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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por trás dos tiros - Entenda o Bullying e as suas consequências.


A presente entrevista foi dada pelo Psicólogo Marcelo Souza, parte da equipe do Comporte-se para a construção de uma matéria sobre Bullying chamada "Por tras dos tiros" do Jornal Comunicação da Universidade Federal do Paraná - UFPA. (Abril, 2012)

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1. Embora o Bullying tenha se tornado um assunto de conhecimento geral, nem sempre os motivos dos agressores são conhecidos. Há algo que explique por que alguns jovens praticam esse tipo de violência?

R – Existem diversas variaveis que podem ajudar a entender essa questão. A motivação de um agressor pode ter diferentes funções. Sabemos que em muitos casos, o agressor obtem aprovação social e reconhecimento pelas agressoes no meio que está inserido e essa aprovação funciona como combustivel para que a violência seja continua e crescente. Geralmente o agressor é um individuo com baixa autoestima que encontra nas agressoes a um individuo menor ou mais fraco o reconhecimento social que não poderia ser encontrado de outra forma. Em minhas pesquisas e atendimentos, percebo que existem dois tipos de agressores.

O primeiro tipo é o agressor ativo, aquele que pratica a violencia, a provocação e a humilhação de outro individuo. O segundo tipo e o que eu considero mais cruel são chamados de agressores passivos. Eu chamo de passivos por que não participam diretamente da violencia, mas são aqueles que dão risada das piadas, e dão o reconhecimento social ao agressor gerando um ciclo interminavel de violência. Geralmente é um grupo grande que somado ao agressor ativo, acaba se tornando um exercito que deixa a vitima mais encolhida e com mais medo de reagir às provocações. Em tese não existe uma motivação que possa ser generalizada para todos os casos, mas o reconhecimento social da violencia está presente em grande parte dos casos.


2. Os agressores geralmente possuem características em comum ou algo que os torne bullies em potencial? É possível traçar um perfil para os agressores?

R- Como disse anteriormente, os agressores geralmente são pessoas com baixa autoestima, com problemas de autoconfiança, intimidade e notóriamente tem uma capacidade de empatia muito prejudicada. Não conseguem se colocar no lugar do outro e de fato em muitos casos podem até sentir prazer com as provocações e violência. Não é possivel determinar um perfil padrão que possa ser generalizável, pois cada agressor tem uma história de vida e vai ser nessa história de vida que iremos encontrar explicações sobre a motivação dele para a violência. Embora exista uma topografia de ação parecida em todos os casos de bullying, podemos dizer que existem funções diferentes a cada um dos agressores.


3. E quanto às vítimas, há como traçar um perfil geral?

R- As vitimas possuem algumas caracteristicas em comum. Geralmente são pessoas que possuem uma baixa assertividade e habilidades sociais prejudicadas. São calados, timidos e podem apresentar problemas mais intensos como a depressão e transtornos de ansiedade. O Bullying podem não ter ligação direta com o comportamento da vitima e sim com algum outro aspecto que ela possui. Podemos citar como exemplo, um nariz maior, uma orelha de abano, cor da pele e etinia nos casos de racismo ou outros problemas fisicos. Obviamente, não são todas as vitimas que vão apresentar as caracteristicas comportamentais ditas anteriormente, pois muitas outras variaveis influem como a resiliencia, tolerancia a frustração, capacidade de lidar com o sofrimento etc...


4. Quanto ao cyber bullying, por que esta forma é considerada mais violenta? De que forma a Internet pode "proteger" o agressor?

R- O Cyber Bullying é uma forma de violência relativamente nova que envolve a agressão e humilhação através da internet.  É considerada mais violenta por que a vitima não sabe de onde está vindo o ataque e ao invés de ter um agressor, pode-se ter dezenas ou centenas de agressores. Podemos pensar também que o alcance da internet é muito grande e com isso, mais humilhações podem ser adicionadas por pessoas que estão fora do convivio social da vitima aumentando então o poder destrutivo do Bullying. Um efeito interessante da internet é que as vitimas de bullying tem utilizado a internet para contra atacar os seus agressores contando com o anonimato que a internet proporciona.

Nesse caso, a vitima se torna agressor. O ambiente virtual protege a identidade e nesse ambiente não existe forte, fraco, timido ou calado, pois todos tem o mesmo poder de atacar sem possibilidade de contra ataque.
A vitima pode atacar um agressor muito maior se quiser e sua identidade vai ser preservada pelo anonimato. No Brasil não existe uma legislação especifica sobre Cyber Bullying, mas a justiça tem se empenhado em criar e desenvolver leis que protejam as pessoas de serem vitimizadas pela internet.


5. A Internet, por proporcionar o anonimato, tem aberto portas para que tipos de violência existentes no convívio social se estendam também para as redes sociais?

É notório que o Bullying e Cyber Bullying nos mostram algo muito maior que apenas a violência direcionada a uma vitima especifica. Mostra também que existe uma falta de dialogo entre pais e filhos, existe uma deficiencia de orientação na escola sobre valores éticos e morais e existe em nossa cultura uma permissividade inadmissivel em relação à violência. Episódios de humilhação, agressão verbal e agressão fisica se transformam em “brincadeira de criança”, pois não se tem a cultura de entender os problemas que tais “brincadeiras” causam a uma criança e posteriormente a um adulto.

A internet através do anonimato possibilita que um nivel muito maior de crueldade seja aplicado, pois quase sempre o agressor está protegido e a vitima está bem caracterizada. Muitas vezes a agressão pela internet tras, nome, telefone, numero de documentos e endereço da vitima, alem de ser crime passivel de prisão para o agressor, ainda expoe a vitma a mais violência. O Bullying e Cyber Bullying é a ponta do iceberg para uma realidade mais assustadora, a de uma cultura dominada por controle coercitivo e aversividade.


6. O senhor diz que algumas marcas ficam para a vida toda. O que é possível fazer é um "controle de danos". Como se dá esse controle?

Algumas marcas realmente ficam por toda uma vida. Uma criança vitima de violencia vai se transformar em um adulto com sérios problemas de autoestima e de relações pessoais pobres na imensa maioria dos casos. Pode se tornar uma pessoa calada, com medo da vida, muito introvertida com habilidades sociais muito baixas. Em grande parte dos casos, transtornos de humor como a depressão e transtornos de ansiedade como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e até transtorno de stress pós-traumático costumam se instalar nas vitimas, levando a uma vida de intenso sofrimento com necessidade de intervenção especializada como Médicos Psiquiatras e Psicólogos.

Podemos salientar que muitos agressores na vida adulta também foram agredidos na sua infancia. Na psicologia temos um ditado que diz que “nem todo abusado se torna um abusador, mas todo abusador já foi um abusado”. Isso quer dizer que essas crianças que estão sofrendo com os maus tratos hoje, podem se tornar potenciais agressores no futuro e com isso o ciclo de violência nunca para.

