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento (2002)

Carvalho Neto, M. B. (2001). B. F. Skinner e as explicações mentalistas para o comportamento: uma análise histórica conceitual (1931-1959). Tese de Doutorado, não Publicada, Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental. Universidade de São Paulo. São Paulo: SP.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Síndrome do Pânico - A sensação de morte iminente

Imaginem Rodrigo*. Ele tem uma vida normal. Estuda e trabalha na bolsa de valores de São Paulo. Um dia estava na academia, levantando pesos, e sentiu uma enorme vontade de sair correndo. Seu coração estava disparado e sentia falta de ar, uma angústia enorme e um medo de algo que nem ele mesmo sabia dizer o que era. Ficou desesperado, pois imaginou que iria ter um ataque cardíaco. Correu para o hospital e nada foi encontrado nos exames. Em poucos minutos, Rodrigo estava bem de novo, sem entender o que havia acontecido. (* Nome Fictício )


Relatos assim não são incomuns para Psicólogos e Psiquiatras. Definida como Síndrome do Pânico, tornou-se bem conhecida na década de 90. Passou a ser estudada em todos os seus aspectos e tornou-se possível entender seu funcionamento e formas efetivas de tratamento medicamentoso e psicoterápico.

O Transtorno do Pânico é diferente de outras formas de transtorno de ansiedade existentes, os sintomas são uma preparação biológica para fugir de uma ameaça iminente. Sabe-se que a Síndrome do Pânico é uma ativação dos sistemas de defesa do organismo, aparentemente sem nenhuma causa. Entretanto, ela tem, e são de fundo biopsicossocial; mas, muitas vezes, a pessoa não consegue entende-la.
A síndrome do Pânico se caracteriza por:
· Contração / tensão muscular, rijeza
· Palpitações / taquicardia (o coração dispara)
· Tontura, atordoamento, náusea
· Dificuldade de respirar ou respiração muito rapida ( Hiperventilação )
· Calafrios ou ondas de calor, sudorese
· Confusão, pensamento rápido
· Medo de perder o controle, fazer algo embaraçoso
· Medo de morrer
· Vertigens ou sensação de debilidade
· Terror – sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a acontecer e de que se está impotente para evitar tal acontecimento
· Sensação de “estar sonhando” ou distorções de percepção da realidade
Existem diversos subtipos de Síndrome do Pânico. Em algumas pessoas, aparece de forma “pura”; ou seja, sem outros sintomas. Mas existem pessoas que apresentam Síndrome do Pânico com Agorafobia (medo mórbido de lugares públicos ou situações em que seria difícil fugir se acontecer um ataque de Pânico). Pessoas com Síndrome do Pânico e Agorafobia são aquelas que se trancam e casa. Este é o subtipo mais comum da doença.
O tratamento da Síndrome do Pânico sempre é realizado em conjunto, pelo Psicólogo e Psiquiatra. Ele envolve medicação, que atua diretamente nos processos biológicos de ansiedade em nosso cérebro. Porém, a medicação sozinha não é eficiente, sendo a Psicoterapia, necessária para que o cliente aprenda a controlar suas crises e enfrentar seus medos.
Diversos estudos mostram que a junção do tratamento Psicológico e Psiquiátrico é mais eficiente do que qualquer um dos dois isolados. Por isso, é necessário que estes profissionais da saúde unam esforços, visando melhorar a qualidade de vida de seu cliente.
As Psicoterapias Comportamentais e Cognitivo-Comportamentais são as mais eficientes e são as mais indicadas para o tratamento de transtornos de ansiedade como a Síndrome do Pânico.

Atenção :
Caso conheçam alguém que possua sintomas da Síndrome do Pânico, é muito importante orientar esta pessoa para que ela procure um Psicólogo ou Psiquiatra qualificados para que seja realizada uma avaliação adequada e, caso o diagnóstico seja confirmado, iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Síndrome do Pânico é uma doença; não é loucura, não é falta de vergonha, como foi pregado no passado. Hoje sabemos que é uma doença que causa intenso sofrimento e que deve ser tratada o mais rápido possível para que a pessoa recupere sua alegria de viver sem estar sempre ansiosa e com medo de que as crises voltem.

domingo, 5 de junho de 2011

A contingência



Alguns leitores do Comporte-se têm me enviado emails pedindo que eu escrevesse um texto sobre um dos conceitos mais utilizados da Análise do Comportamento, o conceito de contingência e o porquê desse conceito ser tão importante dentro da abordagem analítico comportamental.

