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terça-feira, 22 de maio de 2012

Fotos do 3º Encontro de Análise do Comportamento do Vale do São Francisco

O 3º Encontro de Análise do Comportamento do Vale do São Francisco aconteceu na cidade de Petrolina (PE) nos dias 20 e 21 de abril, no auditório da Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco. Contou com a participação de nomes importantes da Análise do Comportamento no Brasil como Sandro Iêgo, Carmen Bandini, Christian Vichi e Angelo Sampaio. O evento tem grande importância no que diz respeito à expansão da abordagem pelo Brasil, abrangendo regiões e atingindo pessoas que há poucos anos dificilmente teriam contato com as ideias skinnerianas.


O encontro de 2012, cujo tema era “Diálogos com outras teorias, disciplinas e profissões”, buscou intercâmbios e contribuições de outras áreas à Análise do Comportamento, mostrando não só como é possível o diálogo, mas também como ele pode beneficiar o prática profissional.

domingo, 13 de maio de 2012

[Entrevista Exclusiva] Carmem Bandini - O trabalho com crianças surdas

Entrevista concedida ao Comporte-se: Psicologia Científica por Carmen Bandini, durante o III Encontro de Análise do Comportamento do Vale do São Francisco, promovido pela UNIVASF - Universidade do Vale do São Francisco, Campus Petrolina. 


Carmem é Doutora em Filosofia pela UFSCar. Professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas e coordenadora do Núcleo Informatizado de Estudos da Linguagem, vinculado a Faculdade de Fonoaudiologia de Alagoas. Membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento Cognição e Ensino. Professora no Centro Universitário Cesmac de Maceió. Editora do periódico Acta Comportamentalia. Desenvolve pesquisas na área de programação de ensino e de aquisição de repertórios de leitura e escrita. 

Entrevista baseada na palestra: Intervenção profissional e pesquisa na interface com a Fonoaudiologia, realizada durante o III EAC do Vale. 

1. O seu trabalho é realizado em conjunto com profissionais da fonoaudiologia, entre outros. Diante disso, você poderia expor dificuldades ou facilidades que tenham surgido nesta relação com a fonoaudiologia e em que uma área tem a contribuir com outra? 

Algumas fonoaudiólogas tem me dito que a principal melhoria que elas tem tido com a apresentação da Análise do Comportamento no trabalho é a sistematização dos procedimentos. Parece que a fonoaudiologia tem um corpo muito grande de conhecimento na área, mas eles não são tão sistemáticos como a análise do comportamento pode ser. Então, eles tem ganhado muito com isso. O procedimento de ensino tinha uma lógica, mas não está fundamentada dessa forma. Agora, de nosso ponto de vista é total o ganho, por que a gente aprende a conhecer o universo do deficiente auditivo e outros universos e pode atuar de outra maneira com o nosso próprio trabalho. 

2. Se o erro não é parte necessária do processo de aprendizagem por inúmeras questões (respostas emocionais eliciadas, impedimento da ocorrência de novas respostas, etc), como ele pode ser evitado a partir de um planejamento de ensino individualizado? 

Na verdade, você tem vários procedimentos já disponíveis da Análise do Comportamento que podem favorecer a não ocorrência do erro. Por exemplo, os procedimentos de fade in e fade out de alguns estímulos, os procedimentos de exclusão, além de outras técnicas. Agora existe o corpo teórico que é necessário para realizar tais procedimentos e que vocês podem ter acesso. 

3. Em seu trabalho com crianças surdas (as que falam libras e as que usam aparelho auditivo), você disse ter adaptado os procedimentos para possibilitar o ensino adequado diante das necessidades advindas da perda auditiva. Como tem sido esse trabalho e a quais resultados tem chegado? 

Com esse procedimento, na adaptação tem sido utilizados os recursos de que a fonoaudiologia dispõe, o uso dos aparelhos auditivos para a amplificação do som e o uso do recurso do FM, que é um recurso bem conhecido dos surdos para melhorar isso. Já para usuários de libras é outra história, por que eles não estão dependentes do som, mas sim dos sinais. Então nós ainda não temos um corpo muito bem criado lá no laboratório para eles. Nós ainda estamos desenvolvendo um programa baseado nesse que eu mostrei. Os resultados tem sido bons, embora não sejam como desejávamos, pois talvez o ensino tenha sido mais difícil para essas crianças, mas alguns ajustes devem favorecer a aprendizagem delas. 

4. Você, ao fim da apresentação, falou da importância de o Behaviorista saber divulgar e fazer circular seu trabalho, melhorando a linguagem utilizada. Poderia, então, falar um pouco mais sobre o assunto para os leitores do Comporte-se? 