O controle de danos tanto para a criança, adolescentes ou adultos que estão sendo vitimas de agressões pode ser feito em tres frentes. A primeira é a notificação da vitima ou de seus cuidadores ao local onde as agressões estão ocorrendo. Se acontece na escola, os pais devem primeiramente notificar os diretores e cobrar providencias, se for no trabalho, os supervisores ou chefes devem ser notificados e assim por diante.  A segunda frente é a judicial. Caso exista agressão fisica, ameaças de morte, publicação de documentos, endereço ou fotos na internet, a policia deve ser notificada através de boletim de ocorrencia com representação ao Ministério Publico, para que o poder judiciário tome as medidas apropriadas.

A terceira frente é a da saude, como disse anteriormente, Transtornos de Humor e Transtornos de Ansiedade costumam se instalar nas vitimas e para que esses problemas sejam cuidados, é necessário um encaminhamento para tratamento psicológico e em muitas vezes o tratamento psiquiatrico com o médico.


domingo, 29 de abril de 2012

O uso dos games¹ personalizados na clínica psicológica: uma possibilidade alternativa no processo de diagnóstico² comportamental.


O uso dos “games” com fins de entretenimento já é uma prática comum e bastante popular em diversos países. Uma pesquisa recente (2008) realizada nos EUA, aponta que 99% dos meninos e 94% das meninas americanas que possuem entre 12 e 17 anos, já jogou, pelo uma vez, video-games (Lenhart, Kahne, Middaugh, Macgill, Evans, & Vitak, 2008). No Brasil esta realidade não é muito diferente. De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado (2011) pela Newzoo, no nosso país existem pelo menos 35 milhões de jogadores ativos (estão inclusos nestes dados as plataformas mais recentes de jogos tais como smartphones e tablets). Todavia, o uso dos chamados “games” também tem crescido fora da indústria do entretenimento. Games hoje são, por exemplo, utilizados na educação (Ghensev,2010), na publicidade (Vaz, 2010), na medicina (Machado, Moraes ,Nunes, Costa,2011), dentre outros.

No campo de estudos da psicologia, o interesse pela temática do vídeo-game também parece ter crescido muito nos últimos anos. Embora este interesse, na maioria das vezes, esteja relacionado às patologias ligadas ao uso excessivo dos mesmos (vide a atual discussão sobre a inclusão do vício em vídeos-games no DSM-V), estudos relacionados aos benefícios que os vídeo-games podem trazer também tem sido realizados. Um exemplo destes estudos, é o realizado pela pesquisadora e Ph.D Rachael Folds, da Escola Trent de Educação da Universidade de Nottingham. O trabalho da pesquisadora mostrou que através do uso de vídeo-games pacientes com síndrome de Down e autismo conseguiram melhorar a concentração em até 143%.

Existem diversas aplicações e usos dos vídeo-games na Psicologia. Neste pequeno resumo tento explicitar os benefícios do uso dos games personalizados (isto é programados pelo próprio terapeuta) na clínica-psicológica como uma alternativa no processo de investigação e diagnóstico comportamental. Este trabalho deriva de uma experiência pessoal no atendimento de uma criança encaminhada a clínica psicológica sob queixas de dificuldades de aprendizagem.

Observar as interações de indivíduos com do vídeos-games, pode nos trazer dados interessantes a respeito do seu repertório. Ainda mais quando as habilidades exigidas para resolver certos tipos de problemas no game são as mesmas utilizadas para resolver os mesmo problemas em contextos fora do vídeo-game (jogos de lógica e matemática, por exemplo). 

As possibilidades do uso de games como recurso para o diagnóstico ampliam-se enormemente se o terapeuta puder, ele próprio, controlar as contingências presentes no jogo (decidir qual a história, os personagens, o que acontece, os objetivos e as diferentes conseqüências que o jogador, neste caso o cliente, terá dependendo de suas ações). Em outras palavras o terapeuta poderia personalizar o game exclusivamente para um cliente. Na minha experiência, por exemplo, com atendimento de uma criança de doze anos, após alguns contatos iniciais desenvolvi um game personalizado onde pude observar como era o seu repertório de comportamentos para resolução de problemas matemáticos. O jogo foi elaborado pensando no que era trazido como queixa (por parte da escola e da família), no que a própria criança verbalizava (em termos de dificuldades), e no que eu mesmo pude observar (ao longo das primeiras sessões).

A customização do game pelo próprio terapeuta pode parecer uma alternativa pouco viável visto que não deve ser “muito” alta a incidência de profissionais psicólogos que sejam também programadores. A boa notícia é que dada o infinidade de jogos computacionais disponível no mercado (e uma boa parte deles gratuitos) escolher entre os milhares de jogos e plataformas disponíveis, já é uma tarefa quase como “personalizar”. Se o terapeuta tiver um bom conhecimento dos recursos disponíveis no mercado, ele próprio pode escolher os games mais próximos daquilo que pode o auxiliar no processo de investigação diagnóstico. Para concluir este breve resumo, defendo a ideia de que se o uso for bem feito, os vídeos-games podem servir como uma alternativa bastante válida das tradicionais situações de “teste” que para a maioria de nós é tão aversiva.

¹Compreende-se por  “games”jogos eletrônicos, de consoles ou computador.
²Compreende-se o termo diagnóstico como diferente do usado na literatura médica.Entenda-se como “diagnóstico comportamental “o termo empregado por Kanfer F.H  e Saslow G (1976).

Bibliografia Consultada:

Ghensev, R. O uso dos games na educação . 2010. Dissertação (Pós-Graduação em Mídias Interativas.) - SENAC. São Paulo.

 Kanfer, F. H., & Saslow, G. (1976). An outline for behavioral diagnosis. In E. J. Mash & L. G. Terdal (Eds.), Behavior therapy assessment . New York: Springer publishing Company.

Lenhart, A., Kahne, J., Middaugh, E., Macgill, E. R., Evans, C., & Vitak, J. Teens, video games, and civics. Washington, DC: Pew Interenet & American Life Project.

Machado, L.S, Serious games baseados em realidade virtual para educação médica.  Rev. bras. educ. med.,  Rio de Janeiro,  v. 35,  n. 2, June  2011

Vaz, G.G. Estratégias da publicidade nos games de segunda geração: potencializarão nas redes digitais.2010.Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul

Sites:
Newzoo






segunda-feira, 12 de março de 2012

Acompanhamento terapêutico no contexto escolar: primeiras discussões

Nesse post, primeiro de uma série, vou falar um pouco do tema de minha dissertação do mestrado, ainda em andamento: Acompanhamento Terapêutico no ambiente escolar. No presente texto, abordarei a questão segundo a teoria analítico-comportamental, conceitualizando o acompanhamento terapêutico e escola.


O acompanhamento terapêutico é uma modalidade de atendimento individual, extraconsultório, geralmente realizada por estudantes ou profissionais de psicologia. Consiste em “abrir as portas” do consultório, acompanhando e intervindo nos repertórios do paciente no ambiente onde as contingências naturais que instalam e mantêm o comportamento operam. Tal prática tem suas raízes na Argentina, no final da década de 60, com o movimento antimanicomial, quando os pacientes passaram, progressivamente, a ser acompanhados fora do hospital, em ambientes como comunidades terapêuticas, ou em suas casas (GUERRELHAS, 2007).