Como o Analista do Comportamento trabalha buscando compreender e intervir sobre as relações funcionais entre eventos, ele precisa de uma ferramenta que permita com que elas sejam descritas e explicadas de modo simples e claro, e uma das melhores ferramentas disponíveis para isso, é a Análise Funcional. A Análise Funcional é feita por meio da observação e esquematização da tríplice contingência, ou simplesmente, contingência.

Quando falamos em Tríplice Contingência, estamos falando de uma relação de interdependência entre estímulos e respostas, relação esta na qual um estímulo consequente a uma classe de respostas altera a probabilidade de emissão desta mesma classe de respostas no futuro em uma situação semelhante.

A Tríplice Contingência é a representação gráfica sobre como determinados comportamentos estão relacionados. É a formula usada pela Análise do Comportamento para estudar e entender como estes comportamentos se relacionam com os estímulos que os antecedem e com os estímulos que a eles se seguem.
Antes de qualquer coisa, é preciso diferenciar respostas (R) de comportamento (Sd – R – Sr+).

Resposta, quando falamos em comportamento operante, pode ser definida como tudo que é eliciado por um estímulo antecedente (que pode ser contextual, discriminativo, evocativo etc...) e produz uma conseqüência (reforço positivo, negativo, punição positiva ou negativa).

Comportamento é a relação entre estímulos antecedentes e conseqüentes a uma resposta É a relação entre todos os termos da contingência, inclusive a resposta.

Segundo Souza (2001, p.85), “o enunciado de uma contingência é feito em forma de afirmações do tipo se…, então” ou seja, podemos dizer como exemplo, se eu fizer X então vai acontecer Y.
No desenho abaixo podemos ver claramente um evento contingêncial.





O que acontece no desenho é algo bem comum para a maioria das mulheres. Mas será que é culpa do homem que tal comportamento foi modelado e mantido ?

Algumas operações acontecem quando uma resposta é emitida. Vamos analisar o caso.

O contexto do desenho parece ser de uma discussão entre um marido e sua esposa. A impressão é que a esposa está dando uma bela bronca, pois o marido joga as suas cuecas sujas no chão e em qualquer lugar da casa.

O homem fez uma pergunta muito pertinente: se as cuecas dele ao serem jogadas no chão aparecem limpas na gaveta, qual é o motivo para que ele jogue no cesto ?

Veja que a resposta de jogar a cueca em qualquer lugar foi reforçada positivamente pela esposa, pois a mesma a pegava, lavava e ainda guardava na gaveta. Uma contingência reforçadora foi criada fortalecendo a resposta de jogar a cueca no chão.

Graficamente, podemos colocar a contingência como:



Esses sinais apenas significam que dado um estímulo discriminativo (Sd), uma resposta ocorreu e essa resposta gerou uma conseqüência reforçadora. Essa conseqüência reforçadora ( Sr+ ) retroage na resposta de forma que a probabilidade de emissão de uma nova resposta parecida com ela seja maior. Para toda essa relação, se da o nome de contingência.

Vamos colocar esse conceito no desenho. O estímulo antecedente ou o contexto onde a resposta ocorre poderia ser, por exemplo, a hora do banho. Com esse contexto específico o marido tira a cueca e joga no chão, e logo em seguida, a mulher vem, pega a cueca suja, lava e ainda coloca na gaveta. Ao fazer isso, a mulher está dizendo ao marido: se você jogar a cueca suja no chão, ela vai aparecer limpa na sua gaveta.

No caso vamos pensar assim, se eu jogo a cueca suja no chão, então eu a tenho limpa na gaveta.