Eu acho que podemos fazer isso sem deixar de ser preciso e filosoficamente corresponder ao que o Skinner queria dizer – ou qualquer outro analista do comportamento que tenha vindo depois. Acho muito bom pararmos de falar uma linguagem que só a nós mesmos entendemos, com termos técnicos. É como se um engenheiro chegasse para a gente falando de uma estrutura de um prédio, por exemplo, que a gente não faz idéia do que seja. Ou ele fala numa linguagem em que possamos entender ou não se fala. Então algumas áreas do Behaviorismo são um pouco piores e acho que isso dificulta muito que as pessoas se aproximem dele. Há uma necessidade que a gente tenha uma veiculação um pouco mais simples e isso não simplifica o que se faz, apenas simplifica como se fala sobre o que se faz. É diferente. Acho que é isso. 

[Entrevista Exclusiva]: Sandro Iego - O Transtorno Obsessivo Compulsivo

Entrevista concedida ao Comporte-se: Psicologia Científica por Sandro Iego durante o III Encontro de Análise do Comportamento do Vale do São Francisco, promovido pela UNIVASF - Universidade do Vale do São Francisco, Campus Petrolina. 


Sandro Iego é especialista em Neuropsicologia e mestre em Medicina e Saúde pela UFBA. Doutorando em Processos Interativos dos Órgãos e Sistemas pela UFBA. Atua como psicólogo, neuropsicólogo e analista do comportamento com ênfase em Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Neuropsiquiatria e Psicoterapia Analítico-Comportamental no Instituto Baiano de Análise do Comportamento - IBAAC 

Entrevista baseada na palestra: Análise Funcional do Transtorno Obsessivo-Compulsivo: implicações clínicas e relações com a neuropsicologia 

1. Você, durante a discussão, citou características que são preditivas de um bom prognóstico para o TOC, principalmente relacionadas à família. Poderia citar mais características, as mais importantes e como elas podem influenciar de maneira positiva no tratamento? 

São características da família do paciente, como a acomodação familiar. Uma família que se acostuma com os comportamentos obsessivo-compulsivos do paciente e os reforça, provavelmente vai influenciar a termos um mau prognóstico no tratamento. A família pode ajudar o cliente no sentido de reforçar os comportamentos alternativos, ou seja, os de não-obsessão ou compulsão. Essa seria a estratégia mais interessante. 

2. Você falou da técnica de Exposição com Prevenção de Resposta (EPR) como a mais recomendada e que é considerada padrão-ouro para o tratamento do TOC. Quais as situações em que a EPR pode não ser tão efetiva e quais as alternativas para o tratamento? 

Quando você tem casos em que as compulsões são rituais encobertos, a EPR tem pouca efetividade. Quando temos casos de obsessões puras, não é tão recomendada. Também não é muito recomendada quando o cliente tem pouca motivação para o tratamento. O que a gente tem, na verdade, como alternativa seria uma adaptação do EPR para essas atividades. Por exemplo, na hora da prevenção da resposta, a gente poderia pedir para que o cliente fizesse outra coisa alternativa, como contar 200 menos sete. Aí contaria, 193, depois 186 e 179. Assim ele vai diminuindo. Fazendo isso, ele vai ter uma possibilidade menor de fazer um ritual encoberto, pois ele estará ocupado fazendo outra coisa. 

3. Durante sua apresentação, você “traduziu” termos utilizados na psiquiatria (obsessões e compulsões) para a linguagem analítico-comportamental, definindo-os como respostas. Sabe-se da dificuldade de contato da AC com outras áreas e disciplinas devido a questões terminológicas. Diante disto, você poderia falar mais a respeito da importância de definir comportamentalmente conceitos “mentais” e vice-versa? 

Talvez fosse mais interessante a gente conseguir traduzir, definir a nossa linguagem comportamental para uma linguagem que as pessoas possam compreender. Por que eu acredito que a forma que a gente fala em alguns momentos faz que nós sejamos mal compreendidos em nossas propostas. Então, saber traduzir o que as demais pessoas falam para a gente é mais fácil. Mas talvez o analista do comportamento precise ser melhor compreendido, o que eu acho que seria um grande desafio para a gente. 

4. Durante a apresentação, foram muito bem explicitadas causas biológicas e ontogenéticas para a aquisição de respostas obsessivo-compulsivas. No entanto, gostaria de saber mais acerca da relação entre práticas culturais que favoreçam o seu desenvolvimento. Existem dados a respeito desta relação? 

Existe o campo da etnopsiquiatria que estuda a manifestação clinica do Transtorno Obsessivo Compulsivo em diferentes culturas e, de um modo geral, parece que a sua manifestação clinica independe da cultura. Porém, a cultura em que as pessoas vivem influencia na forma em que o TOC vai se manifestar. Por exemplo, em uma cultura muito religiosa, o conteúdo religioso do TOC vai ter uma alteração. Mas parece que, de um modo geral, a manifestação clínica em relação aos sintomas que seriam a agressividade, colecionismo, rituais de limpeza, enfim, esses comportamentos não seriam muito modificados pela cultura. A questão é a expressão da manifestação.