No Brasil, tal prática surgiu na década de 70, com o auge da modificação do comportamento, e foi mudando o foco, na medida em que a intervenção comportamental passava a ser voltada para o autoconhecimento, análise funcional e relação terapêutica. Para Guerrelhas (2007), no atual contexto da terapia analítico-comportamental, o modelo clínico pode não ser suficiente para atender a todas as demandas psicológicas e, partindo deste pressuposto, o acompanhamento terapêutico aparece como uma alternativa para esse problema.

Como objeto de pesquisas e de trabalhos na área analítico comportamental, o acompanhamento terapêutico é relativamente recente, surgindo no final da década de 90 e predominantemente voltado para pacientes portadores de transtornos psiquiátricos graves (GUERRELHAS, 2007). Ao longo da última década, no entanto, os trabalhos na área parecem ter se multiplicado e há um livro em particular que gostaria de destacar. A clínica de Portas Abertas: experiências e fundamentação do acompanhamento terapêutico e da prática clínica em ambiente extraconsultório, organizado por Zamignani, Kovac e Vermes, em 2007. O livro fala sobre o histórico e a aplicação do acompanhante terapêutico em diversos casos, que vão desde sua atuação em equipes multidisciplinares até o trabalho com comportamentos pró-estudo.

Apesar do avanço, ainda não encontramos publicação sobre a prática do acompanhante terapêutico no ambiente escolar com um enfoque analítico-comportamental. Infelizmente, não tenho dados que demonstrem a quantidade de acompanhantes terapêuticos que trabalham em escola, mas basta frequentarmos algumas escolas para encontrar pelo menos um acompanhante terapêutico atuando na sala de aula, ajudando o processo de inclusão escolar de uma criança com dificuldades. O mais comum é o acompanhamento de crianças com Transtornos Globais de Desenvolvimento.

Uma prova disso é a seguinte: digite “acompanhamento terapêutico” + “escola” no google acadêmico e você certamente encontrará inúmeros artigos que falam sobre essa prática. A maioria, de ênfase psicanalítica, questionando ou corroborando a função inclusiva desse agente. Não colocarei em foco a discussão exclusão/inclusão nesse primeiro post: pretendo começar trazendo um pouco de minha experiência na área, e a articulando com as idéias de Skinner. Em outro post, pretendo realizar uma reflexão sobre o papel inclusivo desse agente.

A escola, para Skinner (1953), é uma agência de controle do comportamento humano. Não devemos entender esse conceito de controle a partir do senso comum. As agências de controle são formas organizadas de operar variáveis que controlam um grupo. Além disso, para que a escola seja uma instituição organizada e siga o princípio do reforçamento positivo na educação, é necessário o uso de avaliações e acompanhamentos individuais dos alunos (vide o programa de ensino individualizado, proposto por Keller e cols. em 1968). Encontramos aqui o primeiro ponto para discussão do acompanhamento terapêutico no ambiente escolar: uma avaliação individualizada.

Tendo deixado claro como me aproximo dos conceitos de acompanhamento terapêutico e de escola, inicio meu relato de experiência. É importante ressaltar que a maioria das crianças que acompanhei tinha como queixa principal a dificuldade de interação com os pares escolares, independente de seu diagnóstico. Com base nas referências em intervenção comportamental, busquei primeiramente realizar a linha de base dos comportamentos das crianças que acompanhei. A fase de linha de base consiste em descrever as relações funcionais do comportamento antes de qualquer intervenção (MARTIN; PEAR, 2009). Para tanto, foi imprescindível a realização de análises funcionais dos comportamentos da criança no ambiente escolar, ou seja, investigar as relações funcionais entre seus comportamentos e as variáveis que os instalaram ou os mantêm.

De posse da avaliação inicial, realizei o planejamento de algumas intervenções e apresentei para os pais da criança e para os educadores da escola. A maioria das intervenções eram voltadas para o fortalecimento de comportamentos de interação da criança com outras crianças e com os educadores no ambiente escolar. Sendo assim, meu papel era de mediadora das relações escolares da criança. Ou seja, eu criava ocasiões para que o comportamento de interação social da criança dentro da escola fosse fortalecido.

Essas intervenções não eram feitas apenas com a criança. Ou seja, eu não ficava isolada com a mesma na sala de aula. Realizava também intervenções com os educadores e com outras crianças. Por exemplo, no caso de uma criança que tinha dificuldade de participar da “roda de histórias”, eu, enquanto acompanhante terapêutica, pedi para que a professora contasse, um dia, a história predileta da criança. A professora começou a contar a história, o que selecionou o comportamento da criança ficar sentada até o final. No outro dia, a professora contou outra história, mas com elementos da história que a criança gostava. Gradualmente, a professora foi retirando (esvanecendo) os elementos da história e a criança passou a participar da roda.

Assim, o comportamento de participar da roda começou a ser fortalecido. Observe que tal intervenção envolveu também o planejamento na sala de aula. Dessa forma, eu ensinava a professora a planejar contingências, mas não a substituía, uma vez que a função do acompanhante terapêutico é a de promover a autonomia da criança acompanhada no ambiente escolar e não a dependência. Veja que uma boa relação com os educadores da escola deve ser essencial para o trabalho do A.T. Uma regra que eu costumava falar para os educadores era: “não estou aqui para te substituir. Nem para construir hierarquias com você. Estou aqui para tentar te ajudar no processo de inclusão do aluno. Dessa forma, trabalharemos em conjunto”.

E as outras crianças? O que pensavam do acompanhante terapêutico? Quais as maiores dificuldades enfrentadas? A “inclusão” era realmente realizada? Penso que quem leu esse post, ficou com essas perguntas na cabeça e outras mais. Tentarei respondê-las, incluindo as perguntas que vocês fizerem aqui, nos próximos posts. Gostaria muito da participação de vocês!


Referências

Guerrelhas, F. (2007) Quem é o acompanhante terapêutico: história e caracterização. Em: Zamignani DR, Kovac R, Vermes JS. A clínica de portas abertas. Santo André: ESETec.

Keller, F. S. (1968). “Good-bye teacher . . .” Journal of Applied Behavior Analysis, 1, 79-89.

Martin, G., & Pear, J. (2009). Modificação de comportamento: o que é e como fazer. Tradução organizada por N. C. Aguirre. 8ª Edição. São Paulo: Roca. (Trabalho original publicado em 2007).

Skinner, B. F. (2007). Ciência e comportamento humano. Tradução organizada por J. C. Todorov & R. Azzi. 11ª Edição. São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1953).

Zamignani DR, Kovac R, Vermes JS (2007). A clínica de portas abertas. Santo André: ESETec.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O processo de Ensino e Aprendizagem

As teorias da aprendizagem estão longe de chegar a um consenso. À primeira vista, a definição do que é ensino e aprendizagem parece ser simples, mas existem profundas diferenças entre epistemologias das abordagens da psicologia e da pedagogia. Desde o século XIX suas definições tem sofrido muitas alterações e de fato, tem se dado ênfase as teorias baseadas em evidencias como o Behaviorismo seguido pelo Construtivismo e o Cognitivismo.