O que a mulher fez foi criar uma contingência reforçadora positiva para que o marido jogue a cueca no chão.
A esposa provavelmente descreve o marido como porco, ou muito folgado (e outros adjetivos não tão amigáveis). Porem o marido aprendeu a ser assim sendo modelado em função da contingência.

Dessa forma, no desenho usado como exemplo a esposa que está dando uma bronca no marido é diretamente responsável pelo comportamento de jogar cuecas sujas no chão. O comportamento que a esposa quer eliminar pode não ter sido criado na atual contingência, mas com certeza está sendo mantido por ela.

A contingência não é apenas o evento reforçador, mas todo o sistema que mostra como ou por que uma resposta foi dada, como se formaram repertórios comportamentais e como tais repertórios se mantêm no presente.

Em um próximo texto estaremos explorando mais outros conceitos da Análise do Comportamento.

Até lá

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A importância da estatística para o Psicólogo. Apresentando a estatística gráfica.

Em minha jornada profissional, tenho me deparado com muitos estudantes e até profissionais da psicologia que ignoram a presença da estatística como algo relevante em suas formações e vida profissional. Só entendem o verdadeiro valor da matemática quando já é tarde demais, e muitas oportunidades passaram ou pior, quando precisam urgentemente dela para tabular dados de uma pesquisa ou mesmo para colocar em gráficos uma freqüência de comportamentos X ou Y de seu cliente.

Para ler e se atualizar nas pesquisas mais avançadas da ciência psicológica então...



É muito comum ver vestibulandos dizerem coisas como “eu vou prestar psicologia por que não tem matemática...” alem de ser um absurdo prestar um vestibular que vai ser a futura profissão usando esse critério, ainda caímos em outro problema, à generalização de que a matemática ou a estatística não tem importância dentro da psicologia.

Nesse pequeno artigo, vamos falar um pouco sobre a importância da estatística para a psicologia e também apresentar a estatística gráfica e suas formas de aplicação.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Psicologia enquanto ciência?
Quando falamos em ciência, necessariamente estaremos falando em pesquisas e todos os seus métodos inerentes. Se estamos falando em pesquisa, precisamos ter um problema de pesquisa. Geralmente uma pesquisa é baseada em um problema e toda a metodologia é criada e refinada para tentar responder esse problema. Algumas hipóteses são criadas e testadas, para que se tenha um resultado confiável, é necessário estabelecer relações entre as hipóteses e se elas se confirmam ou se descartam ( de acordo com o método proposto pelo pesquisador para provar ou refutar uma hipótese ).
Para testar uma hipótese ou prever acontecimentos decorridos de um evento ( suas conseqüências ) se usa a estatística. Ela pode ser descritiva, inferencial etc.

De uma forma sintética, pode dizer-se que a estatística é um conjunto de técnicas apropriadas para recolher, classificar, apresentar e interpretar conjuntos de dados numéricos.
O profissional faz medições de um evento alvo e precisa avaliar essa medição de forma imparcial e segura. A matemática propicia isso através da estatística.
Ainda não sabem o valor da estatística para a psicologia?
Que tal essas perguntas:
1. Digamos que um psicólogo quer pesquisar uma determinada técnica. Como é que ele vai saber se tal técnica foi ou não eficaz para seus clientes?
2. Se estivermos pesquisando a eficácia de uma abordagem psicológica, como é que vamos organizar e interpretar os dados?
3. Se estivermos desenvolvendo um novo teste psicométrico ou mesmo tentando validar um já existente. Como é que se organizam todas as respostas dos clientes apresentadas no teste e como vamos saber se medem aquilo que se propuseram a medir?

A resposta é simples caros estudantes e psicólogos formados: ESTATÍSTICA

É a partir dela que conseguimos agrupar dados, interpretar dados e aplicar leis da ciência e com isso gerar informação e com isso desenvolver técnicas que funcionam e isso gera o aprimoramento da psicologia.