A luz do Behaviorismo Radical podemos dizer que todos os fenômenos humanos podem e devem ser entendidos como comportamentos, portanto, processos de ensino e aprendizagem também devem ser vistos como uma série de comportamentos que entrelaçados, geram uma conseqüência especifica que pode ser compreendida como a modelagem de novos repertórios comportamentais pelo educador em direção ao aluno que o absorve em forma de aprendizagem.

Dentro da psicologia de forma geral, existem diversas teorias e formas de se entender o processo de ensino e aprendizagem. Basicamente as explicações se devem mais a epistemologia da escola psicológica que a quer definir do que a leis gerais e amplas de entendimento aceitas por uma classe de profissionais, seja da psicologia, seja da pedagogia. Skinner define aprendizagem em seu artigo Are the Theories of Learning Necessary? (1950) como uma mudança na probabilidade de uma resposta especifica.

Diferentemente de algumas escolas da psicologia, Skinner não apenas considera o aparelho biológico do estudante, mas também considera que alem do aparato biológico (Variável Filogenética), existe um ambiente externo ao organismo que em determinadas condições, sejam elas planejadas ou não, ajudam ou atrapalham na instalação de novos repertórios e mudança nas taxas de resposta emitidas ( Variável Ontogenética e Variável Cultural ). Skinner então chamou a interação entre a variável filogenética, ontogenética e cultural de Níveis de Seleção do Comportamento.

A noção de interação constante entre organismo e ambiente está presente na obra de Skinner fazendo com que a sua teoria de aprendizagem se torne essencialmente interacionista e não ambientalista, e derruba criticas que apenas é baseada em eventos observáveis e com a noção de homem que apenas responde passivamente a estímulos como erroneamente tem se pregado em clara confusão entre a Teoria Behaviorista Metodológica de J. B. Watson (1878-1958) e o Behaviorismo Radical de B. F. Skinner (1904-1990).
A abordagem Skineriana como citado por HUBNER (1998) defende a escola como instituição facilitadora do ensino, pois para existir comportamento é necessário uma interação entre organismo e ambiente e dessa interação certos repertórios vão ser selecionados pelas suas conseqüências.

Para que haja uma maior eficiência na transmissão de repertórios comportamentais, a escola pode fazer a modelagem dos mesmos sem que seja essencialmente necessária a seleção por conseqüências, tornando o ensino mais rápido e efetivo.

O ensino é importante do ponto de vista cultural, pois o educador passa o conhecimento que já aprendeu e que foi passado de individuo para individuo historicamente de alguém que em algum momento não foi ensinado, portanto não precisando mais sofrer as limitações e dificuldades enfrentadas pelo primeiro organismo a ter seu repertório selecionado.

O processo de transmissão de conhecimento já não depende mais da tentativa e erro e da seleção por conseqüências, potencializando, portanto a instalação de repertórios comportamentais. Skinner diz que ensinar é o ato de facilitar a aprendizagem, no sentido de que quem é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não é (1972, p. 4).

Segundo HÜBNER, (1998) as contingências predominantes nas escolas, de acordo com a perspectiva comportamental (ou behaviorista) vêm afastando o aluno da sala de aula, no sentido de punir muito mais do que reforçar positivamente o que o aluno faz na direção do saber.
Essas contingências predominantes como nos diz HUBNER (1998) se referem a praticas de punição com baixa freqüência de uso de reforçadores positivos na pratica dos educadores. Tal uso indiscriminado de punição causa como efeito colateral uma evasão escolar cada vez mais alta com notável aversão ao ambiente escolar com alunos se utilizando de frases como “aprender é pouco legal, as aulas são chatas, os colegas não gostam de aprender etc...” como apontam CALDAS, 2000 e HÜBNER, 1998.

A Análise do Comportamento apoiada pela sua filosofia da ciência conhecida como behaviorismo Radical tem em seu corpo de conhecimento estratégias de ensino poderosas que podem de fato contribuir com o processo de aprendizagem.

Um dos maiores expoentes da psicologia da aprendizagem, Fred Keller propõe um ensino individualizado defendendo com isso que problemas comumente vistos dentro das escolas como a coerção e a punição sejam minimizados ou mesmo sanados. No contexto educacional, o controle aversivo pode desencadear tentativas de buscar alivio ou escapar desses estímulos que causam sofrimento (Skinner, 1990; Sidman, 1995; Oliveira, 1998). O contra controle aparece na tentativa de evitar e eliminar a estimulação aversiva e o comportamento de não aprender aparece, seja por fuga-esquiva, seja por agressão direta ao professor.

Para Skinner o professor é o responsável pelo ensino de repertórios comportamentais de forma mais rápida, eficiente e que se não for por modelagem direta, de certo não seriam aprendidos de outra forma. Segundo a abordagem comportamental o método mais eficiente de ensino é simplesmente arranjar contingências de reforço para o comportamento de aprender. Segundo os defensores dessa abordagem, o que falta nas escolas é o reforço positivo.

Criando-se condições mais favoráveis de ensino baseadas em reforço positivo e não em coerção, a tendência é que o processo de aprendizagem se torne mais efetivo por parte do aluno e mais prazeroso do ponto de vista do educador criando então um ambiente propicio para o processo ensino-aprendizagem adequado.

Segundo Skinner ( citado por Milhollan & Forisha; 1972) o papel principal da escola seria de acelerar o processo de transmissão de conhecimento modelando grande quantidade de respostas colocando o comportamento de aprender sobre numerosos controles de estímulos.
O educador baseado em uma estratégia comportamental tem a sua disposição ferramentas importantes capazes de aumentar a probabilidade do comportamento de aprender arranjando contingências adequadas ao ensino.

A análise do comportamento tem estabelecido leis gerais do comportamento que podem ser utilizadas a favor do educador como os procedimentos de reforçamento, os estudos sobre controle coercitivo, procedimento e efeitos colaterais da punição, controle de estímulos, equivalência, análise de contingências entre outros procedimentos facilitadores do processo de ensino-aprendizagem.

Alguns educadores têm como forma de ensinar um método de passar conhecimento e esperam que com isso os alunos o absorvam sem considerar que cada organismo é diferente e portanto precisa de ritmos, espaços, estratégias e tempos diferentes para aprender. Tal método que basicamente força o individuo a decorar aquilo que lhe é passado não é uma estratégia de ensino inteligente já que não é baseada em reforçamento positivo e sim em controle aversivo.

E como nos diz SIDMAN (1995), a coerção gera estados de contra controle e de fuga esquiva alem de estimular respostas alternativas às esperadas. Skinner brilhantemente fecha a questão de forçar o estudante a aprender por métodos coercitivos quando diz: “Você não pode impor felicidade. Você em ultima instancia, não pode impor coisa alguma. Nós não usamos a força! Tudo que precisamos é de uma engenharia comportamental adequada. (Skinner, 1948, p149)”

Referencias:

1. HÜBNER, M. M. C. . O Skinner que poucos conhecem: contribuições do autor para um mundo melhor, com ênfase na relação professor- aluno. Momento do Professor (UAM. Impresso), São Paulo, v. 2, n. 4, p. 44-49, 2005.

2. Skinner, Burrhus Frederic - Ciência e Comportamento Humano - 11° Edição 2003

3. HÜBNER, M. M. C. Analisando a relação professor-aluno: do planejamento à sala de aula. 2. ed. São Paulo: CLR-Balieiros, 1998.

4. Sidman, M. (1995). Coerção e suas implicações. Campinas, SP: Editorial Psy.

5. Bill E. Forisha, Frank Milhollan. Skinner X Rogers: Maneiras contrastantes de encarar a educação. 8 ed. São Paulo: Summus, 1978.

6- CALDAS, R. F.; HUBNER, M. M. C. O desencantamento com o aprender na escola: o que dizem alunos e professores. Psicologia: teoria e prática, 2000.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Contribuições para um professor-cientista

Quando alguns fatores, como a baixa remuneração, a falta de estrutura física adequada para o ensino, uma formação acadêmica deficitária ou cheia de vieses políticos e outros entraves entram em cena é possível prever o que está por vir. Se levarmos em consideração o papel que o professor exerce em nossa comunidade, deveríamos dispor de todos os recursos possíveis a fim de garantir uma formação acadêmica adequada e a boa realização do seu ofício, mas estamos longe disso.

Apesar do desabafo inicial, o texto a seguir não se propõe a fazer uma discussão essencialmente política ou ideológica sobe as funções do professor, e sim apresentar de forma bastante sucinta as contribuições de B. F. Skinner para o papel do professor dentro de uma perspectiva cientifica de educação.


Em uma proposta científica para a educação, definir as funções do professor é um passo importante para um resultado final satisfatório. Em muitas de suas obras (1988/1991, 1984, 1981a, 1981b, 1973, 1968/1972, 1968, 1965, 1953/2007), Skinner traz contribuições interessantes sobre como o professor poderia atuar a fim de alcançar os objetivos educacionais visados pela comunidade onde a relação de aprendizagem está inserida.

Para Skinner (1972), o professor é o principal responsável por planejar as principais contingências de reforço a fim de “facilitar a aprendizagem”. Compete a ele formular os objetivos educacionais finais e intermediários e dispor as condições necessárias para que o aluno se comporte de acordo com os mesmos, de modo a produzir conseqüências que contribuam para a manutenção e instalação do comportamento emitido. Nesse sentido, o professor deve ter um bom planejamento de seus objetivos: “Apenas definindo o comportamento que queremos ensinar podemos começar a pesquisar as condições das quais ele é função e a planejar um ensino efetivo” (p. 173).

Segundo Zanotto (2000), o docente deve considerar aspectos relativos à história de vida do aluno a fim de conhecer o repertório que ele já possui e as variações da suscetibilidade aos reforçadores disponíveis na situação de ensino. Além de poder, caso seja necessário, planejar condições especiais de ensino. É importante que o professor entenda as condições sob as quais a aprendizagem ocorre a fim de tornar mais eficiente, não só no ensino da matéria e de habilidades almejadas, mas também no gerenciamento da sala de aula.

Uma tarefa também importante no trabalho do professor é arranjar contingências que favoreçam a generalização dos conteúdos e habilidades aprendidos na escola para um ambiente natural. A partir das contingências organizadas em sala de aula, é preciso preparar o aluno para que ele possa enfrentar as contingências naturais da vida. O professor deve agir no sentido de tornar o seu aluno cada vez mais independente. Conforme descrito por Skinner (1972): “quanto melhor o professor, mais importante é que ele liberte o aluno da necessidade de auxílio instrucional” (p. 136).

Agradecimentos à Maria Ester Rodrigues e Natalie Brito pelas correções e comentários.

Referências Bibliográficas:

Skinner, B. F. (2007). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. Publicação original de 1953.
Skinner, B. F. (1991). Questões Recentes na Análise do Comportamento. Campinas: Papirus. Publicação original de 1988.
Skinner, B. F. (1984). The shame of American education. American Psychologist, 39, 947-954.
Skinner, B. F. (1981a). How to discover what you have to say -- A talk to students. The Behavior Analyst, 4 (1), 1-7.
Skinner, B. F. (1981b). Innovation in science teaching [Letter to the editor]. Science, 212 -283.
Skinner, B. F. (1973). The free and happy student. New York University Education Quarterly, 4(2), 2-6.
Skinner, B. F. (1972). Tecnologia do ensino. Tradução de Rodolpho Azzi. São Paulo: EPU. Publicação original de 1968.
Skinner, B. F. (1968). Teaching science in high school -- What is wrong? Science, 159, 704-710.
Skinner, B. F. (1965). Why teachers fail. Saturday Review, 48, 80-81, 98-102.
Zanotto, M. L. B. (2000). Formação de Professores: A contribuição da Análise do Comportamento. São Paulo. EDUC.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Controvérsias no uso da informatica na educação

O uso do computador e de suas mídias na escola é uma realidade que provavelmente não sofrerá alterações. A tendência é que a tecnologia participe cada vez mais da educação da criança. O papel da escola nesse âmbito é estar preparada para utilizá-la de forma mais eficaz possível , capacitando professores e desenvolvendo junto com a sua equipe técnica de pedagogos e psicólogos, um projeto pedagógico que englobe o uso de ferramentas tecnológicas.

Segundo GRISPINO (2005) “... a boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.”

Contudo, alguns pesquisadores e pensadores levantam também as conseqüências negativas no uso tão freqüente do computador em ambiente escolar. No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens (1996)”, o professor titular (aposentado) da Universidade de São Paulo ,do Departamento de Ciências da Computação , Valdemar W.Setzer, defende que a criança e o jovem aprendem com o uso do computador, porém o mesmo é uma maquina que foca em raciocínio matemático que vai ser definido por ele como lógico-simbólico.

Segundo o professor Setzer (1996), o computador deve ser usado com parcimônia, pois ninguém ainda se fez a pergunta “qual será a idade mínima em que os educadores devem forçar a criança a usar o raciocínio matemático e formal?”

Segundo o professor ,o uso do computador na escola com estudantes menores de 16 anos é prejudicial ao desenvolvimento do aprender, pois o computador força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. O professor fecha a questão dizendo “Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Podemos ainda levantar a questão de que o uso do computador de forma não contingente e sem um plano pedagógico adequado pode levar o aluno ao isolamento social, com claras implicações as relações interpessoais, muito importantes na infância.

O computador facilita o acesso e gerenciamento de informações com grande velocidade. Um dos pontos negativos da internet no ensino é que boa parte do seu conteúdo é de material sem importância para a educação e informações prejudiciais estão facilmente à disposição. É especialmente difícil,e até caro para as instituições educacionais, contratarem serviços especializados como filtros para bloquear web sites pornográficos e violentos, já que esses conteúdos podem desviar facilmente a atenção dos alunos do conteúdo educacionalmente relevante.

Em seu artigo “A educação no século XXI”, Klering & Arcaro defendem que existe uma dificuldade dos pais dos alunos em aceitar plenamente o uso do computador e da internet na educação. Os autores justificam essa dificuldade como um tipo de preconceito por parte dos pais, já que a tecnologia, dependendo do contexto, pode ser vista como uma pratica ruim que visa apenas tirar empregos dos homens e retirar o contato humano do ensino. Segundo os autores isso acontece por falta de contato com os computadores e de suas qualidades por pessoas que nunca tiveram essa oportunidade.