A estatística gráfica
A estatística gráfica é um recurso muito usado nas pesquisas de qualquer área do conhecimento e ela se propõe a permitir uma visão rápida e global de um fenômeno estudado. É importante dizer que os gráficos devem ser construídos de forma que evidenciem aquilo que se quer demonstrar de forma clara e que o observador consiga entender facilmente aquilo que se está mostrando. Porem para se ler um gráfico, é preciso conhecer um pouquinho do que é a matemática e a estatística e saber como elas entendem e registram um fenômeno estudado.
Existem diversas formas de se fazer um gráfico e cada uma delas é usada para uma situação especifica.

1 – Gráficos especiais para distribuições de freqüências:
1.1 – Representação gráfica da distribuição de freqüência de uma variável discreta ( tipo A )
Exemplo: O numero de erros de português encontrado em um artigo de física.


2 - Histograma
É a representação gráfica através de retângulos adjacentes onde a base colocada no eixo das abscissas corresponde aos intervalos das classes, e a altura é dada pela freqüência absoluta das classes. Exemplo:

Notas dos alunos do 3 ano da escola X – 1970



3 - Polígonos de freqüência
É a representação gráfica de uma distribuição de freqüências por meio de um polígono, onde os pontos são obtidos por perpendiculares traçadas a partir do ponto médio das classes, e de altura proporcional à freqüência de cada uma das classes. No caso de freqüência acumulada, os segmentos perpendiculares são traçados a partir dos limites superiores da classe. Em ambos os casos, o primeiro e o ultimo pontos são colocados de modo a manter a proporcionalidade do gráfico.

4 - Curvas de Freqüência
É a representação gráfica de uma distribuição por meio de uma curva regular, que procura acompanhar o mesmo traçado e a mesma área subentendida pelo polígono.

5 – Gráficos lineares ou de curvas
São gráficos em duas dimensões baseados na representação cartesiana dos pontos do plano. Servem para representar séries cronológicas, sendo que o tempo é colocado no eixo das abscissas e os valores observados no eixo das ordenadas.

6 – Gráficos em colunas ou barras
São representados por retângulos de base comum e altura proporcional à magnitude dos dados. Quando dispostos em posição horizontal, são denominados barras e quando dispostos em posição vertical, são chamados de barras.
Embora possam representar qualquer série estatística, geralmente são empregados para representar as séries especificas.
De acordo com a forma como é feito, o gráfico em colunas ou barras pode ser subdividido em:
6.1 - Colunas justapostas (podem ser juntas ou separadas)

O gráfico em colunas justapostas é aquele em que os retângulos são dispostos um ao lado do outro.
6.2 Colunas contrapostas ou opostas.

Existem muitas outras formas de representar graficamente algum tipo de dado que está sendo trabalhado, existem ainda os gráficos em círculos, 3d, gráficos de setores, gráficos polares, gráficos pictóricos etc. e cada um deles, vai ser utilizado para um tipo especifico de dado.

Esse pequeno artigo, não se propõe a apresentar todos eles, mas sim, introduzir que a estatística é muito importante dentro da psicologia e mostrar que os traços que vemos nos gráficos não são bichos de sete cabeças. Mas é preciso conhecer o mínimo de estatística para conseguir compreende-los e tirar proveito da informação que eles estão passando.
Para quem deseja ser pesquisador, digo que a matemática é fundamental. Talvez a estatística seja tão importante para um psicólogo quanto uma formação sólida em teorias e sistemas psicoterápicos. Infelizmente, os alunos que a ignoram, só vão perceber a falta que faz quando é tarde demais, e para correr atrás do prejuízo, vão precisar ralar muito.

Portanto caros psicólogos e estudantes de psicologia, estudem estatística com o mesmo empenho que estudam psicoterapia, pois a matemática é a língua universal, e na psicologia não é diferente. Nos comunicamos através da ciência e de pesquisas através de dados, gráficos e formulas matemáticas.

Então agora vou repetir a pergunta :

Ainda não entendeu a importância da estatística para a psicologia?

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* Fontes utilizadas nos exemplos e definições:
Princípios de Estatística: 900 exercícios resolvidos e propostos do Gilberto de Andrade Martins e Denis Donaire – Ed. Atlas ( 4 edição )