Ainda segundo o artigo, outro obstáculo é o treinamento técnico dos professores para o uso da informática. Não adianta o computador estar à disposição, com softwares construídos adequadamente se o professor não tiver treino para usá-lo.

Para solucionar tal problema, Klering e Acaro sugerem “... é necessário remodelar os cursos de licenciatura, incluindo em seus currículos disciplinas que ofereçam aos professores meios de reconhecer, avaliar e aplicar as possibilidades de uso dos computadores e da Internet na prática educativa.”

Segundo CHAVES (1983) “Fundamentalmente, a controvérsia maior ocorre entre os que defendem a utilização do computador basicamente como um instrumento de ensino e os que defendem a utilização do computador basicamente como uma ferramenta de aprendizagem.

Existem controvérsias no uso do computador na escola, porém, muitas das criticas se referem mais ao mau uso do computador por pessoas despreparadas do que pelo seu uso em si.

Mais pesquisas se fazem necessárias para estabelecer de fato os riscos e benefícios em colocar computadores nas salas de aula.

Fontes :
1- Setzer. V. W (1996) “Contra o uso de computadores por crianças e jovens”

2- Klering & Acaro - A internet do século XXI
(publicação de internet, visualizado em janeiro de 2012)
(disponível em http://ucsnews.ucs.br/ccet/deme/emsoares/inipes/ensino.html )


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cursos a distância valem a pena?

Motivos para cursos a distância fracassarem.

O uso das novas tecnologias da informação e comunicação para fins educacionais tem crescido cada vez mais no país. Entretanto uma boa parte de educadores e educandos, ainda tem dúvidas ou receios quanto a efetividade de tais tecnologias como instrumentos de ensino. Atualmente estou concluindo uma pesquisa de TCC sobre o tema, minha resposta para a pergunta do título é a seguinte:  cursos a distância podem sim valer a pena, todavia, bem como no modelo tradicional (presencial), muitos cuidados devem ser tomados para garantir a eficácia do ensino.
A discussão sobre o assunto é bastante extensa, neste texto tratarei apenas de  dois aspectos que considero como maiores fatores para alguns métodos não presenciais NÃO derem certo. Em textos futuros, pretendo trazer modelos de programas de ensino a distância bem sucedidos.





Razão 1: Incompreensão de aspectos pedagógicos:  diferença entre ensino e aprendizagem

Há ainda na nossa educação (enquanto prática), uma má compreensão dos conceitos de ensino e aprendizagem. Da minha experiência com modelos de ensino, esta má compreensão é um dos  principais motivos  da maioria dos métodos não presenciais fracassarem.
Aprendizagem diz respeito à sensibilidade do organismo no contato com o meio. Isso significa que é através do contato do organismo com seu ambiente que este aprende. Aprender é passar a fazer algo que antes de um determinado evento ambiental, o organismo não fazia ou fazia de maneira diferente. Na espécie humana (como em muitas outras), a capacidade de aprender é natural, no sentido de que o organismo humano nasce com esta capacidade. A origem desta capacidade está na história filogenética da nossa espécie. Aprendizagem não é função, necessariamente, de ensino; assim, um indivíduo pode aprender sem ser ensinado.

Ensinar é arranjar as contingências para que o organismo aprenda, ou seja, criar as condições para que haja aprendizagem (SKINNER, 1975; ZANNOTO 1997). A partir destas definições chegamos ao entendimento de que para dizermos que um organismo foi ensinado, não basta olharmos para o que foi aprendido;  precisaríamos também olhar para a forma como esta aprendizagem ocorreu. Aprendizagem existe sem ensino, mas ensino não existe sem aprendizagem.

No mercado hoje, existem muitos cursos online baseados em modelos autodidatas (em geral o aluno assiste a vídeos explicativos, lê texto e faz exercícios sem o auxílio de um professor ou instrutor). Apesar de em muitos casos o aluno acabar aprendendo, nesta situação de fato ele não está sendo ensinado.
No modelo presencial de ensino, isso equivaleria a ir na escola,  receber um livro do professor com o conteúdo, estudar por “conta própria”, e depois realizar uma prova. O aluno até pode aprender, mas não está sendo ensinado. Ensinar é arranjar as condições para o ensino  ocorra e para tal tarefa, existem critérios que não podem ser negligenciados. A aprendizagem sem ensino (quando ocorre) possui inúmeras desvantagens. Sobre o assunto, recomendo dois livros que considero fundamentais para qualquer profissional da áreas de educação e ensino. O primeiro é o popular Tecnologia do Ensino do Skinner. O segundo é uma obra da professora Maria de Lurdes Baro Zanotto, intitulada Formação dos professores – A contribuição da Análise do Comportamento.

Razão 2: O ensino como produto.

Para falar do segundo aspecto mais comum no fracasso do ensino a distância, cito um trecho de um outro texto que escrevi aqui (clique aqui para ler) no Comporte-se há alguns meses atrás:
 “Pensar em qualquer fenômeno humano implica também pensar no contexto social e econômico nos quais este fenômeno ocorre. Dado o nosso atual contexto, onde a educação também pode ser considerada um produto que pode ser vendido com a finalidade de arrecadação de capital, por vezes a exploração de tais tecnologias pela indústria se dá exclusivamente por aspectos econômicos, mesmo que isso comprometa a qualidade final de um produto ou serviço que esteja voltado para o ensino.”

De fato, a mercantilização do ensino é um dos fatores que mais comprometem a qualidade do cursos a distância, mas isso não significa que todos estes serviços sejam piores do que o ensino presencial, pois mesmo o modelo tradicional (o presencial) sofreu o impacto da indústria da educação. Podemos citar o exemplo do grande crescimento do número de universidades privadas pelo país. Assim como no EAD, este crescimento se deu em parte (e acredito que em maior parte) por razões exclusivamente de mercado. Lamentavelmente ainda vivemos em um sistema político onde questões tão fundamentais como é a da educação por vezes acabam por responder  exclusivamente a demandas econômicas.

Você está sendo de fato ensinado?

Cuidado! Não pague por um serviço que você não está comprando. Tenho visto surgirem muitos cursos de ensino a distância que mais se baseiam no “autodidatismo” do que no ensino de fato. Neste sentido tais cursos não podem ser chamados de cursos de ensino a distância, no máximo são programas de autoaprendizagem (que possuem inúmeras desvantagem em relação o ensino sistemático e programado). Também tenho visto surgirem sites e portais na internet que oferecerem milhares de cursos (o mais famosos deles oferece mais 800 cursos diferentes). Você já parou pra pensar na qualidade destes cursos? Imagine uma universidade que ofereça 800 cursos, quantos profissionais professores QUALIFICADOS seriam necessários para atender esta demanda? Você acredita que tais portais possuam estes profissionais?  

A contribuição das tecnologias da informação para o avanço da educação é um fato inegável e é  evidenciado pelo grande número de excelentes cursos de formação a distância que também vem surgindo. Todavia, bem como no modelo presencial, atente para o que está comprando, ou perderá tempo e dinheiro.

Referências

Skinner, B. F. (1968). Tecnologia do ensino. São Paulo: E.P.U., 1972. - Livro
Zannoto M.L.B (1997). Formação de Professores, A contribuição da análise do comportamento - Livro
Luz, D.M (2011).  Possíveis Critérios para avaliação de softwares educativos – Disponível Online

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Paulo Freire para Analistas do Comportamento

Não é difícil encontrarmos em fóruns de redes sociais, Analistas do Comportamento se queixando sobre a dificuldade de inserção da abordagem alguns contextos. Do outro lado, também é bastante comum lermos críticas de profissionais sobre a linguagem hermética dela, além de questões mal resolvidas acerca de terminologias polêmicas (controle, punição, modelagem...). 

A Doutora Maria Esther Rodrigues (2006), discorre em seu trabalho sobre a necessidade da interlocução entre analistas do comportamento com outras comunidades verbais, a fim de que se façam entender e possam contribuir com mudanças sociais, seja em educação, ou em qualquer outra área.

Um exemplo desta interlocução pode ser observado em Fazzi e Cirino (2003). Os autores buscaram aproximações entre o conceito de autonomia para Paulo Freire e B. F. Skinner encontrando três possíveis semelhanças entre ambas as concepções:



 “1) a autonomia é entendida enquanto comportamento (ação) do sujeito que é aprendido a partir das interações sociais; 2) apesar de serem influenciados por fatores genéticos e ambientais, os seres humanos são capazes de arbitrar sobre estes fatores, sendo esta uma característica fundamental da autonomia; 3) ensinar consiste num dispor de circunstâncias para o desenvolvimento de comportamentos, incluindo a autonomia” (p. 7).

O trabalho em questão conclui que a aproximação entre Skinner e Freire pode contribuir para uma melhor compreensão dos fenômenos educativos e, em especial, da autonomia.
Outro exemplo de interlocução entre propostas analítico-comportamentais e freireanas para a educação vem de Belém, cidade situada no Estado do Pará, onde foi implementado em bairros pobres do município, um projeto de alfabetização de adultos baseado no método Keller (modelo de instrução personalizada) e no método Paulo Freire. A experiência foi exitosa tanto por ter alfabetizado os participantes do projeto, quanto pelo fato de eles terem lutado pela melhoria das condições sócio-econômicas de sua localidade (Amaral, 1983, apud Carmo & Batista, 2003¹). O fato deste programa de alfabetização ter tornado estes alunos autônomos e críticos de sua realidade corrobora com os ideais educacionais de Skinner, que pretendia formar alunos cônscios dos controles os quais estão submetidos a fim de exercer o devido contracontrole (Skinner, 1968). Além disso, corroboram com ideais freireanos, tendo em vista que Freire enfatiza a necessidade de termos uma educação voltada a formar cidadãos éticos, críticos, autônomos e engajados politicamente (Freire, 1996). Em síntese, ambos os trabalhos apontam para possíveis interlocuções e aproximações teóricas (Fazzi & Cirino, 2003) ou aplicadas (Amaral, 1983, apud Carmo & Batista, 2003) que podem favorecer a troca entre áreas (i.e., análise do comportamento e pedagogia), fomentar o respeito mútuo e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Paulo Freire
Resolvi escrever sobre algumas semelhanças entre propostas skinnerianas e freireanas após uma discussão em sala de aula em que uma colega sugeriu a impossibilidade de tal feito.

Mas por que Freire?

Paulo Freire é um autor popular entre os pedagogos e tem a virtude de apresentar seus projetos para a educação com uma linguagem acessível aos demais leitores (habilidade que precisa ser mais desenvolvida nas produções analítico-comportamentais). Além disso, seu método se mostrou bastante eficiente na alfabetização de adultos.

Sobre as semelhanças...

Tanto para nós (Analistas do Comportamento), como para Freire, o ensinar é tido como um processo que depende de uma série de arranjos no contexto dos indivíduos, tendo por função não apenas depositar ou transferir conteúdos dos professores para os alunos, mas dar subsídios para que os mesmos possam se desenvolver criticamente quer seja no que diz respeito aos conteúdos previamente estabelecidos, quer sejam nas habilidades importantes para a vida, como a autonomia e a liberdade.
Para ambas as abordagens, a educação é encarada como um instrumento de mudança social. Uma forma de fazer com que o educando conheça melhor o mundo que o cerca a fim de poder lançar mão de diversos recursos afim de contracontrolar aspectos negativos de sua comunidade.
Sobre o papel do professor, também concordamos ao aceitarmos que o docente e o aluno são ativos na relação de ensino-aprendizado, participando dos dois processos. Freire também aponta o professor como fonte de reforçadores e modelo para os alunos, alertando para que ele seja coerente entre o que ensina e o como se comporta no dia – a dia. 
B. F. Skinner
Freire também leva em consideração o conhecimento prévio do aluno, devendo este servir de base para o desenvolvimento posterior das práticas de ensino. Skinner (1968/1972) e Freire (1996) defendem que o processo educativo deva conduzir o aluno para uma leitura mais rigorosa e sistemática do mundo que o cerca. Para tanto, qualquer forma de discriminação deve ser rejeitada e a prática educativa deve estar embasada em pressupostos éticos sólidos, devendo ter a liberdade como tema a ser trabalhado no contexto escolar, cada um segundo as suas especificidades epistêmicas.
O interessante é que quanto mais me aprofundo na leitura dos autores, noto que, apesar de estarem em diferentes contextos e cada um deles possuir um modus operandi e bases epistemológicas próprios, abordam vários aspectos básicos relativos à prática de ensino-aprendizagem que se assemelham em alguns pontos.
É possível - e bastante provável - que possam existir muitas outras semelhanças além das apresentadas aqui, já este é um trabalho interpretativo, e minha leitura se restringiu a apenas um livro freireano - “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa” (Freire, 1996) -  e alguns trechos de outras obras do autor. Espero que tenhamos mais trabalhos deste tipo por aqui.
Para finalizar, um aspecto emblemático em Skinner e Freire é a disposição para mudança. Em sua obra “Walden II”, Skinner (1969), através de um romance utópico, expõe suas idéias para a solução de alguns problemas sociais, sugerindo o seguinte: “Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente”. Freire (1996), em sua obra “Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa” nos traz um pensamento bastante semelhante: “É a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é possível, que vamos programar nossa ação político - pedagógica, não  importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão - de - obra técnica”

[1] Amaral, R. S. (1983). Alfabetização de adultos: relato de uma experiência em um bairro periférico de Belém. Manuscrito não-publicado, Universidade Federal do Pará, Departamento de Psicologia, Belém.

Referências

Carmo, J. S. & Batista, M. Q. G. (2003). Comunicação dos conhecimentos produzidos em análise do comportamento: Uma competência a ser aprendida? Estudos em Psicologia, 8 (3), 499-503.
Fazzi, E. & Cirino, S. D. (2003). A Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire e uma possível aproximação com a proposta de B. F. Skinner. In H. M. Sadi & N. Castro (Eds.). Ciência do Comportamento: conhecer e avançar. Santo André: ESETec, 3, 11 - 16.
Freire. P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.  São Paulo: Paz e Terra.
Skinner, B. F. (1972). Tecnologia do ensino. Tradução de Rodolpho Azzi. São Paulo: EPU. Publicação original de 1968.
Skinner, B.F. (1978). Walden II: uma sociedade do futuro. São Paulo: EPU.
Rodrigues, M. E. (2006) Behaviorismo: Mitos, discordâncias, conceitos e preconceitos, Revista de Educação, 1 (2), 141-164.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Design Instrucional e Análise do comportamento: uma breve introdução


Você sabe o que é design instrucional? Já ouviu falar em engenharia pedagógica? Design instrucional, engenharia pedagógica ou projeto instrucional, historicamente são termos utilizados para referir-se a uma mesma prática. De forma geral, esta prática seria a de planejar e desenvolver programas de ensino, utilizando para isso instrumentos, métodos e técnicas fundamentados em alguma ciência pedagógica. A partir desta definição e a depender da perspectiva teórica a partir da qual direcionamos nosso olhar, o profissional responsável por este arranjo poderia ser o próprio professor.


Análise do comportamento e Design Instrucional: A importância de B.F Skinner

Ao inverter a lógica do pensamento predominante de sua época, atribuindo as consequências como fatores determinantes do comportamento, Skinner, dentre outras coisas, revolucionou o modo de se conceber os processos de ensino e de aprendizagem. Seus experimentos e descobertas acerca do comportamento operante produziram dados empíricos, replicáveis, e resultados efetivos o que despertou o interesse em diversos campos do conhecimento. Na prática, os estudos de Skinner influenciaram desde a metodologia de ensino utilizada em escolas do sistema americano de educação, até o treinamento de soldados do exército dos EUA durante a segunda guerra. Ainda que não existam dados concretos a respeito deste fato, é a este contexto quase atribui o surgimento do conceito de “design instrucional”. Um possível primeiro modelo do que se chamou de “desenho instrucional”, foi desenvolvido pelo exército americano, a partir das descobertas de B.F Skinner sobre comportamento operante. Este modelo teria sido aplicado ao desenvolvimento e treinamento de soldados para a segunda guerra.

Além da fundamental contribuição de Skinner e da análise do comportamento para o surgimento da ideia de design instrucional, pelo menos dois momentos históricos devem ser citados como marcantes no desenvolvimento do conceito. O primeiro deles é o que os autores da área chamam de “revolução cognitiva”. 

O período entre as décadas de 60-70-80, é apontado como um período onde ocorreu uma “revolução” no modo se conceber a aprendizagem, que teria implicado em uma “superação” do modelo “behaviorista” de design instrucional.Dada a extensão do tema, estou preparando um artigo para o comporte-se para tratar exclusivamente deste assunto e que será publicado em breve.


Um segundo momento marcante na história do design instrucional, ocorre no fim dos anos 90 com a popularização das tecnologias computacionais e o nascimento das práticas de ensino à distância, onde o termo começa a aparecer na literatura referindo-se principalmente a profissionais desenvolvedores de E-learning e EAD. No Brasil o primeiro curso de formação em design instrucional, da Universidade Federal de Juiz de Fora, foi iniciado em 2005,oferecido como uma pós-graduação para profissionais de educação. O currículo do curso era direcionado para o planejamento, desenvolvimento, e avaliação do ensino à distância. 

A regulamentação da profissão também é bastante recente. Apenas em Janeiro de 2009 (pouco mais de dois anos), o ministério do trabalho incluiu a profissão de design instrucional na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A seguir algumas informações extraídas do próprio site do ministério:


2394 :: Programadores, avaliadores e orientadores de ensino
2394-35 - Designer educacional
Desenhista instrucional, Designer instrucional, Projetista instrucional
  
“Implementam, avaliam, coordenam e planejam o desenvolvimento de projetos pedagógicos/instrucionais nas modalidades de ensino presencial e/ou a distância, aplicando metodologias e técnicas para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Atuam em cursos acadêmicos e/ou corporativos em todos os níveis de ensino para atender as necessidades dos alunos, acompanhando e avaliando os processos educacionais. Viabilizam o trabalho coletivo, criando e organizando mecanismos de participação em programas e projetos educacionais, facilitando o processo comunicativo entre a comunidade escolar e as associações a ela vinculadas.”

O conceito de design instrucional sofreu inúmeras variações e releituras. Hoje seu significado foi transformado, e na prática, quase sempre está relacionado às tecnologias da informação. Assim, o design instrucional passa a ser o profissional responsável pelo desenvolvimento de programas dentro do contexto das novas tecnologias da informação, principalmente as relacionadas ao EAD (Ensino à Distância) e ao
E-learning (Ensino mediado por computador). Este fato pode ser evidenciado tanto pela literatura da área que começa a desenvolver estudos específicos direcionados para a temática, quanto pela grade dos cursos de formação ou especialização que começam a surgir no país, quase todos dedicados a formação de professores qualificados para utilização destes novos recursos na educação. Ainda assim é importante destacar que não é a prática da utilização das tecnologias da informação e computação no ensino o que define a função do profissional de design instrucional, e sim  o arranjar contingências sob as quais os alunos aprendem. 


Os estudos sobre a prática não são novos, mas a maioria deles se desenvolveu desligado da psicologia e da pedagogia. Por este motivo talvez, façam uma leitura mais aplicada (no sentindo prático) do que experimental dos processos de ensino.Hoje existem muitos modelos de design instrucional, sendo o mais comum e popular o modelo ADDIE (Análise, Desenho, Desenvolvimento, Implantação e Avaliação) proposto pela primeira vez em 1978 no livro: The Systematic Design ofInstruction, escrito por Walter Dick e Lou Carey.


Ao longo de muitos anos, analistas do comportamento tem se preocupado em desenvolver tecnologias eficazes de ensino. Os trabalhos teóricos de Skinner, Holland, Keller e tantos outros tem sustentado, até hoje, o desenvolvimento de intervenções de muitos programas de instrução (sejam eles computacionais ou não). Recentemente estas tecnologias tem avançado não só no sentido de utilidade na melhorias das práticas educacionais, mas também no sentido de cada vez mais se aprofundarem na discussão e explicação dos processos sob os quais os organismos aprendem (as pesquisas de Sidman sobre a equivalência de estímulos, e os recentes trabalhos de Hayes sobre responder relacional, são dois exemplos). Eu, pessoalmente, acredito que estes avanços (tanto nas pesquisas experimentais, como aplicadas), sustentam cada vez mais um modelo efetivo de instrução e ensino, que se utilizado na prática de se arranjar as condições sob as quais o aluno aprende, a qual aparentemente também é se chamada de “design instrucional” trará benefícios e avanços para a educação.


Bibliografia consultada:
Dick, Walter, Lou Carey, and James O. Carey (2005) [1978]. The Systematic Design of Instruction (6th ed.). Allyn& Bacon. pp. 1–12. ISBN 0205412742.

Ministério do trabalho site: http://www.mtecbo.gov.br/